Amanhã à tarde, a avó do Harry desembarca em Canberra, capital da Austrália.
É verdade, e ela vem acompanhada de um dos maiores papagaios de pirata dos séculos XX-XXI, o Duque de Edimburgo, também conhecido como Príncipe Philip.
Vossa Majestade, a Rainha Elizabeth II, a primeira monarca britânica a visitar a colônia australiana em pleno exercício do poder, chega nesta quarta-feira para a sua décima sexta visita oficial ao país.

A primeira ocorreu em 1954, quando a recém-coroada rainha tinha apenas 26 anos e percorreu, entre os dias 3 de fevereiro e 1 de abril, 10 mil milhas aéreas (cerca de 33 vôos), 2 mil milhas terrestres (130 horas de carro em 127 viagens), passando por todas as capitais (exceto Darwin) e 70 cidades do interior. No total, cerca de 6 milhões dos 8 milhões de habitantes a viram pelo menos uma vez.
Agora, ela ficará somente onze dias, passando por Canberra entre 19 a 23 de outubro, Brisbane no dia 14, Canberra em 25 e Perth entre 26 e 29 de outubro, quando deixa a ex-colônia penal.
Na parte da manhã do último dia, sábado, para fechar com chave de ouro a turnê, o casal real participará de um evento que é a cara da Austrália: churrasco comunitário, ou The Big Aussie BBQ, como está na agenda oficial. Imagino os calafrios do Príncipe Philip.
Mais do que isso, fico imaginando o pânico dele só de pensar na visita à Brisbane, capital do estado de Queennsland, na segunda-feira.
No ano fiscal de 2009-10, 44 mil toneladas de abacaxis frescos produzidos na Austrália foram colocados no mercado, juntamente com 41 mil toneladas de abacaxis processados. A grande maioria saiu das plantações de Queensland, incluindo o distrito de Nambour, onde a alguns poucos quilômetros, em Woombye, está a mundialmente famosa Big Pineapple, estátua em forma de um abacaxi gigante de 16 metros inaugurada em 15 de agosto de 1971.

Não há dúvida de que trata-de de um marco da engenharia civil e agrícola deste povo que possui um orgulho ímpar por esta planta monocotiledônea da família das bromeliáceas originária do Brasil.
Poucos sabem, mas em 1947, quando a então futura rainha casou-se com o Duque de Edimburgo, os pombos reais foram agraciados com mais de 2.500 presentes enviados de todos os cantos do mundo.
Do governo de Queensland, como não poderia ser diferente, receberam 500 caixas de abacaxis em conserva. Isso mesmo, qui-nhen-tas caixas. Por que vocês acham que este ano William e Kate optaram por doações em vez de mimos?
A passagem da semana que vem por Queensland será a mais breve possível, com foco total nas inundações ocorridas no início do ano. Abacaxi, nem pensar. Isso eles deixarão para os defensores da monarquia por aqui, que terão de lidar com o crescente fervor dos republicanos.
Sim, porque é bem provável que esta seja a última visita da rainha Elizabeth II por estas bandas. Aos 85 anos, a Rainha da Austrália, como é oficialmente chamada no país (e não Rainha do Reino Unido), é o principal elo que faz a Austrália ainda se manter como uma monarquia constitucional e não uma república.
Elizabeth the Second, by the Grace of God Queen of Australia and Her other Realms and Territories, Head of the Commonwealth, formalmente, ainda é a chefe de estado da Austrália. Mas, de verdade, ela não apita mais nada. No máximo, nomeia o governador-geral para representá-la.
Desde 5 de setembro de 2008, quem ocupa esse cargo é a ex-governadora de Queensland, Quentin Bryce, a primeira governadora-geral mulher do país. Entre suas funções, está de legitimar a escolha do primeiro-ministro (no caso atual, da primeira-ministra).
Os poderes jurídicos que a Grã-Bretanha detinha sobre a Austrália foram retirados pela própria rainha Elizabeth II, em março de 1986, quando ela assinou um ato derradeiro.
Treze anos depois, em 1999, foi realizado referendo popular que propunha transformar a Austrália em república. Mas com 55% a 45% dos votos, o “Não” venceu e a Austrália continuou como monarquia.
Por tudo isso, vale a pena ficar de olho na movimentação em torno da visita da avó do Harry, pois esse abacaxi, mais cedo ou mais tarde, precisará ser descascado pelos australianos. E, de preferência, bem longe do alegórico Príncipe Philip, que apesar da fama de não fazer absolutamente nada e só proporcionar situações constrangedoras, na longínqua ilha de Vanuatu, no Pacífico Sul, ele é tido com um deus pelos silvícolas da tribo Yaohnanen, fundadores da seita religiosa Prince Philip Movement.

God Philip save the Queen!