Esta é a Coluna Vatapá com Shiraz, escrita em parceria com o chef Paulinho Martins, paulistano radicado na Bahia. Ele começa:
Nacer,
Bem no início da minha carreira, quando eu ainda estava fazendo o curso “Cozinha Básica e Principiante” na escola Wilma Kovesi, ouvi falar de uma cara chamado Atala. Me falaram que era um doidão que trabalhava em um restaurante com o nome Filomena, que fazia uma comida com combinações sensacionais.
Não cheguei a ir no Filomena. A primeira vez que pude provar o trabalho do nosso amigo Alex foi no Namesa. O cara ainda não era um superstar, mas lembro que adorei aquele negócio.
Conheci mesmo o Alex no Paladar – Cozinha do Brasil de 2008 e, de lá pra cá, admiro cada dia mais o trabalho dele. A forma técnica como ele trabalha os nossos ingredientes, o conhecimento dos pratos tradicionais, os temperos, sal, pimentas…
Já vi e provei muito prato bom do Alex. Os que mais gosto são a trilogia do Quiabo, os cogumelos com caldo de tucupi e as vieiras marinadas.
Alex é um estudioso, mas sem ser chato. O cara sabe tudo, mas o principal para ele é a comida estar boa. Sem frescuras ou embromações.
Hoje, o homem colocou nossa gastronomia no mapa. O mundo inteiro conhece ele. Sei que essa já é a segunda vez dele aí no terceiro continente à sua escolha. As coisas aconteceram com ele, simplesmente porque, na minha opinião, ele não teve medo de cozinhar o que está afim de cozinhar. Comida brasileira com cara de Atala.
Admiro muitos chefs brasileiros, mas costumo dizer que o Alex é o melhor e existe um espaço entre ele e o segundo.
Eu e Alex nos encontramos uma vez ao ano. Normalmente, discutindo sobre futuro e passado de nossas tradições culinárias. Conversamos sobre alguns trabalhos, filhos, skate e tomamos alguns espumantes. Ele sempre fala com aquela voz de cidadão do ABC: cê tem que ir lá no DOM, seu viado!
Realmente preciso ir mais. Para mim é mais fácil, em duas horas estou lá. Para vocês daí é mais difícil, Pablito. Mas a montanha foi a Maomé, então aproveitem!
Aliás, o que ele foi fazer aí, Nacer?
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É, Paulinho, o homem veio pra cá pelo segundo ano consecutivo e, ao que tudo indica, voltará mais vezes. Motivos?
1. A cena gastronômica da Austrália adora o cara.
2. O cara adora a Austrália, como deixou bem claro em entrevista para o programa em português da SBS Radio.
Este ano ele foi uma das atrações principais do Crave Sydney Food Festival, evento monstruoso que acontece durante todo o mês de outubro, em Sydney, e poderia servir de inspiração para cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e a nossa Ilhéus.
Chefs como o Atala, o peruano Gaston Acurio, o argentino Francis Mallmann e o sueco Magnus Nilsson, juntamente com heróis locais do porte de Peter Gilmore (Quay), Mark Best (Marque), Neil Perry (Rockpool) e Matt Moran (Aria) abriram as atividades no último final de semana com aulas e palestras.
Até 31 de outubro, restaurantes mundialmente famosos como o Tetsuya’s, do nosso amigo Tetsuya Wakuda, outrora o grande restaurante da Austrália, colocam seus menus degustação com preços mais em conta (Tetsuya’s – 11 pratos a $160). Oportunidade única (link).
Outros grandes restaurantes fazem noites temáticas sobre a gastronomia de determinados países ou regiões por preços a partir de $75 (link).
Para o almoço, mais de 60 restaurantes, incluindo alguns tops da cidade, oferecem especiais por somente $38, incluindo um prato emblemático da casa, cerveja, vinho ou água, mais o cafezinho (link).
A fanfarra continua nas noites de segunda a sexta, no Hyde Park, coração de Sydney, com o Night Noodle Markets, verdadeira loucura asiática com 40 barracas de comidas de diversos países do continente mais importante do saudoso jogo War (link).
Uma novidade bacana deste ano é o café da manhã/picnic que rola dia 23 de outubro em Bondi Beach, um dos maiores redutos de brasileiros na Austrália.
Assim que o sol começar a dar o ar de sua imensa graça, a praia estará liberada para quem quiser sentar na areia e curtir seu café da manhã. Isso mesmo, na areia, basta levar os comes e bebes de casa ou comprar nas dezenas de espetaculares cafés que existem por ali. Ideia fantástica (link).
Enfim, Paulinho, estes são alguns dos meus destaques, mas a programação é muito mais vasta e tem para todos os gostos e bolsos, é só pesquisar (link). E o Atala, novamente, colocou o nome do Brasil lá em cima. Conforme escrevi na vinda passada, é o cara!
Em homenagem à farofa globalizada de Bondi, clássico oitentista (sei que você vai gostar):









