Sonny Bill Williams está de volta

Em 2008, quando o neozelandês Sonny Bill Williams deixou os Bulldogs no meio da temporada da Rugby League para jogar Rugby Union na França, ele se tornou o inimigo número um da League. Foi chamado de traidor, mercenário, mensaleiro… Alguns dirigentes chegaram a dizer que ele jamais seria aceito de volta na League.

Nesse meio tempo, Williams iniciou carreira no boxe, virou jogador da seleção da Nova Zelândia de Rugby Union e conquistou a última Copa do Mundo com os All Blacks.

Rugby league 2013

Agora, no melhor estilo “nada como um dia após o outro e alguns milhões de dólares na conta“, ele retorna à League.

É verdade! O “nunca mais” durou somente quatro temporadas e essa manhã SBW foi anunciado jogador dos Roosters para 2013.

Grande reforço para o clube de Bondi, pois o cara é extremamente talentoso e será peça fundamental na remontagem do elenco, que em 2012 fez um péssimo campeonato e para o ano que vem não contará com um dos principais jogadores das últimas temporadas, o ex-capitão Braith Anasta, que assinou com o Wests Tigers.

Além disso, SBW vai ter muito trabalho para lidar com parte da imprensa que cobre a Rugby League e parte dos torcedores, em especial dos Bulldogs, o time-viúva pelo qual ele foi campeão em 2004. Para terem uma ideia, o Daily Telegraph, o jornal-parceiro da League e, consequentemente, outra viúva do Sonny Bill, está com a seguinte pesquisa no website:

Should Sonny Bill be allowed back into the NRL?

Lógico que sim!

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Grand Finals 2012 – Resultados

Marcelo Freixo Rio

As duas Grand Finals que fecharam a temporada esportiva outono-inverno 2012 da Austrália foram sensacionais.

afl

No sábado, num duelo imprevisível que na maior parte do jogo deu a impressão de que os Hawkes venceriam, acabou com a merecida vitória dos Swans, sacramentada a 50 segundos do final num chute fantástico de Nick Malceski que elevou de apertados quatro pontos de diferença para 10, fechando o placar em 91 a 81 para o Sydney, no Melbourne Cricket Ground. #AFL

afl 2012 sydney swans

Nick Malceski após o decisivo (e histórico) chute.

Os mesmos 10 pontos de diferença que o Melbourne Storm sapecou pra cima dos Bulldogs, que ontem não tiveram a menor chance no ANZ Staduim, em Sydney, e perderam por 4 a 14, num jogo de muita briga (literalmente) e até mordida na orelha. #NRL

national rugby league grand final

Com uma partida praticamente perfeita defensivamente e pressionando demais a saída de bola dos Bulldogs, o Melbourne dominou completamente o jogo, forçou muitos erros do adversário (4 drop out numa Grand Final chega a ser constrangedor) e ainda teve Billy Slater, ou Billy Messi, como escrevi no post anterior, provocado, o que custou caro para os Bulldogs, já que o homem se transformou num monstro, fez o try que recolou o Melbourne à frente e depois jogou como sempre, justificando o título de melhor full back da NRL.

melbourne storm 2012

Agora, com a temporada esportiva primavera-verão 2012/13 da Austrália começando, preparem-se para a invasão do cricket nos próximos meses, o janeiro do tênis, a grande tarde da Melbourne Cup em novembro e o futebol da A-League correndo muuuuito por fora.

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Grand Finals 2012 – AFL e NRL

Marcelo Freixo Rio

Se você está em Northern Territory ou na Tasmania, não perca tempo com este post pois tenho certeza de que não vai interessar. Motivo? Aí não tem feriado na segunda, não tem time de Rugby League profissional, muito menos de AFL.

Dito isso, New South Wales, Canberra, Victoria, South Australia, Queensland e Western Australia avancem uma casa.

Neste sábado, às 14h30, Hawthorn HawksSydney Swans se enfrentam no templo do esporte australiano, o Melbourne Cricket Ground, pela grande final da AFL.

esporte australiano

Os Hawks, que fizeram a melhor campanha na fase classificatória, são os favoritos e têm mais camisa, já que em 15 vezes que chegaram à Grand Final conquistaram 10 títulos, sendo o último em 2008.

Já os Swans, que obviamente têm a minha torcida na decisão (sou um tremendo pé-frio na Austrália, ao contrário do Brasil, pobre Swans), já fizeram 14 Grand Finals e venceram somente quatro, sendo a última em 2005.

Torço particularmente pelo Adam Goodes, o jogador de origem aborígene acima que, ao lado do grande Harry O´Brien, carioca que vocês conhecerão em breve, do Collingwood, é o grande role model deste esporte.

rugby na Austrália

Já o domingo é dia de Rugby League, modalidade que, na minha opinião, ao lado do cricket, é o grande esporte australiano.

Após 26 rodadas e três semanas de finais, chegaram à Grand Final justamente os dois times de melhor campanha: Canterbury-Bankstown Bulldogs, do genial Ben Barba, o melhor jogador desta temporada, e o insuportável Melbourne Storm, o time dos geniais Billy Slater, Cam Smith e Cooper Cronk. Se ligaram na diferença?

É realmente muito difícil bater um time com três craques que podem decidir o jogo e o campeonato a qualquer momento. É como se o Melbourne tivesse Iniesta Cronk, Xavi Smith e Billy Messi apoiados por toda a orquestra catalã.

Por outro lado, os Bulldogs têm Barba Cristiano Ronaldo na melhor fase da carreira, o capitão Michael kaká Ennis em grande fase, Josh Morris, um misto de Gonzalo Higuaín com Karim Benzema, além de uma defesa fortíssima, uma das mais difíceis de ser furada, que traz jogadores como Frank Pritchard, o tanque abaixo. Vai encarar?

rugby league

Frank Pritchard, direto do Instagram dos Bulldogs.

Sendo praticamente um Barcelona x Real Madrid com os jogadores do Barça Storm muito acostumados a vencer por seus clubes e seleções, e o Real Bulldogs jogando em casa no ANZ Bernabéu Stadium após magnífica temporada e com Des Hasler no banco (o atual técnico campeão), não tenho dúvida de que será uma das finais mais disputadas dos últimos tempos, conquistada try a try, decidida por diferença mínima, talvez da não conversão de um chute pós-try.

Não arrisco palpite, mas torcerei para os Bulldogs. Logo: Melbourne é favorito.

O pontapé inicial acontece às 17h15, no ANZ Stadium, em Sydney.

Ainda está comigo? Então vamos lá!

Segunda-feira, como não é feriado em Victoria, você que vive nesse estado pode parar o texto por aqui. New South Wales, Canberra, South Australia, Queensland e Western Australia avancem mais uma casa.

Sim, meu amigo, na segunda, primeiro de outubro, NSW, SA e ACT celebram o Labour Day, enquanto que QLD e WA comeoram o Queen´s Birthday. Portanto, confira o guia da sua cidade e divirta-se.

E você, de Victoria que trorce para o Storm, caso eles vençam os Bulldogs no domingo, acabo de jogar-lhe uma praga para que trabalhes com uma grande ressaca na segunda-feira.

Bom feriado a todos!

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Finais da Rugby League – Para brasileiros

agência de intercâmbio na Austrália

Daqui até o final do ano, a Austrália será basicamente: temperatura em franca elevação + finais da NRL e AFL em setembro; feriadão prolongado em outubro junto com as Grand Finals; Melbourne Cup em novembro; e cricket em tempo integral na TV dividindo espaço com Papai Noel, queima de fogos na Harbour Bridge e tubarão em dezembro.

Dito isso, após 26 rodadas iniciadas em março, hoje finalmente entraremos nas finais da Rugby League. E neste ano, com a adoção do modelo da AFL, que é ainda mais justo com as equipes que fizeram melhor campanha ao longo da temporada. Porém, não tão simples para os olhos brasileiros compreenderem.

Rugby League Australia

Pensando nisso, segue abaixo de maneira bem didática uma pequena explicação do que está por vir, além, é claro, dos palpites para a primeira rodada.

Basicamente, as finais estão divididas em quatro semanas.

Semana 1
Jogos qualificatórios:
Primeiro na classificação geral x Quarto
Segundo x Terceiro

Quem ganha avança direto para a Semana 3; quem perde vai para a repescagem na Semana 2.

Jogos eliminatórios:
Quinto x Oitavo
Sexto x Sétimo

Quem ganha disputa a repescagem na Semana 2, quem perde dá adeus às finais.

Semana 2
J1
Perdedor de Primeiro x Quarto contra vencedor de Quinto x Oitavo
J2 Perdedor de Segundo x Terceiro contra vencedor de Sexto x Sétimo

Semana 3
Vencedor de Primeiro x Quarto contra vencedor de J2
Vencedor de Segundo x Terceiro contra vencedor de J1

Semana 4
Vencedor dos dois jogos acima fazem a Grand Final

Entenderam? Ótimo!

Então vamos aos jogos e palpites da Semana 1, que começa hoje:

The Rabbitohs

Sexta, 7 de setembro
(1) Bulldog  x Sea Eagles (4) ANZ Stadium - 19h45

Jogo duríssimo, Bulldog, com Barba em incrível fase, ganha apertado. Sea Eagles, atual campeão, não baixa a cabeça e ganha na repescagem, chegando na Semana 3.

Sábado, 8 de setembro
(2) Storm x Rabbitohs (3) AAMI Park – 17:45

Rabbitohs ganha. Não somente porque é o meu time e sou totalmente parcial, como também porque tem Greg Inglis em momento demolidor, Nathan Merritt voando e Adam Reynolds na ponta dos cascos. Claro, do outro lado tem Slater, Cameron e Cronk, o trio que está acostumado a ganhar tudo, mas a seca dos vendedores de coelho, que não chegam às finais desde 2007, vai falar mais alto. Em tempo: mesmo com a derrota, Melbourne Storm avança na repescagem para a semana 3.

(5) Cowboys x Broncos (8) Dairy Farmers Stadium – 19:45
Os Broncos têm alguns grandes nomes, mas estão cansados. Já os Cowboys, com o maestro/gênio Johnathan Thurston em forma e Ashley Graham e Matthew Bowen voando, devem atropelar o time de Brisbane, marcando o último jogo da carreira de Petero Civoniceva, o primo aussie nascido em Fiji do Mauro Silva, que se aposenta nesta temporada.

rugby austrália

Domingo, 9 de setembro
(6) Raiders x Sharks (7) Canberra Stadium – 16h

Difícil. Jarrod Croker, dos Raiders, é o cara pra ficar de olho, enquanto que o sempre conturbado Todd Carney tem a chance de, ao lado de Paul Gallen, colocar os tubarões na Semana 2 e recuperar um pouco da moral perdida nas últimas temporadas. Acho que o jogo vai para a prorrogação. Não sei quem ganha.

Let the finals begin!

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Rugby. Isso ainda vai ser grande no Brasil.

Depois de 5 anos na Austrália, não tem como não gostar de rugby.

Mais do que isso, sabendo que a Copa do Mundo da modalidade é a terceira maior audiência esportiva da televisão em todo o mundo, atrás somente das Olimpíadas e da Copa do Mundo de futebol, acredito que ainda vai acontecer no Brasil.

Obviamente, jamais chegará aos pés do futebol em termos de popularidade, investimento, MariasChuteiras, whatevis, mas quem sabe um dia se aproxime do vôlei, basquete ou mesmo do netball (turum-tchí - piada que só quem vive aqui entende).

O rugby jogado no Brasil e em toda a América do Sul é o Union, o mais tradicional. Mas pelo que acompanho por essas bandas, acredito que o League tem muito mais potencial para virar no país, já que é mais veloz, dinâmico, ríspido e muito fácil de ser compreendido.

Porém, se já está complicado para o Union se popularizar, para o League então, cuja barreira cultural com o Brasil é muito maior, uma vez que é jogado predominantemente na Austrália e na Nova Zelândia, vai ser ainda mais difícil.

Mas como sou South Sydney Rabbitohs e não desisto nunca, tenho certeza de que um dia não tão distante existirá uma robusta audiência cativa na televisão a cabo/por assinatura/internética (não sei mais como chama).

Resolvi escrever sobre o assunto porque o Aaron, um amigo inglês que vive no Rio me mandou o vídeo abaixo, que é sensacional.

Rugby. Isso ainda vai ser grande no Brasil é o nome da campanha desenvolvida pela Talent para a Topper. Na boa, este é o caminho!

E indo além, encontrei o vídeo mais abaixo no Youtube, que mostra bem o espírito do rugby.

Em tempo: ambos são Rugby Union.

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Torcedor (casaca) de bairro

Conforme escrevi anteriormente, sem ter o futebol em bases regulares e assistíveis por aqui, a solução para o brasileiro que vive na Austrália é se virar com os esportes locais.

Sendo assim, o primeiro passo é identificar as principais modalidades. Parece óbvio, mas não é, pois se no Brasil temos futebol e… os outros, aqui é diferente.

Críquete e rugby brigam pelo posto de esporte número um do país, sendo que o críquete é tradicionalmente um esporte de verão, enquanto que o rugby está subdividido em Rugby League e Rugby Union, esportes derivados mas diferentes e, principalmente, independentes. Ou seja, esqueça tentar dizer qual é o grande esporte nacional.

Até porquê, a modalidade de maior audiência, seja no estádio ou na TV, não é nenhum dos citados acima, mas um descendente do futebol irlandês (Gaelic football) chamado Australian Football League, que de rugby e futebol, como estamos acostumados, não tem quase nada e é o esporte-religião do estado de Victoria (o segundo mais populoso).

Em resumo: quem chega na Austrália achando que às quartas e domingos vai sentar no sofá ou ir ao estádio torcer para algum novo clube do coração, verá que a vida desportiva down under é um pouco mais complexa.

Eu tive a sorte de, logo no segundo mês por essas bandas, pegar a Copa do Mundo de Rugby Union, seguida por um verão com muita confusão entre Austrália x Índia no críquete (uma das maiores rivalidades desse esporte) e pela temporada em que o Rugby League celebrou 100 anos de existência. Ou seja, barba, cabelo e bigode logo de cara, o que me permitiu identificar as minhas preferências (críquete e Rugby League).

Com o críquete é mais fácil, pois o bacana é ver a seleção nacional, que faz turnê na Austrália durante todo o verão. Já com o Rugby League é o oposto, a seleção faz pouquíssimas aparições e o interessante é acompanhar os times na liga, que vai de março a outubro, de preferência torcendo para algum deles (e é aí que reside outro problema).

Todos nós sabemos que ninguém adquire um time do coração da noite para o dia. Exceto um inglês que no seu segundo dia no Rio de Janeiro cai no Maracanã em pleno Fla-Flu, no restante do planeta a coisa acontece aos poucos, leva tempo, e a palavra-chave é simpatizar, seja pelas cores de uma agremiação, pela localização, pelos torcedores ilustres etc.

Hoje à noite, pelo Rugby League, temos o grande embate entre Sydney Roosters e South Sydney Rabbitohs, uma das maiores rivalidades da cidade e os dois times pelos quais já simpatizei. Motivo? Localização!

Na Austrália, como nos mudamos de casa com certa frequência, minha regra é clara: torço para o mais próximo. Ainda mais com a ausência de um clube com as cores do São Paulo FC. Assim, optei pelo Rabbitohs quando cheguei em Coogee, passei para o Roosters nos tempos em que vivi em North Bondi e retornei ao Rabbitohs desde que voltei para Coogee.

Sei que parece estranho essa constante virada de casaca mas, sinceramente, sendo são-paulino e crescido no Brasil, não dá para amar ternamente um clube cujo uniforme é igual ao da Portuguesa de Desportos, como é o meu Rabbitohs, muito menos a versão Capitão América da seleção francesa, que é o caso do Roosters.

O jogo de logo mais (19h) fecha a 19a rodada (26 ao todo) do campeonato que promete ser o mais equilibrado dos últimos anos. Pelo menos cinco equipes chegarão muito fortes nos playoffs com chances de conquistarem o título, sem o favoritismo que Sea Eagles, Dragons e, principalmente, Storm, tiveram nas temporadas passadas. E o meu Rabbitohs, os caçadores de coelhos do Canindé preferidos do Russell Crowe, está entre eles.

Em tempo: reiterando que localização é o meu único critério.

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