Canguru de Estimação

Sete entre dez brasileiros que moram na Austrália ou já passaram por essas bandas possuem fotos como essa.

fauna australiana

Em geral, são tiradas em zoológicos ou em locais mais, digamos, selvagens, onde é possível a interação com o marsupial mais famoso do país.

Porém, ao observarmos atentamente a chapa, notamos ao fundo uma churrasqueira e, ao lado, uma aconchegante bolsa que, infelizmente, não é da mamãe-canguroa.

A foto abaixo diz tudo.

Sim, meus amigos, estamos diante do primeiro – que tenho notícia e imagino que vocês também – caso de canguru criado como animal de estimação. Mas antes que alguém ligue para o Ibama local ou chame a carrocinha, explico.

Bianca, a carioca da foto, vive em Sunshine Coast, Queensland, com o marido australiano e a filha. Num final de semana de julho de 2008, sua cunhada, veterinária e funcionária de um respeitado zoológico, apareceu na casa dos pais com Joey Kangaroo, o animal acima (o clarinho, não o escuro).

Em tempo: todo filhote de canguru, independentemente do sexo, idade, credo religioso, cor ou convicção política, é apelidado de Joey Kangaroo.

Digo isso porque ao chegar, ninguém ainda sabia o sexo do marsupial, apenas que estava debilitado e era…

Importante: mães, tirem as crianças da sala.

… órfão.

Três ENTER´s em memória da mamãe-canguroa.

ENTER
ENTER
ENTER

Sim, perdemos ela.

Muito comum no interior da Austrália, uma conhecida da cunhada veterinária atropelou um canguru. Infelizmente, ele virou estrela (quando um canguru morre, ele vira estrela na Austrália), porém, ao tentarem resgatá-lo, descobriram que ele, na verdade era ela e carregava um filhote na bolsa, que estava vivo.

A motorista não pensou duas vezes, colocou Joey Kangaroo no carro e levou para a amiga, que notificou o zoológico e obteve permissão para cuidá-lo.

(((((Trilha sonora: vejam as fotos abaixo em câmera lenta, ouvindo Time After Time da Cindy Lauper de fundo))))

Foi exatamente isso que ela fez, dosando cuidados médicos com afetivos, a cunhada veterinária reproduziu uma aconchegante bolsa de pele de carneiro e passou a criar Joey Kangaroo como se fosse um animal de estimação. Mais do que isso, por ser órfão, Joey a considerava sua mãe, o que lhe rendeu algumas sessões de zooterapia.

Conforme crescia e deixava de ser Joey Kangaroo, foi batizada de Matilda, o mais australiano dos nomes femininos, afinal, tratava-se de uma fêmea.

Depois de adulta, Matilda foi levada pela cunhada veterinária para uma fazenda e passou a viver solta nos arredores, sendo que todo dia visita a casa para encontrar a “mãe”. A cunhada veterinária, por sua vez, frequenta a fazenda com muita frequência não somente para andar a cavalo, hobby que pratica há anos, como também para ficar com Matilda.

Permissão para as crianças voltarem à sala.

Todos vivem felizes para sempre.

The end

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O grande ausente de 2011

Se alguém me perguntasse o que faltou em 2011, eu não pestanejaria para responder: potássio.

Talvez um pouco de sol, é verdade, mas potássio foi o grande ausente do ano.

E quem foi o responsável? A banana.

De fato, a falta dela.

Verão na Austrália é um problema. Sempre que dezembro se aproxima, além das pieguices de sempre (hoje acordei meio Grinch), a certeza é uma só: vai dar merda!

Em 2008, por exemplo, foram os tubarões atacando por toda a costa para compensar o desequilíbrio na cadeia alimentar. Em 2009, os incêndios nas florestas de Victoria que culminaram no sábado negro. Em 2010, uma certa trégua. Já em 2011, as inundações de Queensland, nosso estado tropical, e o ciclone Yone de categoria 5 em North Queensland, o norte do nosso estado tropical. Resultado: águas de mais no estado tropical e bananas de menos.

Gustavo Kuerten

Conforme escrevi num post anterior, com o preço do quilo beirando 20 dólares, 2011 foi o ano da cãibra na Austrália. Não fosse uma ida estratégica ao Brasil no meio do ano, quando só não comi mais bananas do que o Gustavo Kuerten em Roland Garros, estaria eu reclamando de dores até agora.

Pergunto: na classificação científica, alguém sabe qual é o gênero da banana?

Musa!

Não preciso dizer mais nada.

Mais! Entre seus macrocomponentes e minerais, estão: Água, Energia, Proteína, Lipídeos, Carboidratos e Fibra dietética; Cinzas, Cálcio, Ferro e Magnésio; Fósforo e Potássio. No banco: Sódio, Zinco, Cobre, Manganês e Selênio. Meus amigos, com um elenco desses, é 4 a 0 no Corinthians e 3 a 1 no Vasco.

Mas vamos deixar a tristeza de lado e celebrar, pois é com extrema alegria que, conforme antecipado no referido post anterior, trago a boa nova:

Banana Queensland

Sim, felizes mortais dos trópicos tupiniquins em Terra Australis, não tem Photoshop e não é pegadinha do Malandro. A chapa foi tirada ontem à noite, no Coles, em plena “Christmas Magic” (não falei que dezembro é de uma pieguice tremenda?).

Agora é recuperar o potássio perdido enquanto aguardemos o que o verão nos reserva. Neve em Sydney é uma certeza. Torcemos para que não passe disso.

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Rainha Elizabeth II na Austrália e o Abacaxi

 

Amanhã à tarde, a avó do Harry desembarca em Canberra, capital da Austrália.

É verdade, e ela vem acompanhada de um dos maiores papagaios de pirata dos séculos XX-XXI, o Duque de Edimburgo, também conhecido como Príncipe Philip.

Vossa Majestade, a Rainha Elizabeth II, a primeira monarca britânica a visitar a colônia australiana em pleno exercício do poder, chega nesta quarta-feira para a sua décima sexta visita oficial ao país.

A primeira ocorreu em 1954, quando a recém-coroada rainha tinha apenas 26 anos e percorreu, entre os dias 3 de fevereiro e 1 de abril, 10 mil milhas aéreas (cerca de 33 vôos), 2 mil milhas terrestres (130 horas de carro em 127 viagens), passando por todas as capitais (exceto Darwin) e 70 cidades do interior. No total, cerca de 6 milhões dos 8 milhões de habitantes a viram pelo menos uma vez.

Agora, ela ficará somente onze dias, passando por Canberra entre 19 a 23 de outubro, Brisbane no dia 14, Canberra em 25 e Perth entre 26 e 29 de outubro, quando deixa a ex-colônia penal.

Na parte da manhã do último dia, sábado, para fechar com chave de ouro a turnê, o casal real participará de um evento que é a cara da Austrália: churrasco comunitário, ou The Big Aussie BBQ, como está na agenda oficial. Imagino os calafrios do Príncipe Philip.

Mais do que isso, fico imaginando o pânico dele só de pensar na visita à Brisbane, capital do estado de Queennsland, na segunda-feira.

No ano fiscal de 2009-10, 44 mil toneladas de abacaxis frescos produzidos na Austrália foram colocados no mercado, juntamente com 41 mil toneladas de abacaxis processados. A grande maioria saiu das plantações de Queensland, incluindo o distrito de Nambour, onde a alguns poucos quilômetros, em Woombye, está a mundialmente famosa Big Pineapple, estátua em forma de um abacaxi gigante de 16 metros inaugurada em 15 de agosto de 1971.

Não há dúvida de que trata-de de um marco da engenharia civil e agrícola deste povo que possui um orgulho ímpar por esta planta monocotiledônea da família das bromeliáceas originária do Brasil.

Poucos sabem, mas em 1947, quando a então futura rainha casou-se com o Duque de Edimburgo, os pombos reais foram agraciados com mais de 2.500 presentes enviados de todos os cantos do mundo.

Do governo de Queensland, como não poderia ser diferente, receberam 500 caixas de abacaxis em conserva. Isso mesmo, qui-nhen-tas caixas. Por que vocês acham que este ano William e Kate optaram por doações em vez de mimos?

A passagem da semana que vem por Queensland será a mais breve possível, com foco total nas inundações ocorridas no início do ano. Abacaxi, nem pensar. Isso eles deixarão para os defensores da monarquia por aqui, que terão de lidar com o crescente fervor dos republicanos.

Sim, porque é bem provável que esta seja a última visita da rainha Elizabeth II por estas bandas. Aos 85 anos, a Rainha da Austrália, como é oficialmente chamada no país (e não Rainha do Reino Unido), é o principal elo que faz a Austrália ainda se manter como uma monarquia constitucional e não uma república.

Elizabeth the Second, by the Grace of God Queen of Australia and Her other Realms and Territories, Head of the Commonwealth, formalmente, ainda é a chefe de estado da Austrália. Mas, de verdade, ela não apita mais nada. No máximo, nomeia o governador-geral para representá-la.

Desde 5 de setembro de 2008, quem ocupa esse cargo é a ex-governadora de Queensland, Quentin Bryce, a primeira governadora-geral mulher do país. Entre suas funções, está de legitimar a escolha do primeiro-ministro (no caso atual, da primeira-ministra).

Os poderes jurídicos que a Grã-Bretanha detinha sobre a Austrália foram retirados pela própria rainha Elizabeth II, em março de 1986, quando ela assinou um ato derradeiro.

Treze anos depois, em 1999, foi realizado referendo popular que propunha transformar a Austrália em república. Mas com 55% a 45% dos votos, o “Não” venceu e a Austrália continuou como monarquia.

Por tudo isso, vale a pena ficar de olho na movimentação em torno da visita da avó do Harry, pois esse abacaxi, mais cedo ou mais tarde, precisará ser descascado pelos australianos. E, de preferência, bem longe do alegórico Príncipe Philip, que apesar da fama de não fazer absolutamente nada e só proporcionar situações constrangedoras, na longínqua ilha de Vanuatu, no Pacífico Sul, ele é tido com um deus pelos silvícolas da tribo Yaohnanen, fundadores da seita religiosa Prince Philip Movement.

God Philip save the Queen!

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Yes, teremos banana a $3 na Austrália

 

A australiana Kelly Guedes, mulher do amigo Felipe Guedes, escreveu em seu Facebook: You know bananas are expensive when you see a sign on a cafe window saying: “No bananas kept on premises overnight”. Oh, how I miss bananas.

Sim, desde fevereiro banana vale ouro na Austrália. E como ninguém come ouro, o mesmo serve para bananas.

Se eu não tivesse ido para o Brasil em julho, certamente estaria completando 8 meses de abstinência. E, coincidência ou não, eu, que desde 1998 corro regularmente de 3 a 5 vezes por semana e nunca tive problema, nos últimos meses venho sofrendo com doses frequentes de cãibras.

Idade? Talvez! Mas depois de me dar conta que aquela bomba de potássio amarelada da família Musaceae saiu abruptamente do meu cardápio, passei a tomar vitaminas de A a Z, diariamente, para tentar repor. Resultado: não tive mais.

O gênio Gustavo Kuerten sapecando sua dose de potássio, sais, fósforo, ferro, sódio, cálcio e vitaminas A, B1 (tiamina), B2 (riboflavina), B5 (niacina) e C (ácido ascórbico)

O infortúnio começou exatamente em  3 de fevereiro, quando o ciclone Yone, de categoria 5, devastou a costa sul de Cairns, em Queensland, com ventos de mais de 250km/h, atingindo 3/4 da produção de bananas da Austrália. Com isso, o quilo, que antes custava entre 2 a 3 doletas, explodiu para 15, 17, às vezes 19 dólares, levando junto a minha perna.

Ontem, porém, a primeira-ministra de Queensland, Anna Bligh, trouxe as boas novas dizendo que a indústria de $450 milhões se recuperou e em novembro poderemos esperar preços quase normalizados em torno de 3 a 4 dólares para o consumidor final. Viva! Por ora, ainda está na faixa de 10 doletas o quilo.

Com vocês, Tatiana Parra!

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