Agora é a vez de Brasil-Austrália por $999

Para quem gostou da promoção anunciada anteontem, da Aerolíneas Argentinas, mas achou um pouco egoísta por só ter saída da Austrália, digo e afirmo no melhor estilo Tabajara:

Seus problemas acabaram!

É verdade!

A companhia aérea preferida do Caniggia e do Batistuta está com voos de ida e volta para a Austrália saindo do Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre pelos mesmos AU$999 do post anterior (incluindo taxas).

Fácil!

Para mais informações, entre em contato com a Ozzy Study Brazil.

Mas corra, pois a promoção é válida somente até 30 de maio de 2012 ou esgotarem todos os assentos (leia-se vender tudo).

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O Atala do Brasil e o Brasil do Atala

D.O.M. é Brasil!

Calma, não estou falando com a conotação galvão-buenesca da palavra, o clichezaço inverídico “Corinthians é Brasil na Libertadores”, longe disso, mas no sentido de que o restaurante é, acima de tudo, uma casa que exalta a cozinha brasileira.

Cozinha brasileira elevada ao seu grau mais alto de modernidade e cosmopolização, é verdade, mas brasileira.

Alex Atala tem um talento pra não usar o trocadilho dom acima da média, uma visão única de cozinha e um profundo conhecimento de causa, fruto de mais de duas décadas de muito estudo, pesquisa, trabalho e viagens. Ele domina as técnicas e compreende as bases da gastronomia como poucos. Porém, somente esses atributos (que não são poucos) não seriam suficientes para que chegasse aonde chegou.

Se tivesse nascido na França ou na Itália, talvez, mas sendo deste lado do Equador, não alcançaria tamanha expressão se não aplicasse tudo o que aprendeu e desenvolveu no que acaba sendo o seu grande diferencial em relação aos demais chefs do planeta: os ingredientes brasileiros.

Alex Atala vem de uma linhagem de nomes como Mara Salles, Edinho Engel e o saudoso Paulo Martins, chefs que viram na comida regional do país e nos ingredientes peculiares (e muitas vezes únicos) das terras brasileiras suas matérias-primas.

Em um meio tão metido a besta como é o da alta gastronomia, principalmente até o início dos anos 90 quando produtos importados eram privilégio de meia-dúzia de quatro ou cinco que podiam pagar, e só prestava o que era francês ou, no máximo, italiano, trabalhar iguarias como pupunha, tapioca e tucupi, especialmente no eixo Rio-São Paulo, era praticamente assinar o atestado de fracasso.

Onde já se viu servir risoto líquido de coco com óleo de dendê, hortelã e nori? Ostra em crosta de brioche com tapioca marinada? Que coisa mais provincial!

Mas é justamente essa a diferença que o fez chegar ao posto de quarto melhor restaurante do mundo, conforme divulgou no início desta semana a revista britânica Restaurant, na décima edição de seu prestigioso prêmio World’s 50 Best Restaurants.

Atala, mais do que utilizar e exaltar os ingredientes brasileiros, se tornou um pesquisador, uma espécie de ativista da culinária regional e primitiva do país, re-descobrindo e resgatando frutos, raízes e animais que há décadas ou séculos estavam esquecidos.

Tudo, claro, de maneira ecologicamente correta, trabalhando localmente em parceria com as comunidades e com fornecedores éticos.

Prova disso foi o jantar dele que fomos em março de 2010, durante a Melbourne Food and Wine Festival. Ao término, Alex Atala veio à nossa mesa e pudemos conversar rapidamente. Perguntamos sobre a priprioca, um item que estava no cardápio e não conhecíamos.

Ele explicou que era uma raiz que encontrara na Amazônia. O assunto foi por esse caminho e chegamos em um nome em comum, Gonzalo Barquero, grande figura e entusiasta da fauna e flora do Cerrado brasileiro que conheci durante as minhas viagens para a reserva xavante Wederã, no Mato Grosso, que resultou no meu livro.

Gonzalo, com sua Cerrado Carnes, atualmente é o nome mais badalado em matéria de criação sustentável de carnes nobres de animais silvestres, fornencendo para os principais restaurantes do Brasil. E o trabalho com os xavantes foi um dos embriões deste projeto.

Aprofundando um pouco mais a conversa, chegamos em outro nome em comum, Paulo Cipassé, o cacique da mesma aldeia. Em um de seus trabalhos de pesquisa não me recordo se foi com o Gonzalo, Atala citou que parte do dinheiro obtido foi destinado a esses xavantes da Wederã.

Se tem um Brasil que eu acredito, é o Brasil do Atala. Um Brasil que se prepara, que se insere no mundo através da competência, do talento e da valorização do que o país tem de melhor: suas raízes e cultura.

Conforme já escrevi anteriormente, o Atala é o cara!

Leia também:
- Sobre o jantar do Atala
- Entrevista exclusiva com o Atala

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Passagem Austrália-Brasil por AU$999

Não recomendo voar pela Aerolineas Argentinas, mas a esse preço, viajo até falando que o Maradona foi melhor do que o Pelé.

Passagem de ida e volta para o Brasil, saindo da Austrália, por somente AU$999 (taxas inclusas).

Isso mesmo!

Promoção válida até 31 de maio para embarcar entre primeiro de maio e 12 de dezembro de 2012.

Para mais informações, entre em contato com a Ozzy Study Brazil (travel@ozzystudy.com.au).

Ma-ra-dôô! Ma-ra-dôô!

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#Veta, Dilma

Em mais uma demonstração de que deputados e senadores legislam em causa própria e não pelos interesses do país, ontem a bancada ruralista deitou e rolou em cima do novo Código Florestal, aprovando o texto-base no Congresso com diversas modificações altamente prejudiciais ao meio ambiente e favoráveis aos criminosos.

O texto segue para sanção presidencial, o que significa que agora somente a presidentA Dilma Rousseff pode vetá-lo. A mesma Dilma que quando concorria à presidência prometeu vetar o projeto de lei que desfigura o Código Florestal.

Ou seja, para cobrar coerência, o Greenpeace lançou a campanha Veta, Dilma, que incentiva todo o planeta a assinar uma petição pressionando a presidente a cumprir sua promessa (assinar).

Abaixo, o novo vídeo da organização e, na sequência, o texto da petição.

Presidente Dilma,

Estou muito preocupado em ver que a Amazônia está novamente sob ameaça. Após anos de desmatamento baixo, a floresta voltou a cair sob motosserras e tratores, assim como as populações fragilizadas no campo, vítimas da violência.

Vejo que isso tem ligação com a proposta de mudanças do Código Florestal. Esse texto abre brecha para mais desmatamentos e anistia quem cometeu crimes no passado, sabemos que é possível dobrar nossa produção de alimentos sem precisar desmatar mais. Eu não quero essa lei em vigor e não é o que espero da presidente. Nas eleições, a senhora prometeu que não deixaria um texto assim ser aprovado.

Uma floresta preservada é importante para a biodiversidade, para a sobrevivência das populações que dela dependem, para a agricultura familiar que produz minha comida e para os demais produtores que precisam dos serviços ambientais. A floresta é essencial para controle do aquecimento global, e o Brasil que a senhora governa assumiu um compromisso internacional de redução de suas emissões de gases-estufa. Quero vê-lo cumprido.

Está em suas mãos decidir se a nova lei vai para a frente e se suas promessas – para mim e os demais eleitores, e para o público internacional – serão realmente cumpridas.

Por favor, vete o projeto do Código Florestal. Você pode salvar a Amazônia e as demais florestas brasileiras da destruição.

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A senzala e o caviar

Uma sociedade cujos valores estão baseados na cultura do consumo desenfreado e que, ainda por cima, incentiva o endividamento de sua população através de financiamentos a perder de vista, dificilmente vai conseguir se livrar da mentalidade dos tempos da senzala.

Poucos feitos na história recente do país foram tão importantes como a chamada ascensão da classe C, que proporcionou um mínimo de dignidade a milhões de brasileiros em todo o país.

O problema, porém, está na base. Ascende-se economicamente, mas não em ensino, instrução, educação e cultura (e isso também aplica-se para as classes B e A).

Com a quantidade de televisão que se assiste por aqui, a infinidade de novelas diárias que passa na emissora de maior audiência, forma-se uma massa passiva sem a menor capacidade para discernir, e muito menos para pensar.

Tempere isso com doses cavalares de incentivo ao consumo desenfreado e ao endividamento através de financiamentos a perder de vista nos intervalos, e o resultado é uma população desesperada para adquirir todo e qualquer supérfluo que chega ao mercado. E neste meio tempo, claro, gol do Brasil!

Vive-se numa imensa bolha de consumo e, por estar dentro, não se faz ideia do que acontece e onde está. Apenas segue-se em frente, comprando e nunca satisfeito, afinal, sempre vai achar que precisa de mais. Um dia essa loucura vai estourar.

A economia do Brasil vai bem, obrigado. O país já não come somente o frango do Real, mas se delicia com peru, pernil e um bom filé de carne. O problema típico de emergente é que já está arrotando caviar.

Dinheiro é bom, adquirir coisas é legal, adoro comprar vinho, viajar, mas senso de valor (no sentido mais amplo, não apenas no monetário) é fundamental.

Estudar, acumular conhecimento e instruir-se, principalmente pensando nos anos que estão pela frente no país, é disparado o melhor investimento. O cara que tem um carrão zero parcelado em 50 vezes e não aprende inglês ou faz uma especialização porque está sem grana, é um idiota.

Todos sabem da quantidade de trabalho que tem e terá por aqui nos próximos anos por conta do crescimento econômico, Copa do Mundo e Olimpíadas, em especial para as pessoas capacitadas, com bons currículos.

Sempre fomos o país do futuro e parece que chegou a hora.

Mas de nada vai adiantar sermos a nação mais rica do planeta, se ainda tivermos empregada doméstica chegando de carro na casa da patroa, trabalhando com o último modelo de iPod no ouvido e pensando na próxima geladeira que vai comprar, se ela ainda tiver que subir pelo elevador de serviço.

O que adiantou ela ascender economicamente, se a mentalidade do país ainda está entre a senzala e um modelo de consumo que não vai levar a parte alguma?

O Brasil tem a faca e o queijo nas mãos, a hora é agora para dar educação ao povo, que já não está tão desesperado de fome. Em vez de arrotar caviar, é hora de ensinar a fazer.

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Ben Stiller das Laranjeiras

Dez anos depois, volto ao Rio, agora tecnicamente casado. A base? Laranjeiras, onde a Lu nasceu e boa parte da família vive.

Do alto, o filho do Onipresente não disfarça o apreço que tem pelo bairro onde moraram figuras como Villa-Lobos, Cecília Meirelles, Portinari, Cartola, Ronaldo Bôscoli e, claro, a princesa das palmeiras imperiais, Dona Isabel.

Por terra, a instituição predominante é uma só: Fluminense Football Club.

Tricolor em São Paulo, não tive qualquer problema em assumir o do Rio como clube carioca do coração desde nascência, até porquê não teria outra opção: a família da Lu é 100% Flu. E foi neste contexto que, no melhor estilo Ben Stiller, estreei com tudo na última quarta-feira.

Já em terras cariocas, acompanhei como um neo-fanático a emocionante vitória do Fluzão (se ligaram na intimidade?) sobre o forte Arsenal de Sarandí: 2 a 1 fora o baile, plério disputado na casa do inimigo, “em Arsenal”.

Orgulhoso com a elevada temperatura do meu pé e querendo fazer média com o sogro, assim que ele voltou do trabalho, mais de uma hora após o término do jogo, fui puxar papo. De fundo, uma partida de futebol passava na TV que, pelo avançar das horas, imaginei que fosse do Corinthians, também pela Libertadores.

O assunto, claro, Fluminense, e já entrei com Que vitória do Flu, hein seguido por Gol no último minuto é para matar do coração. Ansioso para continuar demonstrando o meu neo-amor ao clube do Cartola, não deixei o sogro falar e emendei um Teve até atacante adversário pegando pênalti nosso.

Neste momento, senti o primeiro calafrio ao ver que a partida na TV não era do Corinthians, e sim do Fluminense. O placar? 0 a 0. Levemente constrangido, ele comentou Aconteceu isso tudo? Deve ter sido um jogaço mesmo, vou continuar assistindo. Não preciso dizer que o calafrio se transformou em suor, certa tremedeira e início de pânico.

Deixei a sala com uma desconfiança do tamanho do Maracanã de que eu acabara de dar uma das maiores mancadas em verde, branco e grená dos últimos tempos.

Ao comentar com a Lu, a certeza de que me transformara no Ben Stiller das Laranjeiras.

É, Pablo, hoje o meu pai estava estreando o DVD gravador de TV que comprou na semana passada. Ele terminou de dar aula, tomou todo o cuidado do mundo para não saber o resultado do jogo e chegou em casa correndo para assistir inteiro, como se fosse ao vivo. Mas, pelo jeito, você acabou com a festa.

É, meus amigos, meu pé pode ser quente, mas certamente usei o esquerdo, pois estraguei tudo.

No dia seguinte, atravessei a Pinheiro Machado e fui ao campo do Fluminense pedir uma luz à Sua Santidade João de Deus, o padroeiro do clube. De quebra, declarei o meu amor incondicional à agremiação relevando a queda à terceira divisão e evoquei Gérson, o canhota dos Tricolores.

Imediatamente, veio forte a lembrança de um episódio da história do Santos Futebol Clube que eu havia escrito em 2002, num livro sobre o clube que talvez seja lançado neste ano por conta das comemorações do centenário do Peixe.

O personagem era Luiz Matoso, mais conhecido como Feitiço, o primeiro grande ídolo da torcida santista, que atuou entre 1927 e 1932 e depois voltou em 1936.

Além de notório craque, Feitiço também era conhecido pela raça e seu jeito explosivo. Numa decisão entre a Seleção Paulista e a Seleção Carioca, em 1927, no estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, ele foi protagonista do seguinte caso.

O placar mostrava 1 a 1 quando, aos 28 minutos do segundo tempo, o juiz Ari Amarante marcou penalidade máxima a favor dos cariocas. Revoltados, os paulistas passaram a chutar a bola para longe, toda vez que o adversário a posicionava na marca de pênalti. A confusão foi inevitável e o tumulto prosseguiu por uns quinze minutos, até que o presidente da República, Washington Luís, que assistia ao jogo na tribuna, enviou um oficial ao gramado ordenando que fosse cobrada a penalidade. Depois que Feitiço ouviu o recado presidencial, ele retrucou: “Diga à Sua Excelência que ele manda é no Palácio do Catete, e que, aqui em campo, mandamos nós.”

Em resumo: se até o presidente já passou por maus bocados por estas bandas, por que não este simples escriba?

A bênção João de Deus!

Ass: Ben Stiller das Laranjeiras

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