Hoje, domingão que amanheceu nublado, podemos transformá-lo num dia bonito.
Basta deixarmos de lado todas as pequenezas intrínsecas à condição humana que vem à tona em momentos como este, e simplesmente abrirmos o coração, pensarmos um pouco além dos respectivos umbigos e enxergarmos algo maior do que a limitada visão que temos no nosso dia a dia.
Desde o primeiro semestre do ano passado, grande parte da comunidade brasileira de Sydney mobilizou-se, de diversas maneiras, em torno da Dione Shaarf, estudante brasileira de 30 anos diagnosticada com câncer (saiba mais).

Ela acabou ficando na Austrália, uma vez que o Royal Prince Alfred Hospital ofereceu as cirurgias e o tratamento gratuitamente.
A cirurgia, em junho, foi um sucesso, assim como as sessões de quimioterapia ao longo do segundo semestre. Em 6 de dezembro, Dione escreveu no Facebook:
O resultado do exame (CT scan) foi otimo, ta tudo limpinho e o cancerzinho se foi e se Deus quiser p sempre!
A última e derradeira cirurgia ocorreu em fevereiro. A princípio, etapa vencida:
…tive alta hj e ja estou em casa, a recuperacao da cirurgia esta indo bem apesar das dores e dificuldades, mas perto de tudo q ja passei, sei q agora vai ser bem mais simples encarar essa nova readaptacao, que sera realmente longa… A coincidencia eh que tive alta hj dia 13fev e fui internada ha um ano atras no dia 14fev, completando assim um ciclo de exatamente 1 ano…
Porém, algo não aconteceu como deveria, Dione voltou para o hospital e, após muitos exames, constataram que ela deveria retomar o tratamento.
Sem o suporte financeiro do hospital, desta vez ela o fará no Brasil, ao lado de toda a família.
Sem tempo a perder, Dione conseguiu passagem de última hora para voar amanhã e, com isso, fará um picnic de despedida daqui a pouco, das 12 às 14h30, no Brazilian Fields do Centennial Park. BYO. Se estiver chovendo, o plano b será o café do Centennial.
Mesmo quem não a conhece e puder ir, vá, pois todo carinho será muito importante para a continuidade do tratamento no Brasil.
E o interessante da história da Dione foi o fato de as responsáveis por toda a mobilização para ajudá-la terem sido as amigas, depois as amigas das amigas, depois as amigas das amigas das amigas, e, de repente, se tornou uma causa comunitária.

E é este mesmo espírito que seguirá no Tributo ao Betinho, que acontecerá na sequência, em Bondi (post anterior).
Tenho acompanhado a mobilização das amigas mais próximas, dos verdadeiros amigos, e é simplesmente incrível o amor e o carinho que estão colocando nesse tributo. Elas falam em homenagear o amigo, mas no fundo é honrar a vida e a memória dele. Pequena diferença, mas mais profunda.
E a exemplo da Dione, a mesma coisa, mesmo quem não o conheceu (é o meu caso), vá para mais tarde, quando olharmos para o domingão nublado que tínhamos pela frente, vermos que transformamos num dia bem mais bonito.
#TributoAoBetinhoSydney