Todo ano, o Sydney Morning Herald, jornal que às terças-feiras publica o o Good Living, o melhor caderno de gastronomia da Austrália, lança o Good Food Guide, seu guia com os melhores restaurantes de Sydney/New South Wales.

Não sou muito fã desses guias, pois há sempre muita politicagem e interesses por trás, mas eles não deixam de ter seu valor, pois de certa maneira registram a cozinha de seu tempo, através de chefs, restaurantes e estilos; e também porque ajudam a colocar certas cozinhas no mapa, como é o caso da brasileira, por exemplo, desde que o restaurante DOM, do Alex Atala, passou a figurar na St. Pellegrino World’s 50 Best Restaurants.
Nesta semana, o Sydney Morning Herald lançou o seu Guia, que concede de um a três chapéus em duas categorias de restaurantes: City e Regional. Entre os regionais, nenhum conseguiu a distinção máxima e apenas três obtiveram dois chapéus.
Entre os da City, a disputa é bem mais intensa. Cinco restaurantes aparecem com três chapéus: Sepia, que recebeu o terceiro este ano e de quebra foi eleito o restaurante do ano, Bilson’s, que recuperou um chapéu, Est., Marque e Quay, estes três que também estão na prestigiosa lista da S. Pellegrino World’s 50 Best Restaurants. Em tempo, Peter Gilmore, do Quay, foi eleito chef do ano.
Outros dezenove restaurantes receberam dois chapéus, incluindo o icônico Tetsuya’s, que durante 1992 a 2009 permaneceu com três chapéus, mas perdeu um no ano passado e por ora não o recuperou (atualmente é o 58 da S. Pellegrino, onde vem caindo).

Assado de verdade no Porteno, em Surry Hills, Sydney.
Além dele, destaques para o Icebergs, em Bondi Beach, por onde já passaram muitos brasileiros (é um dos favoritos da Nicole Kidman), Rockpool e Rockpool Bar & Grill, do lendário Neil Perry, e também Becasse e Porteno.
Este último, como o próprio nome diz, é argentino, especializado em assado portenho e foi eleito melhor restaurante novo, recebendo de cara dois chapéus (foto acima). Dizem que a carta de vinhos, repleta de argentinos, é u-n-e-p-e-t-á-c-u-l-o!
Falando em vinho argentino, o bom do Porteno é o fato deles importarem grande parte das botejas, uma vez que por aqui a oferta de argentinos é baixa. É possível encontrar em alguns bottle shops, em geral com ótimos preços, mas pouca variedade.

No Guia de Vinho do blog deste ano, incluí o argentino Zuccardi Série A Bonarda Mendonza 2008 ($15), que entrou na subcategoria “Para ler e ouvir” (clique na imagem acima). Sabendo que 97% dos brasileiros que vivem na Austrália não conhecem a uva Bonarda e que a temperatura por aqui está subindo, pero no mucho, faço a seguinte recomendação:
1. Passe na Dan Murphys, um dos poucos bottle shops onde este vinho é vendido.
2. Num final de semana de sol (como hoje), coloque-o na geladeira por aproximadamente 8 minutos e 47 segundos.
3. Tire a cadeira de praia do armário, pegue uma toalha, canga, enfim, algo para assentar a bunda.
4. Pegue também sua melhor taça de vinho, um saca-rolha, livro, revista, walk-man (ops, iPhone) etc.
5. Desça para o gramado próximo a uma praia ou baía mais perto da sua casa.
6. Abra a boteja, coloque não mais do que um terço na taça, olhe para o céu azul, agradeça por morar na Austrália e aproveite a sua tarde.
Importante: consumir bebida alcoólica na rua é ilegal, porém há uma tolerância se o fizer civilizadamente, sem alarde ou torrar a paciência alheia.

Para mais dicas de vinho, clique no banner acima.
****Patrocinadores do Guia****

