Kyoto, a sétima colocação e o ranking dos supimpas

Anualmente, são lançados dezenas de rankings destacando as cidades e países mais supimpas do planeta. A Austrália e algumas de suas capitais como Sydney, Melbourne e Cairns Perth volta e meia aparecem no topo de listas que avaliam quesitos como qualidade de vida, segurança, estabilidade política, consumo de Vegemite e por aí vai.

O bom desempenho australiano também é evidente no campo desportivo, já que o país é uma notória potência em modalidades como críquete, rugby league, rugby union, rugby rugby e netball (caso não saibam o que é, não queiram saber), além de potência olímpica desde 1956.

Segundo minhas projeções para daqui a dois meses, levando em consideração que os Jogos serão em Londres, teremos Estados Unidos, China e Reino Unido disputando as três primeiras posições, Rússia, Alemanha e provavelmente Grécia, que está em grande fase, fechando o sexteto da parte de cima do quadro de medalhas, seguidos pela Austrália, que deve chegar na sétima.

Em tempo: o Brasil termina em décimo nono com dois ouros, duas pratas e algo em torno de quarenta a cinquenta e oito bronzes (eita delegação sem apoio nenhum que refuga na chegada!).

Bem, mas voltando ao ponto principal deste texto – o sétimo lugar australiano -, esta é a mesma posição que o país se encontra em um outro ranking, só que não tão glamoroso: o das nações que mais contribuem para o declínio ambiental do planeta.

É verdade!

Segundo o estudo Living Planet Report, da World Wildlife Fund, se todos os povos vivessem como os australianos (isso obviamente nos inclui – estrangeiros que vivem aqui), seriam necessários 3.76 planetas Terra para prover os recursos necessários para toda essa gente, o que significa que o estilo de vida australiano já teria mandado o mundo pelos ares (só estamos atrás de Catar, Kwuait, Emirados Árabes Unidos, Dinamarca, Estados Unidos e Bélgica).

O atual governo da primeira-ministra Julia Gillard, apesar de diversas falhas em diversos setores, tem sido muito corajoso na questão ambiental batendo de frente com a poderosa indústria mineira e tentando passar goela abaixo o imposto sobre a emissão de carbono (carbon tax).

Esta semana, porém, em Bonn, na Alemanha, durante mais uma rodada de negociações para o novo acordo global de redução de emissões (espécie de Protocolo de Kyoto – Parte II: A Missão), veremos quais são as reais intenções de Gillard.

O Protocolo inicial de Kyoto, ratificado em 1999 e em vigor desde 2005, expira no final do ano. O planeta suplica para que até dezembro, quando acontece rodada decisiva em Doha, no Catar, do chamado COP-18, os países mais, digamos, supimpas do planeta, cheguem a um acordo que seja legitimado pelos 194 países da UNFCCC (United Nations Framework Convention on Climate Change). Com isso, começaríamos 2013 já com as novas metas de redução (praticamente uma banana para os maias).

Um dos problemas é que a Austrália, único país ao lado dos Estados Unidos, claro que não ratificou Kyoto em 2005 (só o fez no início de 2008, quando o ex-primeiro-ministro-expurgado Kevin Rudd assumiu), está indo na onda do fujão Canadá e ameaçando, juntamente com a Nova Zelândia, não ratificar a extensão do protocolo, o que iria totalmente contra as necessidades do planeta e no caminho inverso do que o atual governo tem feito até agora.

Ou seja, nessas próximas duas semanas, em Bonn, e depois em dezembro, em Doha, todo mundo de olho na Austrália que, se refugar, vai despencar no ranking dos supimpas.

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One Response to Kyoto, a sétima colocação e o ranking dos supimpas

  1. luciana says:

    O COP-18th tera a participacao dos 195 membros do UNFCCC e portanto qualquer resultado nao dependera somente da vontade da Australia, mas da coperacao de todos os paises. Claro que como vc disse a Australia per capita esta entre os 10 maiores emissores de greenhouse gas. Os tratados referentes ao meio ambiente e ecologia, sao exemplos evidentes de como a visao liberal deixa a desejar.

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