Mais vozes ecoando pelo Roberto Laudísio

No início da tarde de hoje, Ray Jackson, presidente da The Indigenous Social Justice Association (ISJA), ao lado de Raul Bassi, parceiro na luta contra as mortes sob custódia (Deaths in Custody), entregaram a carta abaixo para o Cônsul-Geral do Brasil em Sydney, Américo Fontenelle, na sede do Consulado.

Na sequência, juntamente com líderes de outras associações (e de uma representante do parlamentar estadual David Shoebridge), discursaram condenando a polícia de NSW, o uso do Taser e relembrando o histórico de mortes causadas por policiais desde os anos 1980 (a grande maioria, aborígenes), além de transmitirem solidariedade à família do Roberto Lausídio e aos brasileiros.

A principal preocupação deles – e de todos que acompanham o caso – é o fato da investigação ser conduzida pelos próprios policiais, ou seja, é polícia investigando polícia, o que nos traz à mente o indigesto meia mussarela meio catupiry que tanto estamos acostumados.

Neste caso específico do Roberto, como não se trata de uma morte natural, entra em campo um elemento originário do sistema judicial britânico chamado Coroner Court, ou Tribunal de Mortes, como é usualmente traduzido.

Ligado ao Estado de NSW e independente da polícia, o coroner tem algumas funções durante o andamento do processo e, principalmente, ao término das investigações, quando recebe o parecer final da polícia e, se achar necessário, inicia o seu próprio inquérito.

Nessa pós-investigação, o coroner pode pedir uma nova autópsia do corpo, laudos de especialistas, intimar amigos, familiares e outras potenciais testemunhas a deporem, enfim, tem todas as conições e o dever legais de se aprofundar no caso.

Porém, não tem o poder de alterar o resultado da investigação policial, apenas de fazer recomendações que poderão ser aceitas ou não na sequência do processo.

Para tentar entender como a coisa funciona, ontem eu e o amigo Paulo Weinberger, figura bastante conhecida por aqui, fomos ao Parlamento Estadual conversar com o membro do Partido Verde, David Shoebridge, citado em um dos posts anteriores (sim, o Paulo é o “amigo não-identificado” em comum).

Novamente, Shoebridge reiterou que esta primeira investigação policial deve demorar meses e o mesmo deve ocorrer com a do coroner, o que provavelmente resultará em mais de um ano no mínimo.

Prazos nada animadores, a gente sabe, mas é a maneira como as instituições funcionam por aqui e temos de respeitar.

Contudo, não podemos esquecer.

Digo isso porquê, para os dois principais partidos políticos da Austrália, Labour e Liberal, quanto mais rápido o caso cair no esquecimento público, melhor. E o mesmo aplica-se para a polícia, para a fabricante do Taser, para alguns dos principais veículos de comunicação, enfim…

Perguntamos para o parlamentar sobre a posição de seus pares de Green Party em relação ao caso ou se o interesse é somente dele, e Shoebridge foi enfático ao afirmar que o partido inteiro está acompanhando de perto e uma total reavaliação do uso do Taser deverá ser uma das bandeiras dos Greens.

Sobre o que nós, comunidade brasileira na Austrália e também no Brasil podemos fazer efetivamente, ele se colocou à disposição para levar uma petição à Upper House do Parlamento em nosso nome.

Para isso, será necessária a participação comunitária em peso, a começar pelas entidades representativas como o Bracca, ABCD e Sydney Brazilian Social Club (Canarinhos), pois além da assinatura de seus presidentes, também será preciso mínimo de 200 assinaturas (reais, virtuais não contam) de brasileiros e pessoas de outras nacionalidades que moram em NSW.

Levando isso adiante, é uma ótima maneira de mostrarmos que estamos acompanhando o caso, aguardando respostas e cobrando justiça, como bem demonstraram os líderes da Indigenous Social Justice Association e demais associações essa tarde nenhuma brasileira.

Discurso de ativista da Green Left.

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Entrevista SBS

Para quem não ouviu a entrevista desta quinta, para a Beatriz Wagner na Rádio SBS, eis o link para o programa.

Para ser mais preciso, está à direita da página, em “Transmissão Anterior” – Thursday, 23 February (11:00 – 12:00 pm), começando por volta do minuto 25 e indo até quase 50.

Entrevista sobre eventos brasileiros na Austrália

Entre os assuntos, Canarinhos 40 anos, New South Wales Wine Festival, Brazilian Festa no Starlight Cinema e Ritmo Festival 2012.

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Festivais de Verão e Byron Bay Bluesfest

Para terem uma ideia, em Sydney e arredores, hoje tem show do Misfits, amanhã do Eminem, depois de amanhã do Elton John, na terça do Mudhoney, quinta do Foo Fighters e sexta da Sade.

E olha que o verão mal começou.

De hoje até a Páscoa, a quantidade de bandas e festivais por essas bandas é gigantesca, com opções para todos os gostos.

No reveillon, por exemplo, tem Pet Shop BoysJamiroquaiCulture Club na mesma festa.

No primeiro sábado de 2012, 7 de janeiro, começa o Sydney Festival, que em sua noite de abertura, quando tudo é grátis, traz The Jolly Boys, lendas jamaicanas ao vivo na Elizabeth Street, além de várias outras atrações.

Na semana seguinte, no mesmo festival, Mike Patton, do Faith No More, apresenta seu projeto Mondo Cane no Domain, cantando em italiano.

Outro festival tradicional de janeiro é o Big Day Out, que reunirá nomes como o mala do Oasis Noel GallagherSoundgarden e o tal do Kanye West, que também farão apresentações solo.

Ainda em janeiro, Max e Igor (ex-Sepultura) trazem o Cavalera Conspiracy pela primeira vez para a Austrália.

Mais nomes? O Soundwave, em fevereiro, vem com Slipknot, que fez um dos melhores shows do último Rock in Rio, Limp Bizkit, Marlyn Manson, Bush, Machine Head, Lamb of God, Bad Religion, The Sisters of Mercy e Zack Wylde, entre outros.

Em março, Lenny Kravitz é a estrela da Fórmula 1 ao lado de The CranberriesWolfmother e, claro, Rubinho.

Mas nada que se compare ao que, na minha opinião, é o grande festival da Austrália.

Sim, meus amigos, estou falando do Byron Bay Bluesfest, que após trazer Bob Dylan, B.B. King e Elvis Costello na edição de 2011, no ano que vem mantém o nível com Roger Daltrey tocando o musical Tommy na íntegra + clássicos do The Who, Crosby Stills & Nash, Yes, G3: Joe Satriani, Steve Vai & Steve Lukather, Buddy Guy, Earth Wind & Fire e mais nomes a serem anunciados.

Isso mesmo, o pior é que mais nomes estão por vir.

Mais uma vez, bom verão a todos!

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