71 a 31 para Julia Gillard

Conforme esperado no país onde nada acontece, nada aconteceu. Bem, quase nada.

Ontem pela manhã, nos 40 anos dos Canários, Les Murray e Craig Foster, após a pelada, precisavam correr para o aeroporto. Destino? Canberra. O que iriam fazer? Jogar futebol contra parlamentares, muitos deles do Labour Party, aqueles mesmos que a poucos minutos decidiam o futuro da nação entre Julia Gillard e Kevin Rudd.

Ou seja, no país do críquete e do rugby, às vésperas da votação que poderia resultar na queda da primeira-ministra e ascenção do antecessor, alguns dos parlamentares votantes batiam uma nada australiana bolinha. Fantástico!

Foto de Ronaldo da Silva Lima

O resultado, a princípio 73 a 29 para Julia Gillard, ficou em 71 a 31 após a recontagem. Membro da Gaviões da Fiel foi visto nas imediações, mas os líderes do Labour Party tomaram o cuidado de fazer back up dos envelopes com os votos para evitar o problema do Carnaval de São Paulo.

Desafio concluído, Gillard continua no comando da nação, porém, mais enfraquecida do que nunca no parlamento, pois o desgaste do partido foi gigante. Já Kevin Rudd deve voltar para Brisbane e iniciar reflexões sobre de onde viemos, para onde vamos e qual o sentido da vida, uma vez que politicamente foi uma derrota nababesca.

política australiana

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Cavalera Conspiracy na Austrália e a Conspiração do Roncador

Entre 2001 e 2003, minha mãe morou no sudeste do Mato Grosso, nas cidades de Água Boa, Serra Dourada e dentro da aldeia indígena xavante Pimental Barbosa, conforme relato no meu livro, Meu Avô A´uwê.

Pimentel Barbosa é a mesma reserva que o Sepultura esteve quando trabalhava no álbum Roots, o meu preferido da banda, lançado em 1996.

Infelizmente, aquele foi o último do quarteto com a formação clássica, que tinha os irmãos Max e Igor Cavalera, Andreas Kisser e Paulo Jr.

A principal atração dessa região central do Brasil é a imponente e misteriosa Serra do Roncador. Imponente porque se espalha e pode ser vista em boa parte do território, e misteriosa porque não são poucas as histórias, lendas, crenças e relatos de acontecimentos, digamos, um pouco além da nossa compreensão branca-ocidental.

Aldeia Pimentel Barbosa com Serra do Roncador ao fundo

Uma das crenças, aceita tanto pelos índios quanto pelos esotéricos que frequentam os arredores, é a de que no Roncador as máscaras caem, trazendo à tona a verdadeira face, seja para o lado bom ou ruim.

E de acordo com o que ouvi por lá, não foi coincidência que após a passagem da banda pela região, muita coisa negativa apareceu resultando em diversos problemas entre os músicos, a empresária, familiares mais próximos etc.

Max deixou a banda e, nos dez anos seguintes, mal falou com seu irmão, Igor. O Sepultura continuou com o vocalista norte-americano Derek Green no lugar de Max, que seguiu carreira com a banda Soulfly.

Cavalera Conspiracy na Austrália

Em 2006, Igor também deixou o Sepultura, e os dois começaram a se reaproximar. Em 2007, voltaram a tocar juntos formando a banda Cavalera Conspiracy, que lançou o primeiro álbum, Inflikted, em 2008. O segundo, Blunt Force Trauma, veio em 2011, sendo ambos aclamados pelo público e pela crítica especializada.

E semana que vem, pela primeira vez, a Cavalera Conspiracy desembarca na Austrália. Eles vêm como atração do Big Day Out, mas também farão apresentações próprias, como podem ver abaixo:

24/Jan – Panthers - NewcastleInfo e Tickets
27/Jan – Anu Refectory - Canberra - Info e Tickets
28/Jan - Metro - SydneyInfo e Tickets
01/Fev - Billboard The Venue - MelbourneInfo e Tickets
06/Fev - Hi Fi Bar 18 - BrisbaneInfo e Tickets

Metal brasileiro em estado bruto e conspiratório!

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Rainha Elizabeth II na Austrália e o Abacaxi

 

Amanhã à tarde, a avó do Harry desembarca em Canberra, capital da Austrália.

É verdade, e ela vem acompanhada de um dos maiores papagaios de pirata dos séculos XX-XXI, o Duque de Edimburgo, também conhecido como Príncipe Philip.

Vossa Majestade, a Rainha Elizabeth II, a primeira monarca britânica a visitar a colônia australiana em pleno exercício do poder, chega nesta quarta-feira para a sua décima sexta visita oficial ao país.

A primeira ocorreu em 1954, quando a recém-coroada rainha tinha apenas 26 anos e percorreu, entre os dias 3 de fevereiro e 1 de abril, 10 mil milhas aéreas (cerca de 33 vôos), 2 mil milhas terrestres (130 horas de carro em 127 viagens), passando por todas as capitais (exceto Darwin) e 70 cidades do interior. No total, cerca de 6 milhões dos 8 milhões de habitantes a viram pelo menos uma vez.

Agora, ela ficará somente onze dias, passando por Canberra entre 19 a 23 de outubro, Brisbane no dia 14, Canberra em 25 e Perth entre 26 e 29 de outubro, quando deixa a ex-colônia penal.

Na parte da manhã do último dia, sábado, para fechar com chave de ouro a turnê, o casal real participará de um evento que é a cara da Austrália: churrasco comunitário, ou The Big Aussie BBQ, como está na agenda oficial. Imagino os calafrios do Príncipe Philip.

Mais do que isso, fico imaginando o pânico dele só de pensar na visita à Brisbane, capital do estado de Queennsland, na segunda-feira.

No ano fiscal de 2009-10, 44 mil toneladas de abacaxis frescos produzidos na Austrália foram colocados no mercado, juntamente com 41 mil toneladas de abacaxis processados. A grande maioria saiu das plantações de Queensland, incluindo o distrito de Nambour, onde a alguns poucos quilômetros, em Woombye, está a mundialmente famosa Big Pineapple, estátua em forma de um abacaxi gigante de 16 metros inaugurada em 15 de agosto de 1971.

Não há dúvida de que trata-de de um marco da engenharia civil e agrícola deste povo que possui um orgulho ímpar por esta planta monocotiledônea da família das bromeliáceas originária do Brasil.

Poucos sabem, mas em 1947, quando a então futura rainha casou-se com o Duque de Edimburgo, os pombos reais foram agraciados com mais de 2.500 presentes enviados de todos os cantos do mundo.

Do governo de Queensland, como não poderia ser diferente, receberam 500 caixas de abacaxis em conserva. Isso mesmo, qui-nhen-tas caixas. Por que vocês acham que este ano William e Kate optaram por doações em vez de mimos?

A passagem da semana que vem por Queensland será a mais breve possível, com foco total nas inundações ocorridas no início do ano. Abacaxi, nem pensar. Isso eles deixarão para os defensores da monarquia por aqui, que terão de lidar com o crescente fervor dos republicanos.

Sim, porque é bem provável que esta seja a última visita da rainha Elizabeth II por estas bandas. Aos 85 anos, a Rainha da Austrália, como é oficialmente chamada no país (e não Rainha do Reino Unido), é o principal elo que faz a Austrália ainda se manter como uma monarquia constitucional e não uma república.

Elizabeth the Second, by the Grace of God Queen of Australia and Her other Realms and Territories, Head of the Commonwealth, formalmente, ainda é a chefe de estado da Austrália. Mas, de verdade, ela não apita mais nada. No máximo, nomeia o governador-geral para representá-la.

Desde 5 de setembro de 2008, quem ocupa esse cargo é a ex-governadora de Queensland, Quentin Bryce, a primeira governadora-geral mulher do país. Entre suas funções, está de legitimar a escolha do primeiro-ministro (no caso atual, da primeira-ministra).

Os poderes jurídicos que a Grã-Bretanha detinha sobre a Austrália foram retirados pela própria rainha Elizabeth II, em março de 1986, quando ela assinou um ato derradeiro.

Treze anos depois, em 1999, foi realizado referendo popular que propunha transformar a Austrália em república. Mas com 55% a 45% dos votos, o “Não” venceu e a Austrália continuou como monarquia.

Por tudo isso, vale a pena ficar de olho na movimentação em torno da visita da avó do Harry, pois esse abacaxi, mais cedo ou mais tarde, precisará ser descascado pelos australianos. E, de preferência, bem longe do alegórico Príncipe Philip, que apesar da fama de não fazer absolutamente nada e só proporcionar situações constrangedoras, na longínqua ilha de Vanuatu, no Pacífico Sul, ele é tido com um deus pelos silvícolas da tribo Yaohnanen, fundadores da seita religiosa Prince Philip Movement.

God Philip save the Queen!

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Carbon Tax aprovado na Austrália

 

Manhã histórica na capital da Austrália, Canberra.

Agora a pouco, mais precisamente às 9h37 (horário de Sydney, Melbourne…), o governo conseguiu passar no parlamento o Clean Energy Future, pacote com 18 medidas incluindo o polêmico e absolutamente necessário carbon tax.

Sim, meus amigos, foi apertado, mas para um governo de minoria na House of Representatives, como é este da primeira-ministra Julia Gillard, o resultado de 74 a 72 votos pode ser considerado goleada.

A Austrália é um país movido à carvão. Não só por gerar 80% da eletricidade do país, como também pelo dinheiro proveniente de sua venda, já que é o líder de exportação.

Porém, se no curtíssimo prazo é uma beleza para a economia, a médio e longo é o maior vilão do meio ambiente.

Só para citar um exemplo, graças aos níveis recordes de carbono na atmosfera (combustíveis fósseis estão entre os maiores contribuidores para isso), ano passado a temperatura da superfície do oceano próximo à Austrália esteve um grau acima do normal, a mais alta já registrada.

O que isso tem a ver? Segundo os cientistas, oceanos mais quentes aumentam o risco de vulcões entrarem em erupção de maneira mais rápida e mortal.

E, acreditem, aprovar o carbon tax foi um verdadeiro parto, tamanha demagogia e ignorância que o tema foi tratado pela posição e grande parte da imprensa australiana.

Eis alguns números que escrevi em um texto anterior:

- A Austrália produz mais poluição por pessoa do que qualquer outra nação desenvolvida do mundo, incluindo os Estados Unidos.

- A expectativa, se nada for feito, é que a emissão de carbono na Austrália cresça média de 2% ao ano até 2020.

- O governo australiano se comprometeu a cortar, até 2020, pelo menos 5% do carbono que emitia em 2000, o que significa pelo menos 23% do que emite hoje.

- Traduzindo: nos próximos 10 anos, a Austrália deixaria de mandar para a atmosfera 160 milhões de toneladas de poluentes por ano, o equivalente a tirar 45 milhões de carros de circulação. Sentiram o alívio?

- Para 2050, a meta é cortar 80% do que emitia em 2000.

Para ler o texto na íntegra , clique aqui.

Apesar de todos os defeitos da nossa primeira-ministra e da maneira como ela assumiu o poder na Austrália, tiro, com muita alegria, o chapeu pra ela, já que Julia Gillard precisou brigar contra tudo e contra todos para passar o tax carbon.

Congrats Gillard!

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Brasil no Pura Vida Festival

 

Começou no último dia 17 de setembro, em Brisbane, o Pura Vida, festival de música latino-americana que também acontece em Melbourne, Sydney e Canberra.

A programação traz bandas e cantores de países como Argentina, Uruguai, Vezenuela, Colômbia, Cuba e, claro, Brasil. Entre os brasileiros…

Começando pela cantora carioca de nascimento e mineira de coração Aline Calixto, vencedora do prêmio Álbum do Ano de 2008 concedido pela APCA para o seu trabalho homônimo de estreia.

Clique na foto para assistir a um vídeo

Datas
Hoje, 21/9, no QPAC, Brisbane
Quinta, 22/9, no The Basement, Sydney
Sexta, 23/9, no Garema Place, Canberra
Sábado, 24/9, no Melbourne Recital Centre, Melbourne, com a cantora Alda Rezende

Nascida em Minas e atualmente morando na Nova Zelândia, Alda Rezende vem acompanhada, entre outros, do pianista Marcello Maio (Samba Mundi, Abuka e Faiscada) e do percussionista Esdra “Neném” Ferreira, legendário músico que já tocou com nomes como Maria Rita e Milton Nascimento.

Datas
Quinta, 22/9, no The Playhouse Theatre, Canberra
Sexta, 23/9, na QPAC, Brisbane
Sábado, 24/9, no Melbourne Recital Centre, Melbourne
Domingo, 25/9, no The Basement, Sydney

Clique na foto para assistir a um vídeo

Também das Minas Gerais, mais precisamente da favela de Alto Vera Cruz, em Belo Horizonte, vem o rapper Renegado, que leva o seu hip-hop para o reggae, maracatu, música cubana e samba com extrema competência.

Auto-didata e com forte engajamento social, Renegado faz o que o Jornal do Brasil descreveu como hip-hop brasileiro do século XXI. O primeiro álbum, Do Oiapoque a Nova York, lançado em 2008, teve produção de ninguém menos que Daniel Ganjaman, responsável por projetos do Sabotage e do Mombojo, dois nomes de peso da atual cena brasileira.

Datas
Sábado, 1/10, na Hi-Fi, Melbourne
Domingo, 2/10, na Fiesta, Sydney
Segunda, 3/10, na Floriade, Canberra
Terça, 4/10, no ANU Bar, Canberra
Quarta, 5/10, na Brisbane Powerhouse, Brisbane
Quinta, 6/10, na Oxford Arts Factory, Sydney

Clique na foto para assistir a um vídeo

Outros destaques da programação são os argentinos do Terraplen, o uruguaio Martin Buscaglia, a banda afro-cubana de salsa Chukale, que tocará acompanhada do cantor Felix Baloy e do flautista Policarpo “Polo” Tamayo (ambos do Buena Vista Social Club), e o colombiano de Bondi Beach Oscar Jimenez, do Watussi.

Para saber sobre ingressos e informações, clique no banner!

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