
Let´s Help Mario Lopes (Libanês)
O futebol, há décadas, não é mais para amadores. Basta ver a situação do Palmeiras hoje, e a do Corinthians. Enquanto o primeiro não aprendeu nada com a lição de dez anos atrás, o segundo pós-Segundona é um caso a ser estudado. A diferença? O nível de amadorismo/incompetência e profissionalismo/competência de seus dirigentes.
Com o futebol australiano, obviamente, não é diferente.

Em agosto, a comunidade do futebol daqui comemorou a notícia de que David Gallop (acima, à direita), o dirigente que por anos foi o homem forte da National Rugby League, aceitou o convite para ser o CEO da Football Federation Australia (FFA).
O cara entende como poucos de esporte, televisão e marketing, e tem um profundo conhecimento do público e da politicagem local.
Não por coincidência, agora a pouco, os caciques da FFA, juntamente com os chefões da Fox e da SBS, anunciaram um acordo sem precedentes na história do futebol australiano, que terá um efeito (positivamente) devastador ao levar um jogo da liga nacional ao vivo, toda semana, para a casa do telespectador via canal aberto (SBS), além de todos os jogos das finais (com uma hora de atraso) e da seleção australiana nas Eliminatórias da Copa do Mundo (também com uma hora de atraso).
Parece pouco, ainda mais levando em consideração o limitado nível tecnico das partidas da A-League, mas não é.
Este é um pequeno passo para que toda uma geração de garotos australianos, em especial filhos de pais nascidos em outros países, tenha o primeiro contato com o futebol na TV. Aquele mesmo moleque que senta ao lado do pai nas noites de sexta-feira para assistir ao vivo no Channel 9 uma partida da Rugby League ou de AFL no 7, agora terá a opção de ver um jogo da A-League na SBS. Sabendo que 25% da população que vive na Austrália é de fora, a preferência pelo futebol pode finalmente crescer a passos ainda mais largos do que vem crescendo.

E pra isso, três fatores que já vêm acontecendo serão ainda mais fundamentais:
- A melhora no nível técnico. Eu sei, ainda é fraco, mas se compararmos ao que era na temporada 2005/06, quando começou a liga, melhorou muito. E a tendência é continuar melhorando, principalmente com a injeção de dinheiro que acaba de receber.
- Popularização! Times como o Western Sydney Wanderers, que estreou nesta temporada e foi criado com um apelo totalmente popular e multicultural para preencher um espaço que o Sydney FC, até então o único da cidade, não preenchia, já que é visto como de elite, mostrou-se um enorme acerto. Os Wanderers é uma das equipes mais aguerridas da liga, se não for a mais, faz uma belíssima campanha, já alcançando a quinta posição, e a empatia com a torcida aumenta a cada rodada (é o meu time!).
- Socceroos! Boa parte do crescimento do futebol australiano nesta última década deve-se à classificação da Seleção da Austrália para a Copa da Alemanha, em 2006, após 34 anos, e à boa campanha naquele Mundial; à classificação para a África do Sul quatro anos depois; e à mudança estratégica da Oceania para a Ásia, futebolisticamente falando, que tem contribuído para elevar o nível técnico da seleção nacional. Além disso, com a classificação para a Copa 2014 bem encaminhada, a SBS passando a mostrar os jogos das Eliminatórias (mesmo que com atraso) e a emissora tendo os direitos garantidos de transmissão até a Copa 2022, os Socceroos certamente continuarão conquistando cada vez mais torcedores.
Essas mudanças, que entrarão em vigor a partir do ano que vem, são apenas o começo, mas já demonstram que o futebol na Austrália está no caminho certo com Gallop. Ainda mais sabendo que por aqui os principais inimigos são os outros esportes e os respectivos setores da imprensa que os cobrem – e Gallop os conhece como poucos, pois era tanto aliado quanto inimigo.
Imagino que até 2030, vai ser difícil as Copas não serem na China em 2026 e no Uruguai/Argentina em 2030, quando a Fifa deverá comemorar os 100 anos da primeira edição. Mas depois, o projeto Come Play da Austrália, que falhou para trazer as Copas de 2018 ou 2022, tem tudo para voltar mais forte do que nunca.
Até lá, o país poderá formar uma nova (e numerosa) geração de torcedores de futebol, o que não é pouco para uma nação que já tem meio caminho andado para sediar qualquer evento internacional de grande porte.
No esporte atual, só o profissionalismo salva (e no caso da Austrália, talvez faça milagre)!
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