Harmony Day e o Caso Roberto Laudisio

Hoje, na Austrália, celebra-se o Harmony Day, cuja mensagem deste ano, é:

Todos Pertencem (Everyone Belongs)

“Isso significa que todos os australianos são uma parte bem-vinda do país, independentemente da origem. É um tempo para refletir sobre de onde a Austrália vem, reconhecendo os donos tradicionais dessa terra. E é também sobre participação comunitária, inclusão e respeito – celebrando as diferentes culturas que fazem a Austrália um grande país para se viver.”

A Austrália é, sem dúvida, um grande país para se viver. Não por acaso estou aqui, minha irmã está aqui, minha namorada e alguns amigos de infância, assim como milhares de brasileiros que abriram mão de viver próximos da família e da terra onde nasceram para se aventurar do outro lado do mundo, num país de cultura e língua diferentes.

Com população cada vez maior, flutuante ou permanente, nós, brasileiros, aos poucos conquistamos mais espaço nesse processo nada simples de inclusão. Seja através de crianças que nascem de brasileira com australiano (ou vice-versa), de meia-dúzia de bons restaurantes que caem nas graças dos aussies, de um renomado artista que se apresenta numa Opera House, de um brasileiro que conquista o campeonato da AFL, um dos mais australianos dos esportes, ou mesmo pela necessidade da Austrália de manter aquecido o setor de educação para estudantes internacionais estimulando a vinda de jovens de todo o Brasil.

Mais do que isso, palavras como Brazil’s economic boom, World Cup 2014 e Rio 2016 só aumentam o interesse no país e a visibilidade de quem está aqui. Pode ser passageiro, mas é real.

Tudo isso, porém, vai para o ralo se não existir respeito. O respeito deve ser mútuo, óbvio, precisamos respeitar as leis e andar dentro delas, ao mesmo tempo em que o governo retribui cada centavo do que pagamos com seviços, programas e uma infra-estrutura que infelizmente não estamos acostumados.

Mas desde que a morte do Roberto Laudisio se tornou pública através da imprensa brasileira, na terça-feira (segunda-feira no Brasil), a sensação é de que alguém quebrou o pacto, um dos lados não cumpriu a sua parte.

Sabemos que a Austrália não é perfeita, nenhum lugar do mundo é, mas tirar a vida de uma pessoa da maneira como ocorreu na manhã do último domingo, no centro de Sydney, reduzindo a tragédia, num primeiro momento, a um pacote de biscoito e a um turista sulamericano sem camisa confundido ou rebaixado a brasileiro ilegal, é sinal de que a questão é muito mais séria do que aparenta.

Em tempo: ótimo aluno, alta frequência em classe durante o curso de inglês que fez entre julho de 2011 e fevereiro de 2012, Roberto estava com o visto renovado para mais dois anos e já frequentava o curso de EAP (English for Academic Purposes), que ingressara em um dos níveis mais altos e serve de preparatório para entrar na universidade.

A Austrália, obcecada por câmeras de segurança, tem através da imagem de pelo menos duas delas – uma na loja de conveniência da King Street e outra (ou outras) na Pitt Street -, o dever de honrar o respeito celebrado no dia de hoje, trazendo a verdade dos fatos a público e fazendo justiça.

O governo brasileiro, através da Embaixada em Canberra e do Consulado Geral em Sydney, está desempenhando o seu papel acompanhando o caso, assistindo a família e cobrando respostas das autoridades. Que continue assim até o final (especialmente com a investigação paralela contratada pela família), pois aqui em baixo, nós, brasileiros que ainda estamos engatinhando no quesito participação comunitária, dividimos imensa indignação e revolta, mas sem a menor harmonia e poder de articulação.

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One Response to Harmony Day e o Caso Roberto Laudisio

  1. Lia de Souza says:

    Li num noticiário da aussie que ele passou dois dias em festas regadas a drogas e quem afirmou foi um amigo brasileiro chamado Patrick. O que pode esclarecer tudo é o vídeo da loja com a imagem do tal ‘ladrão’ de biscoitos. Se era ele mesmo e se não pagou o biscoito porque foi jogado pra fora da loja porque agia ‘estranhamente’, estaria surtando. Certas coisas não estão chegando ao Brasil, a entrevista do tal Patrick não vi nem citada por aqui. O vídeo da loja está sendo editado e montado pra livrar a cara dos policiais? não de pode confiar na perícia deles, nem nos exames cadavéricos, pois a facilidade de forjarem exames positivos pra álcool e drogas é muito grande. Sugiro que seja feita nova necrópsia aqui, se é que já não introduziram drogas no corpo para coonestar a tese que é conveniente para livrar a cara dos trogloditas que chamam de policiais de primeiro…

    Hard partying of Taser victim Roberto Laudisio Curti led to furious …www.news.com.au/…roberto-laudisio…/story-e6f… – Traduzir esta página
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    2 hours ago – TASER victim Roberto Laudisio Curti spent two days partying in the lead-up to his death, visiting nightclubs and taking drugs.
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