Exílio futebolístico

Prestes a completar cinco anos nesta distante ilha, cheguei a uma conclusão óbvia pero no mucho: viver na Austrália é um grande exílio… futebolístico.

É verdade!

Semana passada, no pub em que passava Austrália x Japão, jogo válido pelas Eliminatórias da Copa 2014, um dos poucos que prestavam atenção e torciam perguntou para o amigo se o jogador australiano que deixava o gramado contundido poderia retornar mais tarde à partida, como acontece no rugby, basquete, vôlei…

Ao ouvir que não, a resposta foi imediata: bloody soccer!

Para nós, brasileiros que crescemos bombardeados de futebol todas as quartas e domingos, sábados e quintas (terças e sextas somente para os torcedores que já passaram pela Segunda Divisão), inicialmente o exílio faz bem, pois desintoxica a mente e o coração, principalmente daquele horror diário que são 94.7% dos programas esportivos da TV e todas as mesas redondas dominicais.

Depois, passamos por um processo de redimensionamento futebolístico, quando percebemos que, conforme desconfiávamos, o futebol não é e jamais poderia ser considerado a coisa mais importante na vida das pessoas, a ponto de irem a treinamentos para cobrar jogador em horário que deveriam estar trabalhando, espancarem desconhecidos pelo simples fato de usarem uniformes adversários e , claro, matarem por futebol.

Importante: por futebol, o máximo que dá pra matar é aula, e somente em caso de semifinal ou final de Libertadores da América.

O estágio seguinte, também parte do redimensionamento futebolístico, é a autocrítica, que num português claro significa descer do pedestal, baixar o salto alto e tirar a máscara. E isso, que serve tanto para torcedores como para jogadores, técnicos, dirigentes e jornalistas, passa pelas seguintes conclusões:

- Há tempos a Seleção Brasileira não é a melhor do mundo.
- Há tempos o futebol brasileiro não é o melhor do mundo.
- Há tempos ninguém mais nos vê das duas maneiras acima (exceto nós mesmos).

Dito isso, também descobrimos a pobreza que é o nível da discussão no país, das entrevistas vazias que nada dizem às polêmicas de mentirinha inventadas para segurarem audiência. Discutirem tática e aspectos mais técnicos então, “é coisa de nerd”, como referem-se a jornalistas que realmente entendem do assunto e tentam elevar o nível como os poucos Paulo Vinicius Coelhos da vida.

Circo fora de campo, palhaçaca dentro. E a Seleção Brasileira é o melhor exemplo. Nas últimas duas Copas do Mundo, não tivemos um time, um conjunto, apenas um amontoado de jogadores que dependiam do lampejo individual de alguns poucos craques para decidirem as partidas. Obviamente, não deu em nada.

Já em 2002, sem tantos nomes e sob total desconfiança, a coisa funcionou com um grupo coeso e uma mentalidade forte, que trabalhava dentro de um esquema que construía as jogadas para os dois únicos craques – Ronaldo e Rivaldo - resolverem, o que é muito diferente de jogar desorganizadamente aguardando que um dos dois decidem. Resultado: vencemos os sete jogos.

Questionamentos e reflexões mais profundas sobre o rumo que a seleção e o próprio futebol brasileiro seguem, no momento, são fundamentais para evitar um novo fiasco para não dizer Maracanazo daqui a dois anos.

Passada a autocrítica, vem a fase que os estudiosos chamam de footballsick, palavra que deriva da famosa homesick, que nada mais é do que a saudade de casa (no caso, do futebol de casa), que é a simples vontade de assistir ao time do coração ou simplesmente ver bons jogos em horários razoáveis (falo razoáveis porque os daqui, em função do fuso, são dignos de exílio).

Em tempo sobre o horário da Globo: nada mais absurdo do que jogos de futebol às 22 horas de quarta-feira que terminam à meia-noite, para o cara chegar em casa à uma, ir dormir às duas e acordar às seis. No mínimo, falta de respeito!

Voltando ao fuso, ele, juntamente com a televisão e a cultura local, formam o alicerce que fazem da Austrália um exílio futebolístico.

Rodada dominical do Brasileirão, por aqui, é 5 horas da manhã de segunda-feira. Libertadores às quartas é 11 da mahã de quinta. Eurocopa, que está acontecendo neste exato momento, tem jogos diários às 2h e às 4h45 da manhã. E, pior, não querem que a gente os veja.

É verdade!

A elite anglo-saxônica por trás de esportes como Rugby League, AFL e críquete morrem de medo do futebol (ou soccer, como pejorativamente insistem em chamá-lo). Eles, juntamente com as emissoras de televisão mais poderosas fazem um grande lobby para deixar o futebol longe da TV aberta. Assim, é praticamente impossível ver uma boa partida em casa sem ter TV por assinatura. Nem mesmo a seleção australiana jogando contra o neo-arqui-rival Japão, em partida de Eliminatórias, como a da semana passada, é transmitida na aberta. Não por acaso, tive de fazer um grande sacrifício e ir ao pub tomar meia-dúzia de Guinness em plena terça-feira.

O que talvez tenhamos a partir da próxima temporada da A-League, o fraquíssimo certame local, é a transmissão de um jogo ao vivo por rodada pela SBS, que é canal aberto. Pequeno passo para os exilados, mas grande salto para o futebol australiano, que, no final das contas, é o que interessa. Afinal, sempre temos a opção de reconciliação com a pátria-mãe, de aparar as arestas e voltar pra casa. De preferência, com o futebol brasileiro num caminho melhor.

Texto da Edição Marley & Nós da Newsletter #5

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Les Murray Cup na SBS

Domingo, tivemos no Centennial Park a II Les Murray Cup, organizada pelo Sydney Brazilian Social Club.

Tive a honra de participar da abertura, a convite do presidente Gel, entregando uma placa comemorativa ao Les Murray, e em seguida pedindo um minuto de silêncio em homenagem ao Dr. Sócrates e em lembrança ao Leandro Barata, que se machucou em Bondi Beach há exato um ano.

Les e o campeão do torneio

Les Murray não jogou futebol, ficou próximo da churrasqueira, mas em compensação, Craig Foster, seu companheiro de SBS e ex-jogador da seleção australiana (foi capitão dos Socceroos em uma ocasião), não só participou do torneio, como conduziu o Jamberoo ao título.

É verdade, mesmo com o temporal que desabou na cidade (vide fotos do post anterior), a Les Murray Cup transcorreu normalmente. E com a vitória de 3 a 2 sobre o Liverpool, time da comunidade sérvia, o Jamberoo faturou o bicampeonato.

Brad Boardman, o jaqueta 10 do Jamberoo, foi o artilheiro da competição, Dusko Mirilovic, do Liverpool, o melhor jogador, e Liminha, dos Canarinhos I, o melhor arqueiro (goleiro para os mais novos).

A entrega da medalhas e troféus ocorreu no próprio Centennial, exceto a do Craig Foster, que recebeu ontem à noite, ao vivo nos estúdios da SBS, durante o programa semanal da emissora.

Depois dessa, as ações do clube estão valendo bem mais do que as do Sydney F.C. e do Harry Kewell, que têm jogado uma bolinha…

A II Les Murray Cup foi em memória do amigo Alex Silva, falecido em julho deste ano.

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Austrália na próxima fase das Eliminatórias

Restando ainda um jogo para fechar a participação na fase de grupo das Eliminatórias Asiáticas para a Copa do Mundo do Brasil, em 2014, a Austrália já garantiu vaga na próxima fase.

A classificação veio agora a pouco com a vitória sobre a Tailândia por 1 a 0, gol marcado de cabeça aos 31 minutos do segundo tempo pelo jaqueta 14 Brett Holman, que contou com a ajuda do goleirão tailandês.

A partida foi disputada em Bangkok, no Supachalasai Stadium, nome que, em outros tempos, poderia inspirar uma canção do Jorge Ben Jor, daquelas que ele junta disco-voador, o rebolado dela e o grande rei Supachalasai.

O forte escrete da Tailândia, número 114 no ranking da Fifa, foi a campo com Sinthaweechai HATHAIRATTANKOOL (GK), Niweat SIRIWONG, Chonlatit JANTAKAM, Nataporn PHANRIT (C), Datsakorn THONGLAO, Rangsan VIVATCHAICHOK, Kirati KEAWSOMBUT, Phichitphong CHOEICHIU,  Supachai KOMSLIP, Suree SUKHA e Jakkaphan KAEWPROM.

Tenho certeza de que ninguém dormiria sem essa informação.

Os Socceroos voltam a jogar em 29 de fevereiro, em Melbourne, contra a Arábia Saudita, jogo que não valerá absolutamente nada, pois a seleção australiana já garantiu o primeiro lugar no Grupo D, independentemente do que acontecer nos outros jogos.

A segunda fase começa em junho de 2012. Mensagem do Galvão Bueno: E aí não tem time boooooooobo, amigo!

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Austrália firme rumo à Copa no Brasil

 

A campanha da Austrália nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, continua de vento em popa.

Ontem à noite, os Socceroos veceram Omã por 3 a 0, em Sydney, diante de 24 mil pessoas.

Os tentos foram anotados por Brett Holman (7′), Joshua Kennedy (19′ 2T) e Mile Jedinak (39′ 2T).

Após três rodadas, a Austrália segue na liderança do Grupo D com 9 pontos, seguida pela Tailândia com 4, Arábia Saudita com 2 e Omã com 1.

Baba, eu sei, mas lá na frente a coisa pode complicar ao cruzar com países como Japão e Coreia do Sul.

A seleção australiana volta a campo em novembro, quando enfrenta a mesma Omã no dia 12, e a Tailândia no dia 15, ambos os jogos fora de casa.

Depois, só em março de 2012, no fechamento da fase de grupos das eliminatórias contra a Arábia Saudita, em casa.

Go Socceroos!

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A-League – Começa o Futebol na Austrália

 

Começa hoje a A-League, a liga de futebol da Austrália. Não vou dizer que este ano promete, mas certamente temos o início de temporada mais promissor desde 2007, quando a contratação de Juninho Paulista pelo Sydney FC atraiu muita atenção.

O motivo é praticamente o mesmo: contratação. Na verdade, duas grandes, uma do próprio Sydney, que trouxe da Europa o meia-cancha Brett Emerton; e outra do Melbourne Victory, que repatriou o atacante Harry Kewell, ambos dos Socceroos, a seleção australiana.

Para refrescar a memória, Emerton é aquele mesmo que surgiu para o futebol nas Olimpíadas de Sydney, em 2000, quando era o capitão da seleção da Austrália, e passou boa parte da década no Blackburn, da Primeira Divisão Inglesa.

Já o Kewell, haha!

ENTER
ENTER

Desculpem, mas não aguentei. Dois ENTER’s para recuperar o fôlego após rir da lembrança do Kewell fomando aquele meio-campo/ataque maravilhoso do Liverpool, em 2005, com Gerrard, Xabi Alonso, Luís Garcia e Morientes.

Eles desembarcaram no Japão, em dezembro daquele ano, para a disputa do Mundial Interclubes, sem tomar gols havia uns 30 jogos e com pouquíssimas derrotas na temporada. Mas após enfrentarem o São Paulo na final, voltaram para a Inglaterra com 1 a 0 do Mineiro e o rabo entre as pernas.

Falando em Mineiro, dos dez clubes da liga, apenas o Central Coast Mariners e o Perth Glory não têm brasileiros em seus quadros, sendo que o Melbourne Heart, com o meio-campo Fred (ex-Guarani) e os atacantes Alex Terra (ex-Flu) e Maycon (Nova Iguaçu), possui a maior concentração.

Destaques também para o zagueiro Cassio (formado no Flamengo), do Adelaide, Henrique (ex-Feyenoord), jaqueta 10 do Brisbane, o lateral esquerdo do Melbourne Victory, Fabio (ex-Volta Redonda), Tiago Calvano, zagueiro do Newcastle, e o matador Bruno Cazarine, também conhecido como Cazagol, que vai para a sua segunda temporada no Sydney.

Eis os jogos da primeira semana. Go Sydney!

Sábado, 8 de outubro
16h30 Newcastle Jets FC x Melbourne Heart FC Ausgrid Stadium
18h30 Melbourne Victory FC x Sydney FC Etihad Stadium
19h45 Brisbane Roar FC x Central Coast Mariners FC Suncorp Stadium

Sábado, 9 de outubro
16h Gold Coast United FC x Wellington Phoenix FC Skilled Park
16h30 Perth Glory FC x Adelaide United FC nib Stadium

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Eliminatórias para Copa do Mundo

Provavelmente, vocês não tenham percebido, afinal, os jogos dos Socceroos, a seleção australiana de futebol, são transmitidos apenas pela tv fechada e recebem pouquíssimo espaço na mídia. Mas neste final de semana, eles iniciaram a caminhada rumo à Copa do Mundo do Brasil, em 2014, e, diga-se de passagem, com tudo.

Bem, não tão com tudo, já que na sexta-feira, em Brisbane, a seleção jogou mal e penou para vencer a Tailândia por 2 a 1, conquistando a vitória – de virada – somente a quatro minutos do final.

Socceroos

Brosque em total desconforto após virar contra a Tailândia. Photo: Getty Images

Sim, a Austrália saiu perdendo em casa para a fraquíssima Tailândia. Teerasil Dangda, o jaqueta 10 Thai, abriu o placar aos 15′ do 1T. Mas tratando-se de estreia em eliminatórias, o que vale são os três pontos (clichezaço, eu sei) e os gols marcados na segunda etapa por Joshua Kennedy (13′) e Alex Brosque (41′) foram suficientes.

Brosque, por sinal, um dos mais conhecidos dos brasileiros pois jogava no Sydney FC, fez dupla com o Juninho Paulista e foi um dos grandes injustiçados na Copa passada não sendo convocado, iniciou a partida no banco, entrou aos 34′ do segundo tempo e deu a vitória quando parecia que o jogo ficaria no empatezinho. Matador!

Socceroos

Kennedy contra a Arábia Saudita. Photo: AP

Essa manhã, os Socceroos enfrentaram a Arábia Saudita na casa deles e jogaram muito mais bola. Começando pela corajosa opção do técnico Holger Osieck de barrar o principal jogador, Tim Cahill, colocando o atacante Brett Holman para jogar ao lado de Joshua Kennedy.

Acredito que os dois possam jogar juntos como titulares, mas de qualquer maneira o esquema funcionou e a Austrália venceu os sauditas por 3 a 1 com Kennedy escorando dois gols (41′ do 1T e 11′ do 2T) e Luke Wilkshire fechando de pênalti aos 32′ do 2T. Nasser AlShamrani, provavelmente um primo distante, descontou aos 21′ do 2T.

Com os resultados, a Austrália terminou a primeira rodada das Eliminatórias com o melhor desempenho da Ásia (sim, eles jogam as eliminatórias asiáticas), liderando o Grupo D com 6 pontos. Tailândia vem em segundo com 3, seguida por Omã e Arábia Saudita com um ponto cada.

Os Socceroos voltam a campo dia 11 de outubro, na Austrália, contra Omã. A cidade ainda será definida. Go Socceroos!

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