E já que o assunto é cerveja, vamos com o que mais combina com uma gelada: verão.
No caso, horário de verão, que para a alegria de 11 em cada 10 brasileiros que vivem na Austrália começa na madrugada deste sábado para domingo, às duas da matina, trazendo alegria pra você e o vovô, como diria o Bozo (turum-tchí!).
Chapa tirada na Wallis Pd com a Military Rd, em North Bondi.
Mais!
País fanfarão com um imenso deserto no meio e um enorme apreço pela vida praiana, a Austrália não adota o horário de verão, e sim, o semestre de verão, já que começa agora e só termina no primeiro domingo de abril de 2013. Ou seja, exatos seis meses (é muita fanfarra)!
Portanto, meus caros adoradores do maior do mundo (o oceano, não o Maracanã), adiantem uma hora os seus respectivos relógios o iPhone 5.6 deve fazer isso sozinho e aproveitem as horas a mais no final da tarde, aquelas mesmas que no auge do verão chegam a quase 9 da noite.
Em tempo: por terem sol próprio, Queensland, Northern Territory e Western Australia não brincam.
Estreia hoje, na Austrália, Marley, documentário de duas horas e meia sobre o músico mais influente já nascido no terceiro mundo. Com imagens raríssimas, liberadas pela primeira vez pela família de Bob Marley, o filme dirigido por Kevin Macdonald (O Último Rei da Escócia) mostra o homem por trás do mito (para usar um clichezaço), mergulhando na infância de Robert Nesta, nas relações familiares, políticas, religiosas e, claro, na música. Eis os cinemas:
O mapa é da The Cool Hunter (cliquem na imagem para ampliá-lo).
Como vemos e todos sabem, a Austrália é gigante.
De fato, é a sexta maior nação do planeta, atrás somente de Rússia, Canadá, Estados Unidos, China e Brasil.
Já em termos populacionais, ocupa somente a 52a posição com seus quase 23 milhões de habitantes.
Para efeito de comparação, estão vendo Taiwan, ali em rosa, à esquerda da África do Sul?
Então, Taiwan é o quinquagésimo primeiro país mais populoso do mundo, com pouco mais de 23 milhões de habitantes.
Porém, enquanto eles têm 641 habitantes po km2, a Austrália possui somente 3 pessoas, densidade demográfica maior apenas do que a Namíbia, Guiana Francesa, Saara Ocidental, Mongólia, Ilhas Malvinas e, claro, Groelândia.
O motivo?
Vejam no mapa a França (sem aquela perninha de baixo), a metade de baixo da Alemanha, Equador, a ponta da bota e o salto da Itália, sul do Reino Unido, Malásia Ocidental, Nova Zelândia, parte de cima do Japão (para os dois lados), Romênia, Timor Leste, perna da Tailândia que invade o continente e Coreia do Sul.
Prazer, deserto!
Fofamente conhecido como Outback, ele é o responsável pela Austrália ser o país mais seco e plano do planeta, além, é claro, pela pífia densidade demográfica. Afinal, quem em sã consciência quer morar no deserto?
Bem, os índios.
Muitos, erroneamente, dizem que a Austrália foi boazinha com seus silvícolas, os populares aborígenes.
Sabemos que não é verdade.
Além de brutalidades históricas, principalmente na primeira metade do século XX, decorrentes de uma sociedade regida por leis absolutamente racistas e discriminatórias, essa aura “boa praça” a que se referem deve-se, entre outros, ao fato do governo ter demarcado algumas áreas exclusivamente aos índios. E onde elas estão?
No deserto, claro.
Os Cadigal, que originalmente viviam na área onde é hoje o Royal Botanic Gardens, no coração de Sydney, assim como os Muru-ora-dial, de Maroubra, com aquele belo mar na frente, obviamente não ficaram com nada, tiveram de zarpar.
Já próximo de Broken Hill, onde praticamente começa o Outback no mesmo estado de NSW (entre o Camboja e a parte mais elevada do Japão no nosso mapa), os Wiljakali, que por lá viveram por mais de 40 mil anos, há pouco mais de dois séculos foram obrigados a deixar a região, que voltou a pertencê-los oficialmente em 1998, quando, após anos de brigas judiciais, o governo lhes devolveu em forma de Mutawintji National Park .
Ou seja, se o Outback australiano não fosse tão inóspito e tivesse algo, digamos, parecido com o nosso Cerrado, a história definitivamente seria outra com muito mais cidades no centro do país, muito mais gente, maior densidade e menos lugares para abrigar isolar os silvícolas.
Por ora, os quase 23 milhões de habitantes da Austrália estão espalhados praianamente no nosso mapa da seguinte maneira:
- 5.5 milhões na costa da África do Sul em cidades como Sydney, Wollongong e Newcastle.
- Pouco mais de 400 mil na capital federal, um pouco para dentro da África do Sul.
- Pouco mais de 4 milhões na Grécia (metáfora mais do que apropriada), em Melbourne.
- Pouco menos de 3.5 milhões no litoral entre o norte da África do Sul, Albânia, Tailândia e o comecinho da Nova Zelândia em cidades como Gold Coast, Brisbane, Sunshine Coast, Townsville e Cairns.
- Quase 1.8 milhão em Perth, capital localizada na costa da Itália.
- Pouco mais de 1.2 milhão no finalzinho da Grécia, quase no Japão, na cidade conhecida como Adelaide.
- Pouco mais de 500 mil espalhadas por longínquas praias da Dinamarca.
E o restante em cidades que, exceto Geelong, na Grécia, e Darwin, capital de Northern Territory incrustada na parte mais setentrional do Reino Unido, não chegam a 100 mil habitantes.
Resumindo: se a profecia do beato de Sobradinho se concretizar, só vai sobrar indígena por aqui.
O sertão vai virar mar, dá no coração / O medo que algum dia o mar também vire sertão…