Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?

A edição #32 da Falamos Português já está nas ruas de Sydney e outras cidades australianas desde a semana passada.

Caso ainda não leram, tentem pegar um exemplar, gratuitamente, em uma das dezenas de postos de distribuição.

Aos que não estiverem por aquelas bandas, cliquem aqui para ver a versão online.

Na capa desta edição, Agenor Muniz, o primeiro e único jogador brasileiro de futebol a vestir a camisa da seleção australiana, ao lado de Gel Freire, presidente dos Canarinhos.

Motivo? Matéria que fiz sobre os 40 anos do Sydney Brazilian Social Club mostrando que o nome e o reconhecimento conquistados nessas quatro décadas vão muito além do gramado do Centennial Park e dos limites da comunidade brasileira.

Também nesta edição, matérias sobre a forte influência da cozinha grega na Austrália, jornada pela Tasmania, o que alguns brasileiros têm feito de bacana por aqui (seção Thumbs up), questionamento sobre a tap water de cada dia, cobertura do Bondi Bowl-A-Rama, texto meu comparando as cozinhas brasileiras e australianas e mais.

futebol brasileiro em Sydney

Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?

Tendo a pelada como essência, os Canarinhos do Sydney Brazilian Social Club comemoram 40 anos de história, com personalidades lendárias e um nome que vai muito além do Centennial Park.

Em uma quarta-feira de maio de 2011, nas proximidades de Pyrmont, em Sydney, a nata do futebol da Austrália se reunia em um jantar beneficente. Entre os presentes, estavam o técnico da seleção nacional, Holger Osieck, o chefe-executivo da Federação Australiana de Futebol, Ben Buckley, e o apresentador e comentarista da SBS TV, Les Murray.

O evento foi realizado em prol da Johnny Warren Football Foundation e contou com mais de 500 convidados. Em uma das mesas, onze brasileiros se divertiam entre copos de cerveja e taças de vinho. Durante uma de suas intervenções como mestre de cerimônias, Les Murray fez menção ao grupo, chamando-os de “representantes do futebol brasileiro na Austrália”. Na sequência, destacou dois ex-jogadores que estavam à mesa, Agenor Muniz e Nélio Borges. O salão inteiro aplaudiu.

Agenor de Oliveira Muniz nasceu em Sapucaia, interior do Rio de Janeiro, em 1949, e ingressou no elenco profissional do Vasco da Gama aos 17 anos. Em novembro de 1969, participou do célebre Santos 2 X 1 Vasco no Maracanã, jogo em que Pelé marcou o milésimo gol de sua carreira. Em 1971, deixou o Rio para defender o Sydney Hakoah, clube da comunidade judaica. Médio-volante de muita classe, ótimo passe e exímio cobrador de faltas, Agenor disputou a primeira divisão da liga de New South Wales, conquistando o título em 1971, 73 e 74. Em 1977, venceu o campeonato inaugural da National Soccer League. No mesmo ano, jogou as eliminatórias para a Copa do Mundo de 1978 pela seleção australiana, sendo o primeiro e único brasileiro a defender os Socceroos. Antes de encerrar a carreira profissional, conquistou ainda o título nacional em 1981 e 82, tendo ao lado um jovem atacante brasileiro recém-chegado: Nélio Borges.

Nelinho, como ficou conhecido, nasceu em 1957 na cidade fluminense de Maricá. Trabalhava como escriturário do Banerj e cursava economia quando foi contratado pelo Sydney City, em 1979, juntamente com os conterrâneos Mozart (zagueiro) e Marquinhos (centroavante). Meia-atacante de rara habilidade e grande poder de finalização, ganhou todas as ligas que disputou, incluindo a nacional, em 1981 e 82, ao lado de Agenor, e a estadual de New South Wales, em 1985, quando conduziu o Canterbury Marrickville Olympic ao título. Na partida decisiva em que perdia por 4 a 1, ele incendiou o jogo e virou para 6 a 5 marcando, inclusive, o gol da vitória aos 45 minutos do segundo tempo. Em 1987, foi levado para o Madeira pelo então técnico Agenor Muniz e levantou mais alguns troféus até encerrar sua carreira, já como semiprofissional, em 1994.

As histórias de Agenor e Nelinho se cruzaram não somente nos campeonatos profissionais e semiprofissionais da Austrália, como também semanalmente, numa tradição que começou em 1972, em Sydney. As peladas disputadas aos domingos por pioneiros da comunidade brasileira na cidade como Romeu, Kléverton Careca, Paulinho Dutra, Tarciso, Macário, Adaílton Silva, Odilon Farias, Eduardo Silva e Geid foram o pontapé inicial para o que viria a ser o Sydney Brazilian Social Club, com os populares Canarinhos, que em 2012 celebram 40 anos de história.

O apelido faz alusão ao bordão “Seleção Canarinho do Brasil”, criado pelo locutor esportivo Geraldo José de Almeida durante a Copa do Mundo de 1970. Nas quatro primeiras edições do Mundial, o Brasil jogou com a camisa branca de gola azul. Mas após a traumática derrota para o Uruguai, na final da Copa de 1950, a Confederação Brasileira de Desportos resolveu adotar um novo uniforme através de concurso público. O modelo amarelo com gola verde, desenhado pelo gaúcho Aldyr Garcia Schlee, foi o vencedor e estreou em 1953. Com a conquista das Copas de 1958, 62 e 70, e o espetáculo na Copa de 82, a seleção brasileira, trajando seu uniforme amarelo-canário, tornou-se sinônimo de futebol-arte.

Na Austrália, jogadores como Agenor Muniz, Nélio Borges, Hilton Costa (Dal) e Marquinhos trouxeram esse futebol para ligas predominadas pelo estilo britânico de jogo e conquistaram a admiração no meio futebolístico australiano. Frequentadores assíduos das peladas dominicais, eles contribuíram, ao lado de gerações de peladeiros natos, para fazer dos Canarinhos “os representantes do futebol brasileiro na Austrália”, segundo Les Murray. “Quando o jogo da liga caía no sábado, domingo eu estava lá. Corria o risco de me machucar, mas ía, fosse no Moore Park, onde a pelada começou, ou no Centennial Park, onde estamos há mais de vinte anos”, conta Nelinho.

Inaugurado em janeiro de 1888, o Centennial Park, com seus 189 hectares que outrora pertenceram aos aborígenes da etnia Gadi, é o lar dos Canarinhos desde 1989. Para ser mais exato, o campo sete do Centennial que, de tanto ser chamado pelos ‘rangers’ de ‘Brazilian Fields’, acabou tendo o nome oficializado pela administração do parque. De figuras históricas da primeira geração a estudantes que desembarcam toda semana na Austrália, passando por estrangeiros de diversas nacionalidades e lendas do futebol australiano, é ali que a bola rola, todo domingo das, 11h às 13h. No melhor estilo brasileiro, é jogo bonito dentro de campo; cerveja, churrasco e samba fora dele.

Não por acaso, os Canarinhos são respeitados há décadas por nomes como Johnny Warren, Andy Harper, Michael Cockerill, Les Murray e Craig Foster. Os dois últimos, por sinal, calçaram as chuteiras e jogaram a pelada que marcou a festa de 40 anos do time, em fevereiro, no Brazilian Fields. “Foi apenas o primeiro evento. Faremos outros durante o ano, celebrando e homenageando todos os que fizeram e fazem parte dessa história maravilhosa há quatro décadas”, conta Gel Freire, atual presidente do clube.

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Revistas Brasileiras na Austrália

A partir deste final de semana, circulará na maioria dos cafés, restaurantes, lojas e outros estabelecimentos brasileiros de Sydney a edição número 30 da revista Falamos Português.

O que? Pablo postando sobre a Falamos Português?

Exato! Assim como venho contribuindo, desde a primeira edição, para a Radar Magazine, agora também escreverei para a Falamos Português, que na referida edição traz texto meu sobre o músico Fernando Aragones.

revista brasileira na Austrália

Ambas as revistas vivem processos particulares de mudanças, cada uma buscando seu melhor caminho.

A FP está alterando o projeto gráfico e vive um processo de reformulação, que vai do visual à linha editorial, e, através da jornalista Fernanda Bonifácio, que recentemente assumiu o posto de editora, tem dado atenção especial ao conteúdo.

A Radar também traz novidades e, conforme a editora Andréa Moitinho divulgou esta semana, volta em 2012 com novo formato e nova periodicidade, mantendo o foco na comunidade da América Latina.

Apesar das duas publicações atingirem alguns públicos em comum, não as vejo como concorrentes, e sim, complementares. Da mesma maneira que faltam sites em português com notícias sobre a Austrália, blogs com informações e reflexões sobre a vida na Austrália, programas de rádio, de tv on line etc, também faltam materiais impressos.

E que bom que ambas estão aí, firmes e fortes para começarem 2012. Nós, jornalistas brasileiros na Austrália, agradecemos.

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