Fundraising pro Mario Lopes no Coogee Bay – Última chamada!

É hoje, a partir das 21h, no Selina´s nunca sei se é Selina´s, Sellina´s, Sellinas…, dentro do Coogee Bay Hotel, a festa beneficente para o Mario Lopes, estudante brasileiro diagnosticado com câncer no mês passado.

A resposta das pessoas tem sido incrível, a página no Facebook está bombando e pra hoje à noite, além das bandas e DJs que se ofereceram para tocar gratuitamente (Kongofunk, Samba Australia, Faiscada…), também haverá sorteio de produtos doados por algumas empresas.

Ou seja, tudo o que você precisa fazer é contribuir com 10 doletas na porta e se divertir!

Semana que vem o Mario inicia o segundo ciclo da quimioterapia (são três no total) e toda ajuda é necessária.

Caso não esteja em Sydney, eis os dados bancários:

Mario Augusto G Lopes
Commonwealth Bank
BSB: 062 124
Account: 10923881

Força, Marião!

Coogee Bay Hotel, Sydney

Nos vemos lá!

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Let’s Help Mario Lopes (Libanês) – Fundraising Party

Sei que a semana mal começou e ainda não é hora para falar em festa, mas já vou adiantando pois esta é por uma ótima causa.

Nesta sexta-feira, 30 de novembro, a partir das 21h, no Coogee Bay Hotel (Sellina´s ), acontece festa beneficente para arrecadar dinheiro para a quimioterapia do Mario Lopes (Libanês), estudante brasileiro que mora em Bondi e está com câncer (história completa).

festa brasileira Coogee Bay Hotel

A ideia é simples: 10 dólares na porta que vão direto para a conta do Mario; e lá dentro Kongofunk, Samba Australia, Faiscada e DJs se apresentando voluntariamente para animar todo mundo.

Visite agora mesmo a página do evento no Facebook e compartilhe com os seus amigos.

Nos vemos lá!

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White Ribbon – Pelo fim da violência contra a mulher

brasileiros na Austrália

Let´s Help Mario Lopes (Libanês)

Atualmente, na Austrália:

- Uma mulher é assassinada pelo parceiro ou ex-parceiro toda semana.
- Uma em cada três mulheres acima de 15 anos reportam violência física ou sexual em algum momento da vida.
- Violência doméstica e familiar é a principal causa que leva mulheres e seus filhos a viverem na rua como desabrigados.

Se você é daqueles que ainda pensam que em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher, esta fita branca é para lembrá-lo do contrário.

Dia da Fita Branca

The White Ribbon Campaign nasceu no Canadá, em 6 de dezembro de 1991, no aniversário de dois anos do massacre de 14 mulheres provocado por um homem que covardemente invadiu uma sala de aula da Escola Politécnica, em Montreal, ordenou que os homens se retirassem e atirou à queima roupa enquanto gritava “você são todas feministas!?”, suicidando-se na sequência.

Na carta que deixou, Marc Lepine, o cretino de 25 anos, afirmou que fez aquilo por não suportar a ideia de mulheres estudarem engenharia.

Esta é a primeira campanha no mundo pelo fim da violência contra as mulheres criada por homens e direcionada aos próprios homens. O objetivo é simples: mostrar o nosso repúdio e nos incentivar a não fecharmos os olhos ao problema. A fita (ou laço) branca foi escolhida como símbolo, e no primeiro ano distribuíram mais de 100 mil por todo o Canadá.

A campanha cresceu no mundo inteiro, hoje está espalhada por todos os continentes – incluindo em países como Austrália e Brasil – e o dia 25 de novembro foi proclamado pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM), órgão das Nações Unidas, como Dia Internacional de Erradicação da Violência contra a Mulher.

A partir de amanhã, até de 6 dezembro, diversos eventos acontecerão por toda a Austrália, a começar pelo segundo Sydney’s White Ribbon Walk, caminhada na manhã desta sexta-feira, aqui em Coogee.

Se você também repudia a violência contra a mulher, faça o juramento no site da White Ribbon prometendo jamais cometer um ato violento contra as mulheres e não fechar os olhos frente a essa violência.

Eu já fiz o meu, juntamente com alguns australianos que genuinamente admiro como:

White RibbonWhite RibbonWhite Ribbon

i swear
never to commit, excuse
or remain silent about
violence against women
this is my oath

Viu ou ouviu alguma coisa?
1800 RESPECT (1800 737 732): 24 hour, National Sexual Assault, Family & Domestic Violence Counselling Line for any Australian who has experienced, or is at risk of, family and domestic violence and/or sexual assault.

Lifeline has a national number who can help put you in contact with a crisis service in your State (24 hours) 131 114

Mais telefones>>>

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Dia da Consciência Negra – Parte II (Harry O´Brien)

brasileiros na Austrália

Let´s Help Mario Lopes (Libanês)

Para homenagear o Dia da Consciência Negra, seguem dois trabalhos que fiz recentemente para a revista Falamos Português sobre dois brasileiros fora de série.

Neste post, matéria sobre o carioca Harry O´Brien, o primeiro e único brasileiro a jogar na Australian Football Rules (AFL), o futebol australiano.

No post anterior, entrevista com o Mestre Roxinho, baiano que introduziu a Capoeira Angola na Austrália.

Brasileiro do futebol australiano

Desconstruindo Harry

Afinal, quem é o “brasileiro da AFL”?

Melbourne, 9 de junho de 2011. Em um hotel no centro da cidade, o líder espiritual do Tibet, Dalai Lama, concede entrevista para cerca de 80 jornalistas. Chamado para subir no pequeno palco, o carioca Harry O´Brien, ´dreadlocks´ encostando nos ombros, cavanhaque bem aparado e impecavelmente vestido com terno e gravata, presenteia o líder budista com uma bola de futebol australiano e uma camisa do Collingwood, clube da AFL que defende desde 2005.

Sendo o evento em Melbourne, a capital da Australian Football League, não é de se estranhar a participação de um representante da modalidade. Mas por que, em uma liga com aproximadamente 800 jogadores, escolheram justamente o defensor brasileiro?

Filho de mãe brasileira e pai congolês, Heritier (nome de batismo que significa ´herdeiro´ em francês, língua oficial do Congo) nasceu em 15 de novembro de 1986, no bairro da Lapa, Rio de Janeiro. A dura realidade sócio-econômica do país fez com que o pai, que conhecia a Austrália, incentivasse a mãe, Elizabeth, a se mudar para o outro lado do mundo. Após moraremem Vila Isabel, Vidigal e Madureira, ela, já separada, viajou com Heritier e o filho mais velho, Gabriel, para Melbourne, em 1989.

No ano seguinte, Elizabeth casou-se com Ralph O´Brien, australiano que, por anos, Heritier acreditou ser seu pai biológico. Com a chegada do padrasto, a mãe parou de falar português em casa e fez o máximo para os filhos se adaptarem à cultura do novo país, resultando nos primeiros contatos de Heritier com o esporte preferido de Ralph, o futebol australiano. Foi nessa época que Heritier virou Harry. “Eu pagava mico com professora tentando pronunciar meu nome. Como a primeira letra é H, virou Harry para facilitar.”

A necessidade de um apelido foi apenas o primeiro indício de que a adaptação não seria tão simples. Exceto pelo pai biológico, ninguém mais na família tinha pele escura. Tanto a mãe como Gabriel eram brancos, assim como Ralph e os irmãos que vieram, Raquel e Matthew, o que tornava Harry alvo de ´bullying´. “Desde que entrei na escola até os 13 anos, todos estavam definindo quem eu era. Você é isso, você é aquilo.” Com o tempo, Harry passou a ler livros de líderes como Nelson Mandela e Martin Luther King, e tomar consciência da própria identidade. “Passei a ter orgulho de ser negro, ao contrário de antes, quando só queria ser branco, ser como a minha família e a minha sociedade. Chegava ao ponto de coçar a minha pele para ver se virava branco. Me sinto muito mal por isso.”

Vivendo desde 1994 com a família em Perth, no esporte Harry era visto como um prodígio e ganhava popularidade. “O futebol transcendeu as minhas diferenças, pois no campo eu me sentia igual.” Aos 15 anos, Harry decidiu que tentaria a carreira e, em 2004, prestes a completar 18 anos, participou do ´draft´ para ingressar na liga, o processo anual de recrutamento de jogadores. Não o escolheram. Dois dias depois, incentivado por Ralph, Harry telefonou para o Collingwood, o clube mais rico e popular da AFL, conseguiu falar com o recrutador nacional e, de olho no segundo ´draft´, que aconteceria em duas semanas, disse que pagaria a passagem para Melbourne do próprio bolso se o deixassem treinar nesse período. Impressionados, eles autorizaram. Harry viajou, treinou, foi escolhido e, em 2005, tornou-se o primeiro e único brasileiro a jogar na AFL.

Melbourne, Austrália

Caminho do meio
Sonho realizado e com uma boa situação financeira, em 2006 Harry iniciou sua jornada em busca de suas raízes. Sem pisar no Brasil há 12 anos, suas poucas conexões com a terra natal eram a camisa 10 do Flamengo, que usava em todos os treinos nos tempos de amador, e as lembranças de Romário na Copa do Mundo de 1994. “Quando cheguei no Brasil, me apaixonei de novo pela música, pelo samba, comecei a tocar percussão, vi os negros andando na rua como eu, senti que estava em casa.”

Com familiares nas comunidades da Rocinha e Vidigal, Thier, como é chamado no Rio, tratou de reaprender português. “Tive muita determinação porque estava à procura da minha identidade”. O que encontrou no dia a dia, porém, o fez questionar sobre como teria sido a sua vida caso não tivesse saído do Brasil. Nesse processo, também visitou a África de seu pai. As viagens deixaram marcas no jogador, tanto externas, que podem ser vistas nas tatuagens do mapa do continente africano, do Corcovado e do escudo do Flamengo que exibe no corpo, como internas, pois nunca mais foi o mesmo. “Tenho muita sorte, reconheço. É por tudo isso que tenho paixão em ajudar as pessoas e fazer esse trabalho.”

O trabalho a que se refere é o de embaixador multicultural da AFL, do Burnet Institute e, desde o início deste ano, do Australian Multicultural Council, entre outras instituições, que lhe permite visitar escolas por toda a Austrália e outros países, muitas vezes com o Unicef, para falar sobre direitos humanos, principalmente das crianças. Harry também aproveita a exposição na mídia e o talento da escrita para dissertar sobre questões sociais e promover as causas que defende, tanto nos meios convencionais como na internet. Para o ano que vem, finaliza “It’s Cool to be Conscious”, seu primeiro livro, que será lançado em fevereiro na Austrália e depois no Brasil. “Quero fazer um impacto grande. Vejo que o Brasil precisa de bons exemplos.”

Em março de 2009, pouco antes de iniciar a temporada da AFL, uma tragédia o abalou profundamente. Após seis dias sumido, Ralph foi encontrado morto. Suicídio. Devastado, Harry, mais uma vez, encontrou no futebol seu escape e, dentro de campo, fez sua melhor temporada. Fora dele, no entanto, estava muito perturbado. Com a mente esgotada, ao término do campeonato seguiu de férias para Trinidad e Tobago e Barbados, onde conheceu um rastafari que lhe passou alguns ensinamentos sobre o movimento. Foi lá, ao ouvir uma analogia entre a maneira como os nativos deixam o cabelo crescer naturalmente e o modo como encaram a vida, que surgiram os atuais ´dreadlocks´ no lugar do antigo ´black power´. “O meu cabelo é uma representação da transformação que eu sofri durante aquela época difícil da minha vida, quando eu queria respostas para perguntas que jamais teria.”

A temporada seguinte foi irretocável. Eleito o melhor ´half-back flank´ de 2010, Harry marcou um gol na histórica final entre Collingwood e St Kilda que teve de ser repetida. Diante de quase 100 mil espectadores no MCG, o templo do esporte na Austrália, a criança que se sentia fora da sociedade por ser diferente, sagrava-se campeã e alcançava o topo do futebol australiano. Por outro lado, o jogador que havia se tornado orgulhoso por ser diferente, já não se colocava propositalmente fora da sociedade. Harry encontrara o “caminho do meio”, como se diz no budismo. “Agora a minha visão é diferente, eu vejo todo mundo igual, me sinto conectado com todo mundo, consigo me ver em todo mundo e é essa conexão que eu tento expressar”. Durante os compromissos como embaixador oficial da visita do Dalai Lama à Austrália, em 2011, perguntado sobre o que significou o encontro com o líder tibetano, Harry respondeu: “É a afirmação para eu continuar nesse caminho”.

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Dia da Consciência Negra – Parte I (Mestre Roxinho)

brasileiros na Austrália

Let´s Help Mario Lopes (Libanês)

Para homenagear o Dia da Consciência Negra, seguem dois trabalhos que fiz recentemente para a revista Falamos Português sobre dois brasileiros fora de série.

Neste post, entrevista com o Mestre Roxinho, baiano que introduziu a Capoeira Angola na Austrália.

No post seguinte, matéria sobre o carioca Harry O´Brien, o primeiro e único brasileiro a jogar na Australian Football Rules (AFL), o futebol australiano.

Capoeira Angola em Sydney

Foto de Julia Andrielle

Capoeira de raiz
Mestre Roxinho faz da Capoeira Angola, estilo que mais se aproxima da prática herdada dos escravos africanos, um instrumento de transformação e libertação de crianças e jovens em situação de risco.

Em uma remota comunidade aborígene próxima de Alice Springs, no coração do deserto australiano, dois adolescentes sudaneses, que chegaram à Austrália como refugiados há pouco mais de seis anos, ensinam crianças aborígenes a jogarem capoeira.

A aula fez parte do II Capoeira Angola Meeting Australasia, evento anual criado pelo brasileiro Edielson da Silva Miranda, ou Mestre Roxinho, como é conhecido. Baiano da Ilha de Vera Cruz, ele vive em Sydney desde 2006, onde introduziu a Capoeira Angola e coordena o Projeto Bantu.

Em entrevista à Falamos Português, Mestre Roxinho fala da infância difícil na Bahia, do programa sócio-cultural que desenvolve na Austrália e de como a Capoeira Angola foi fundamental para o seu desenvolvimento pessoal e profissional.

Capoeira Angola Austrália

FP – Como surgiu o Capoeira Angola Meeting Australasia?
MR – Quando cheguei à Austrália, em 2006, ninguém jogava Capoeira Angola. Hoje, existem grupos em algumas cidades australianas, na Nova Zelândia e na Ásia. Criei esse evento no ano passado para colocar todos eles em contato. O primeiro, em 2011, foi em Sydney e, este ano, em Alice Springs.

FP – Por que Alice Springs?
MR – Há três anos vou para a cidade para trabalhar com jovens e crianças aborígenes através do Projeto Bantu. É o mesmo programa social que tenho em Sydney, onde o foco são os refugiados. E como venho preparando alguns jovens para trabalharem comigo, pensei em levá-los para trocar experiências com os aborígenes.

FP – Quantos jovens levou?
MR – Dois. Uma menina e um menino, ambos de 16 anos, nascidos no Sudão. Eles tiveram uma infância difícil, viveram em campos de refugiados, viram a guerra. Hoje, estão na escola, têm uma casa para morar e estão se restabelecendo como indivíduos. Achei interessante colocá-los em contato com os aborígenes, pois seria uma forma de ligar duas pessoas que vieram da segregação àqueles que, ironicamente, são segregados em seu próprio país. Eu queria que os próprios refugiados, que hoje têm diferentes caminhos de pensamento pela possibilidade que lhes foi apresentada, vissem essa outra realidade.

FP – Como foi a experiência?
MR – Foi maravilhosa. Muito proveitosa para eles que, no início, tiveram um grande choque ao ver aborígenes andando descalços pelas ruas, com roupas sujas e consumindo muito álcool. Foi difícil acreditar que isso existia aqui na Austrália. Ao mesmo tempo, eles sentiram a possibilidade de passar algo positivo para aquelas crianças, que adoraram as aulas e pediram para a gente voltar.

FP – Quando a capoeira surgiu na sua vida?
MR – Eu venho de uma família de capoeiristas. Meu avô paterno jogava Capoeira Angola e era mestre de samba na Ilha de Vera Cruz. Meu primeiro contato com a capoeira foi por volta de 1976, através dele. Anos depois, quando nos mudamos para Salvador, conheci o Mestre Virgílio, que se tornou meu mestre. Eu tinha cerca de sete anos e vendia cafezinho quando ele me chamou para trabalhar em sua serralheria. Continuei vendendo café e trabalhava com ele quando tinha serviço. Quando não tinha, eu vendia jornal, pois precisava ajudar a sustentar minha família. Até que um dia faltou galinha na Bahia e a mulher dele sugeriu que eu dormisse lá para entrar na fila logo cedo. Fazia muito tempo que eu não dormia numa cama, só dormia no chão frio, e que não tomava café pela manhã, pois cresci com uma alimentação por semana. Era uma época em que a Bahia sofria com uma pobreza muito grande e a população negra mais ainda. Dias depois, ele me pediu pra comprar galinha de novo e eu fui. Ele me chamou e disse: “Acho que você não quer mais ir embora, então fique aqui”. Fiquei, cresci e aprendi capoeira com ele.

FP – Como surgiu o Projeto Bantu?
MR – Por volta de 1994 a 1997, eu fazia parte do movimento negro e de combate ao racismo na Bahia. Para entender os porquês daquela luta, resolvi pesquisar a questão da capoeira e do candomblé, que é a minha religião, e saber de onde eu vinha. Descobri que meu bisavô era de Angola, dos povos bantos. Naquela época, eu já tinha um projeto social que se chamava “Erê Menino Vem Gingar”. A partir da pesquisa, mudei o nome para Projeto Bantu, o que me fortaleceu muito, pois eu vinha de uma condição de dificuldade e pobreza e, através da capoeira, consegui me estabelecer como indivíduo na sociedade. Conquistei um nome, comecei a viajar, a ministrar cursos no exterior e até em faculdades, mesmo sem ter formação acadêmica. Com as oportunidades que tinha, aumentava a vontade de devolvê-las para crianças em situações de risco. Assim, investi todo o meu trabalho no Projeto Bantu, que começou em Salvador, foi para o interior da Bahia e de São Paulo, para a Febem paulistana e também para a Europa, onde trabalhei com crianças refugiadas na Espanha. Em 2006, o trouxe para a Austrália.

FP – Como o Projeto Bantu funciona aqui?
MR – Temos uma associação sem fins lucrativos, o Capoeira Angola Cultural Centre, em Sydney, onde desenvolvemos as atividades do Projeto Bantu e da Escola de Capoeira Angola Mato Rasteiro. Os recursos são limitados, vêm de fundos do governo, das mensalidades da escola e de contribuições que recebemos durante os eventos ligados à cultura e tradição afro-brasileira que realizamos, como exibições de vídeos e palestras. Também obtemos verba com a venda do livro “Capoeira Angola: História, Cantorias e Versos”, que lancei em 2011, e do CD “Travessia do Mar”, que gravei com o meu mestre. Trabalhamos há cinco anos em parceria com a STARTTS, organização que atende refugiados na Austrália. Ou seja, não é fácil manter o centro. Ele não vive sozinho.

FP – O que falta para vocês?
MR – Falta que as pessoas conheçam o Capoeira Angola Cultural Centre e descubram como podem contribuir, principalmente a comunidade brasileira, que talvez não tenha tido contato com a cultura afro tradicional no Brasil. Se tivéssemos uma participação mais expressiva de brasileiros, seja trazendo algo para desenvolver dentro do espaço, ou participando das atividades que já temos, certamente caminharíamos melhor. Aqui, trabalhamos com a tradição. É um espaço muito importante para a Capoeira Angola, que é diferente da capoeira contemporânea, mais conhecida na Austrália.

FP – Como as pessoas podem utilizar o espaço?
MR – Por ser uma instituição sem fins lucrativos, o centro está aberto a pessoas que, de maneira voluntária, estejam dispostas a contribuir, seja dando aulas de samba de raiz, violão, música e dança, ajudando a exibir os diversos documentários que temos, preparando comida ou desenvolvendo qualquer atividade que estiver dentro do nosso escopo. Todas as sextas-feiras, às 18h30, temos uma roda de tradição, aberta para capoeiristas de todos os estilos e escolas que quiserem jogar ou apenas assistir e matar a saudade. A partir da divulgação do nosso trabalho e da apresentação de novas ideias, muito pode ser realizado.

Para mais informações, acesse www.capoeira-angola.com.au e www.projectbantu.org.

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Vamos ajudar o Mario Lopes (Libanês)

See an English version below

Muitos já sabem, outros não, portanto, vamos ajudar a divulgar.

Mario Lopes, 33 anos, também conhecido como Libanês, estudante que vive há quatro anos na Austrália e mora em Bondi com a namorada e um flatmate, está precisando da ajuda de todos nós.

Let´s Help mario Lopes

Mês passado, em 12 de outubro, ele foi diagnosticado com câncer no testículo esquerdo. A cirurgia foi bem sucedida, mas como o câncer já havia se espalhado para alguns linfonodos (felizmente sem alcançar os órgãos vitais do corpo), ele precisou iniciar imediatamente a quimioterapia, antes mesmo de fazer nova cirurgia para retirada do câncer que ainda resta.

O plano de saúde tem coberto várias despesas médicas, às vezes não na totalidade mas devolvendo parte do dinheiro; a namorada, os amigos e a família estão ajudando com o aluguel, alimentação e os gastos do dia a dia; porém, o problema está sendo justamente no que ele mais precisa neste momento: a quimioterapia.

Cada lote de drogas custa $1.300, sendo que serão três ciclos de quimio ($3.900). Além disso, tem outra droga custeada pelo governo que custa somente $25, mas que para quem não é residente permanente ou cidadão australiano o preço é $2 mil. O Mario tomará duas dessa, o que significa mais $4 mil, totalizando, por ora, $7.900.

Por isso, estamos pedindo para que todos colaborem com o que podem, seja $10, $20, $50, $100, $200, o que for. É somar para ajudar, e divulgar. Abaixo seguem os dados bancários e o histórico da doença.

Mario Augusto G Lopes
Commonwealth Bank

BSB: 062124
Account: 10923881

Visite a página no Facebook e ajude a divulgar

Histórico
As dores no testículo começaram entre maio e junho deste ano, e a partir de julho também estavam nas costas. Como trabalha na obra, achou que fosse por conta disso.

No início de agosto ele foi a um médico, que suspeitou de pedra no rim. Fez exame e o rim estava normal. Em 20 de agosto foi a um urologista, que pensou se tratar de varicocele (dilatação nas veias). Em vez de pedir exames, o médico, achando que só porque é estrangeiro não teria dinheiro pra pagar (infelizmente, muito comum por aqui), apenas receitou os “Panadois” de sempre.

Com as dores mais concentradas nas costas, em setembro o Mario iniciou tratamento com o Marquinhos, osteopata conhecido dos brasileiros de Sydney, que suspeitou de hérnia de disco.

No meio de setembro, ele pediu um tempo no trabalho, pois não aguentava mais as dores. Está sem trabalhar desde então.

Na primeira semana de outubro as dores estavam ainda mais fortes e, no dia 9, pediu para o Marquinhos solicitar uma ressonância. Dia 10 o responsável pela ressonância ligou para o Marquinhos dizendo que as costas e a hérnia estavam normais, porém que havia identificado um linfoma. Marcaram na hora um especialista.

No dia 12 de outubro, o urologista viu a ressonância, examinou e diagnosticou “câncer no testículo esquerdo”, marcando a cirurgia de remoção do testículo para 18 de outubro.

Dois dias antes, em 16 de outubro, alguns exames pré-operatórias detectaram que o câncer já havia deixado o testículo e se espalhado.

Este câncer possui três estágios (fonte: The Cancer Council NSW):
1. Quando é encontrado somente no testículo.
2. Quando se espalha para os linfonodos no abdômen ou pelvis.
3. Quando se espalha além dos linfonodos para órgãos vitais do corpo como pulmões e fígado.

O do Mario está no estágio dois, se espalhou pelo abdômen e pelvis, mas na parte de trás, por isso as dores nas costas, e também no pescoço – felizmente sem chegar a nenhum órgão vital. A biopsia acusou 85% não-seminoma, 10% seminoma e 5% de “uma mistura”.

Em 2 de novembro, o oncologista foi categórico: “Não tem cirurgia antes da quimioterapia”.

Mario fez mais uma bagatela de exames para saber se estava tudo em ordem para iniciar o tratamento. Na madrugada de 4 para 5 de novembro, ele sentiu muita dor no rim e, por sorte, no dia 5, já estava marcado exame do rim. O resultado mal saiu e ele foi direto para a emergência do hospital. Um dos linfomas havia bloqueado a saída de um dos rins, impedindo a passagem da urina. Ele ficou até quarta-feira à base de analgésicos para suportar as dores e fez uma cirurgia para colocar um “stent”, espécie de tubo que abriu caminho para o rim voltar a funcionar normalmente e ele poder iniciar a quimioterapia, que já estava marcada para 12 de novembro.

E nesta segunda-feira, dia 12, ele iniciou o primeiro dos três ciclos de quimioterapia que terá de fazer, com duração de quase um mês cada.

A pergunta que alguns farão: Mas por que ele não se trata no Brasil?

Como viram, não deu tempo. Tudo foi muito rápido e agora é correr contra o tempo para levantar o dinheiro e tirar a questão financeira da frente para o Mario poder concentrar somente na quimio e na recuperação.

Portanto, pessoal, é hora de ajudar!

Força, Marião!

ENGLISH VERSION

Mario Lopes, 33 years old, also known as Lebanese, is a Brazilian student in need of your help! He’s been living in Australia for about 4 years, in Bondi, currently with his girlfriend and a flatmate!

Last month, on October 12th, he was diagnosed with cancer in his left testicle. The surgery was successful, but as the cancer had spread to some lymph nodes (fortunately not reaching any vital organs) he had to start chemotherapy immediately, even before the next surgery to remove the cancer remains.

The health plan has covered various medical expenses, sometimes reimbursing part but not all the money spent; also his girlfriend, close friends and family are helping with rent, food, etc… However the biggest problem is what he needs most: CHEMOTHERAPY

Each batch of drug costs $ 1,300, which will be three cycles of chemo ($ 3,900). Moreover, he needs another drug, when funded by the government it only costs $ 25, but for non permanent residents or Australian citizens the price is $ 2000 and Mario needs two, which means extra $ 4,000, totaling for now, $ 7,900.

Therefore, we are asking for everyone to collaborate with whatever they can, it may be $ 10, $ 20, $ 50, $ 100, $ 200!

Whatever you are willing to donate will be helpful.

Please find below the bank details if you want to donate any value.

Mario Augusto G Lopes
Commonwealth Bank
BSB: 062 124
Account: 10923881

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