Antes de mais nada, ainda bem que não escolheram o tucano como mascote da Copa do Mundo 2014. Falo isso não somente pela associação peessedebista, como também pela obviedade.
É claro que nos próximos quatro anos, carnaval, samba, mulata, capoeira, Pelé, Floresta Amazônica, Pantanal, Corcovado, Foz do Iguaçu, bunda, tucano, onça-pintada, Niemeyer Gigghia (ops) e futebol vão aparecer em tudo quanto é lugar. Sobretudo na mídia estrangeira, quando se referirem ao Brasil.
E é justamente por isso que o país deve tentar mostrar a maior diversidade possível de ícones que igualmente fazem parte do nosso imenso caldeirão histórico-cultural-natural-bla-bla-bla, pois oportunidade como essa o Brasil só terá novamente daqui a uns 70 anos, quando o Rio Branco, capital do Acre, receber os Jogos Olímpicos de 2088 e for uma das cidades-sede da Copa 2086.
Dito isso, parabéns à Associação Caatinga, que em fevereiro, ao ver que ainda não havia sido escolhido o mascote para a Copa, lançou a campanha “Tatu-bola para mascote da Copa do Mundo de 2014”.
Por que o tatu-bola?
Segundo a ONG, o Tolypeutes tricinctus – como é cientificamente conhecido -, é uma espécie 100% brasileira que tem a habilidade de curvar-se sobre si mesmo protegendo-se, quando ameaçado, assumindo a forma de uma bola. Ou seja, nada mais apropriado! Além disso, ele é o menor tatu-bola do Brasil e o mais ameaçado, tendo desaparecido em diversos estados.
A campanha teve grande repercussão na mídia, entrou na disputa oficial e, nesta terça-feira, o desenho do mascote foi registrado pela Fifa no site de patentes europeias (OHIM).
Ou seja: deu tatu-bola!

O biólogo Rodrigo Castro, um dos idealizadores da campanha, contou ao Globo Esporte:
- A espécie vive uma situação crítica. Ela vai ser mascote da Copa, mas em 10 anos pode acabar. Com um evento dessa magnitude, se parte dos recursos fossem destinados para proteger o tatu-bola seria maravilhoso. Essa escolha de mascote poderia abrir um precedente no Brasil, a Copa deixar também um legado de consciência ambiental, de compromisso, investimento. Não só para o tatu, mas para projetos de preservação da caatinga e do cerrado, onde ele vive.

Rodrigo Castro, da Associação Caatinga: “Essa escolha de mascote poderia abrir um precedente no Brasil, a Copa deixar também um legado de consciência ambiental, de compromisso, investimento.”
A escolha do nome, a exemplo do que aconteceu com a bola da Copa, quando resultou no sem graça Brazuca, também será feita pela internet.
O por ora Tatu-bola da Silva entra no lugar do Zakumi, o leopardo soprador de vuvuzela.






















