Crise dos Tomates – O Fim do Mundo

Marcelo Freixo Rio

A crise da banana (no bom sentido, é claro) de 2011, que elevou o preço de $2 o quilo para cerca de $20 após a devastadora passagem do ciclone Yone por Queensland, é justificável, afinal, atingiu 3/4 da produção de bananas da Austrália.

Mas que catso acontece com o famigerado tomate cujo preço do quilo, nas últimas semanas, subiu para $8 nas grandes redes de supermercado e chega a 12 merréis em praças como, Dulwich Hill, por exemplo, segundo o grande Edgee Ribeiro?

Pelo o que ouvi de um plantador de beterraba da vizinhança, a culpa é de North Queensland sempre Queensland, mais precisamente de Bowen (o que imagino ser a capital australiana do tomate), área rural que tem apresentado péssimas condições para o crescimento dos tomateiros.

Mas precisa subir tanto?

Sendo o tomate um fruto (isso, fruto, não legume) originário das Américas do Sul e Central que tem seu cultivo historicamente ligado a alguns povos pré-colombianos, entre eles os maias (aquele mesmo do calendário), me assusta o que pode significar – se fizermos uma leitura um pouco mais profunda – a crise dos tomates em pleno 2012, ano de Corinthians, Chelsea, Celso Russomano e Andy Murray. Início do fim do mundo? Confirmação das predileções de Nostradamus? De qualquer maneira, não quero pagar pra ver (literalmente).

Mas eu precisei!

Sem me dar conta de que estávamos em plena crise dos tomates, anteontem fui ao supermercado comprar os ingredientes para fazer uma moqueca na terça e uns burritos na quarta. Ou seja, na mais econômica das hipóteses, seriam necessários ao menos um tomate grande para a moqueca, um médio para o guacamole e outro médio para refogar com a carne moída.

Após comprar praticamente todos os insumos da moqueca, eis que me defronto com o grande monstro de bolas vermelhas: a gôndola dos tomates. O preço, $8, era praticamente um silvícola maia salivando para uma virgem donzela em pleno ritual de sacrifício humano. Pior, nem vermelhos eram os monstros, mas laranjas, pois os tomates ainda estavam duros e nada maduros.

Como eu já carregava o restante das compras na minha sacola ultra-ecológica feita com fibra de piolho criado sustentavelmente no rabo do coala-leão-dourado, apertei alguns tomates, observei outros, cherei, fiz embaixadinhas, dei um “pedala, Robinho” num australiano que passava, tornei a observá-los, pesei, enfim, fiz o diabo pra tentar achar a melhor relação três-tomates-custo-benefício.

Quatro dólares e noventa e oito centavos depois – em tomates -, fui pra casa iniciar a moqueca.

Nunca tive tanto zêlo para cortar um tomate. Afiei a faca, abaixei a música, fechei a janela para impedir a ação do vento, deixei para abrir a cerveja depois e, mais importante, inverti a cronologia, passando o tomate na frente da cebola para evitar que as lágrimas prejudicassem a operação. Deu certo, consegui cinco belas rodelas e o mínimo de desperdício.

Pablito 1 x 0 North Queensland.

Ontem à noite, quarta, a operação foi ainda mais delicada, pois envolvia dois tomates, cervejas e, claro, uma branquinha, pois comida mexicana em casa pede cachaça.

Infelizmente, com alguns motivos para comemorar, não me preocupei muito com a ordem dos fatores e fui logo iniciando os trabalhos com cerveja, cachaça e o preparo do guacamole, o que envolveu o tomate número dois. Até que foi tranquilo.

O papo com a Lu estava bom, Rubén González apavorava ao piano, cortei a cebola e a cenoura, esmaguei o alho, comecei a refogar, subiu aquele aroma típico de Brasil, coloquei a carne moída, mexi, mexi, dá-lhe cerveja neozelandesa (Monteith´s, recomendo), cachaça Claudionor (obrigado, Luiza), Rubén González tocando Almendra, juntei o tempero mexicano, deixei curtir um pouco e, quando estava praticamente tudo pronto, olho para o lado e quem está lá, esquecidão, solitário e amargurado?

O nosso amigo tomate número três, provavelmente algo em torno de $1.78. Aquilo foi praticamente um tiro no peito em um filme do Terence Hill e Bud Spencer, daqueles que voava tomate e cat-chup pra todo lado. Confesso que quase chorei. Pô, depois de toda a epopeia econômica no mercado, do zêlo na primeira noite, da devoção na segunda, simplesmente abandonei o danado.

Resultado final:

Pablito 2 (tomates) x 8 (dólares o quilo) North Queensland.

É o fim do mundo!

Curtiu o post? Compartilhe =)
Facebook Twitter Email Linkedin Digg
Posted in Crônica, Vinho, Cerveja & Gastronomia | Tagged , , | 2 Comments

Exílio futebolístico

Prestes a completar cinco anos nesta distante ilha, cheguei a uma conclusão óbvia pero no mucho: viver na Austrália é um grande exílio… futebolístico.

É verdade!

Semana passada, no pub em que passava Austrália x Japão, jogo válido pelas Eliminatórias da Copa 2014, um dos poucos que prestavam atenção e torciam perguntou para o amigo se o jogador australiano que deixava o gramado contundido poderia retornar mais tarde à partida, como acontece no rugby, basquete, vôlei…

Ao ouvir que não, a resposta foi imediata: bloody soccer!

Para nós, brasileiros que crescemos bombardeados de futebol todas as quartas e domingos, sábados e quintas (terças e sextas somente para os torcedores que já passaram pela Segunda Divisão), inicialmente o exílio faz bem, pois desintoxica a mente e o coração, principalmente daquele horror diário que são 94.7% dos programas esportivos da TV e todas as mesas redondas dominicais.

Depois, passamos por um processo de redimensionamento futebolístico, quando percebemos que, conforme desconfiávamos, o futebol não é e jamais poderia ser considerado a coisa mais importante na vida das pessoas, a ponto de irem a treinamentos para cobrar jogador em horário que deveriam estar trabalhando, espancarem desconhecidos pelo simples fato de usarem uniformes adversários e , claro, matarem por futebol.

Importante: por futebol, o máximo que dá pra matar é aula, e somente em caso de semifinal ou final de Libertadores da América.

O estágio seguinte, também parte do redimensionamento futebolístico, é a autocrítica, que num português claro significa descer do pedestal, baixar o salto alto e tirar a máscara. E isso, que serve tanto para torcedores como para jogadores, técnicos, dirigentes e jornalistas, passa pelas seguintes conclusões:

- Há tempos a Seleção Brasileira não é a melhor do mundo.
- Há tempos o futebol brasileiro não é o melhor do mundo.
- Há tempos ninguém mais nos vê das duas maneiras acima (exceto nós mesmos).

Dito isso, também descobrimos a pobreza que é o nível da discussão no país, das entrevistas vazias que nada dizem às polêmicas de mentirinha inventadas para segurarem audiência. Discutirem tática e aspectos mais técnicos então, “é coisa de nerd”, como referem-se a jornalistas que realmente entendem do assunto e tentam elevar o nível como os poucos Paulo Vinicius Coelhos da vida.

Circo fora de campo, palhaçaca dentro. E a Seleção Brasileira é o melhor exemplo. Nas últimas duas Copas do Mundo, não tivemos um time, um conjunto, apenas um amontoado de jogadores que dependiam do lampejo individual de alguns poucos craques para decidirem as partidas. Obviamente, não deu em nada.

Já em 2002, sem tantos nomes e sob total desconfiança, a coisa funcionou com um grupo coeso e uma mentalidade forte, que trabalhava dentro de um esquema que construía as jogadas para os dois únicos craques – Ronaldo e Rivaldo - resolverem, o que é muito diferente de jogar desorganizadamente aguardando que um dos dois decidem. Resultado: vencemos os sete jogos.

Questionamentos e reflexões mais profundas sobre o rumo que a seleção e o próprio futebol brasileiro seguem, no momento, são fundamentais para evitar um novo fiasco para não dizer Maracanazo daqui a dois anos.

Passada a autocrítica, vem a fase que os estudiosos chamam de footballsick, palavra que deriva da famosa homesick, que nada mais é do que a saudade de casa (no caso, do futebol de casa), que é a simples vontade de assistir ao time do coração ou simplesmente ver bons jogos em horários razoáveis (falo razoáveis porque os daqui, em função do fuso, são dignos de exílio).

Em tempo sobre o horário da Globo: nada mais absurdo do que jogos de futebol às 22 horas de quarta-feira que terminam à meia-noite, para o cara chegar em casa à uma, ir dormir às duas e acordar às seis. No mínimo, falta de respeito!

Voltando ao fuso, ele, juntamente com a televisão e a cultura local, formam o alicerce que fazem da Austrália um exílio futebolístico.

Rodada dominical do Brasileirão, por aqui, é 5 horas da manhã de segunda-feira. Libertadores às quartas é 11 da mahã de quinta. Eurocopa, que está acontecendo neste exato momento, tem jogos diários às 2h e às 4h45 da manhã. E, pior, não querem que a gente os veja.

É verdade!

A elite anglo-saxônica por trás de esportes como Rugby League, AFL e críquete morrem de medo do futebol (ou soccer, como pejorativamente insistem em chamá-lo). Eles, juntamente com as emissoras de televisão mais poderosas fazem um grande lobby para deixar o futebol longe da TV aberta. Assim, é praticamente impossível ver uma boa partida em casa sem ter TV por assinatura. Nem mesmo a seleção australiana jogando contra o neo-arqui-rival Japão, em partida de Eliminatórias, como a da semana passada, é transmitida na aberta. Não por acaso, tive de fazer um grande sacrifício e ir ao pub tomar meia-dúzia de Guinness em plena terça-feira.

O que talvez tenhamos a partir da próxima temporada da A-League, o fraquíssimo certame local, é a transmissão de um jogo ao vivo por rodada pela SBS, que é canal aberto. Pequeno passo para os exilados, mas grande salto para o futebol australiano, que, no final das contas, é o que interessa. Afinal, sempre temos a opção de reconciliação com a pátria-mãe, de aparar as arestas e voltar pra casa. De preferência, com o futebol brasileiro num caminho melhor.

Texto da Edição Marley & Nós da Newsletter #5

Curtiu o post? Compartilhe =)
Facebook Twitter Email Linkedin Digg
Posted in Brasil, Crônica, Esportes, Newsletter | Tagged , , , , | 5 Comments

Trânsito de Vênus e a frustração do Cometa Halley

Texto publicado na Edição Cometa Halley #3 (ops, Vênus) da Newsletter.

A maior frustração da minha infância para não dizer engodo atende pelo nome de Cometa Halley.

Bem, na verdade ele vinha em segundo, atrás da derrota para a Itália na Copa de 1982. Porém, após leitura de O Trauma da Bola, coletânea de crônicas do João Saldanha que mostra por A + B que a máquina do Telê não era tão perfeita como ficou no nosso imaginário, o famigerado cometa que só passa a cada 75 a 76 anos assumiu o posto com toda a pompa e circunstância.

Pompa e circunstância pelo fato do Halley ter voltado à minha cabeça nesses últimos dias por conta de Vênus, o planeta que fez este continente em que vivo ser batizado de Austrália e não de Nova Lisboa do Sul, République sud-napoléonienne ou Van Basten.

Explico!

Se não fosse a rara passagem de Vênus pelo sol ocorrida em 3 de junho de 1769, igual a que tivemos hoje, a probabilidade da Austrália ter sido colonizada por portugueses, franceses ou holandeses seria muito maior do que por ingleses.

Mas devido ao raro fenômeno, a Inglaterra enviou o intrépido Capitão Cook para a recém-descoberta ilha do Taiti, no Pacífico, para medir a distância exata da Terra ao sol, o que seria uma revolução imensurável para a navegação e a astronomia.

Porém, com o tempo nublado, Cook não viu porcaria nenhuma e rumou ao sul, onde descobriu, de supetão, Nova Zelândia, Austrália e uma penca de ilhotas que lhe renderam fama eterna e fortuna temporária, já que foi morto a pauladas pelos nativos do Havaí, em 1779.

anos 80

Pois bem, voltando ao Halley, lembro-me iniciando o ano letivo de 1986, 3ª série no Nossa Senhora das Graças, feliz da vida com estojo do Cometa Halley, caderno do Cometa Halley, lancheira do Cometa Halley e mochila do Cometa Halley.

Conforme se aproximava a passagem do fenômeno (refiro-me ao cometa, Ronaldo só chegaria em 1993), me equipei com mini-luneta de plástico, do Halley, adesivos fosforescentes para grudar no teto do quarto em formatos de estrelas, planetas, luas e, claro, do Cometa Halley, álbum de figurinha com toda a família Halley (sim, humanizaram o cometa e criaram amiguinhos) e, por último, mas não menos importante, galocha amarela do Cometa Halley na hipótese de haver alguma colisão e dar merda.

Entre fevereiro e abril, os meses em que o cometa estaria mais visível pelas bandas da Terra, veio a grande frustração mundial ao perceberem que, de 1910, data da passagem anterior, a 1986, o planeta havia mudado.

Muito mais urbana, a Terra já se tornara um oásis de luz artificial e poluição na galáxia, o que significa que, exceção feita aos cientistas da Nasa, aos funcionários dos observatórios e planetários mundo afora e ao Chininha, meu vizinho mentiroso do 23B, ninguém viu necas de pitibiriba (para usar um termo da época).

anos 80

Desta vez, com Vênus, a coisa foi diferente.

Com dia e hora marcados para começar e acabar mais britânico impossível, teve até passeio de barco promovido pelo Observatório de Sydney em conjunto com a empresa de barcos Captain Cook Cruises (ele mesmo!). Na verdade, criaram um forfé com direito a café da manhã por $55 ($15 extra para sentar na janelinha).

Outra opção foram os aplicativos para iPhone e iPad, além das transmissões online, que obviamente não existiam em 1986 e prometiam tudo ao vivo com total conforto e segurança.

Sim, segurança, e aí veio o fato mais decepcionante dessa história.

Os astrônomos alertaram para não olharmos diretamente para o fenômeno, pois poderia causar sérios danos à vista; recomendaram o uso de telescópio solar, binóculo solar ou óculos solar; e, pasmem, condenaram o uso de raio-x como proteção, pois também poderia fazer mal aos olhos.

Como assim?

revista nova anos 80

Sou da geração Halley-Coca-Cola-Magda-Cotrofe, crescemos olhando para o céu com chapas de pulmão e braços quebrados para proteger os olhos! No caso do meu prédio, durante os dias em que o cometa estaria mais visível, era uma espécie de Super Trunfo versão hospitalar:

- O que você tem aí?
- Dedinho lascado.
- Marica! E você?
- Entorse no joelho.
- Quebrou?
- Não, foi só um entorse.
- Fraco! E você?
- Duas costelas quebradas.
- Hummmm… (a turma toda).

Aí aparece Duda, do 44A, com um raio-x que parecia o Esqueleto, o arqui-inimigo do He-Man, após embate com o Mentor.

- O que é isso?
- Caí do tanque de areia quando era pequeno e trinquei o crânio.

Sim, foi o grande vencedor!

anos 80

Bem, independentemente de chapa do pulmão, aplicativos para iPhone e transmissão da NASA, quem viu, viu, que não viu, agora Trânsito de Vênus somente em 2117 e Cometa Halley em 2062. Distantes, mas mais fáceis de serem vistos do que a Seleção Brasileira jogar como em 1982.

Gostou? Preencha os campos da barra lateral (lá em cima) e receba a Newsletter semanalmente.

Leia também:
Edição de Estreia #1 da Newsletter
Edição Verde #2 da Newsletter

Curtiu o post? Compartilhe =)
Facebook Twitter Email Linkedin Digg
Posted in Brasil, Crônica, Newsletter | Tagged , , , | Leave a comment

Ode ao hambúrguer

Quando me perguntam a comida que mais sinto falta na Austrália, a resposta é automática: hambúrguer. No caso de um australiano me perguntar, a resposta é rembugááár (tipo Steve Matin/Inspetor Clouseau).

Não que eu seja um Dudu do Popeye, longe disso, mas o fato é que hambúrguers fazem parte do meu DNA gastronômico – no caso, cromossomos XX, com bastante queijo -, e por aqui, infelizmente , jamais encontrei um hambúrguer que satisfizesse minha tradição brasileira-paulistana, herança direta da (ENAHPFF) Escola Norte-Americana de Hambúrguer Pré-Fast Food.

Sim, meus amigos, me doi, me custa, mas sou obrigado a admitir que neste quesito eles mandaram muito bem. E, não, meus amigos, hambúrguer aqui na Austrália é muito fraco.

Para entenderem a minha genética, sou paulistano e morava a uma distância andável de templos como Hamburguinho, The Fifities, Hamburgueria Nacional, Joakins, America, General Prime Burger e Stop Dog, só para citar alguns. Nas noites de final de semana, eu era proibido de entrar em casa sem antes passar no Burdog, onde se faz a melhor maionese do hemisfério sul.

Quando fui morar em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, o tal do 2001 com X-gigantescos contendo hambúrguers de alta gramagem, queijos saindo pelo ladrão, batata palha e toda sorte de acompanhamentos que, só de olhar, já se adquiria 300 calorias, era praticamente um ritual de passagem.

Em Floripa, onde vivi na sequência, o hambúrguer não tinha a mesma magia, mas era igualmente grande e trazia a peculiaridade do milho e da ervilha, que funcionavam bem e davam um ar menos trash mais saudável.

Já por essas bandas…

O erro aqui começa por uma inexplicável obsessão por beterraba. Sete em dez hambúrguers australianos têm beterraba. Por que? Nem eles sabem! O pão, preciso ser justo, é muito bom, os panificadores locais são realmente craques nisso, mas na hora de criar a coisa, juntar os ingredientes e colocar para funcionar, eles simplesmente não conseguem dar liga.

Não sei qual é a razão, mas 8.5 em 10 hambúrguers daqui são secos e o 1.5 restante é intraduzível.

A situação chegou a tal ponto que toda vez em que o controle remoto da minha TV passa pelo Seinfield, preciso seguir adiante, pois invariavelmente os personagens estão na lanchonete e sempre que vejo as duas bisnagas vermelha e amarela fico home-burger-sick.

Até hoje, o único hambúrguer que honrou as tradições paulistanas por essas bandas foi um caseiro feito pelo amigo Alê Rubial, que não por acaso era vizinho em São Paulo e criado na mesma maionese do Burdog.

Quando a vontade é muito grande, recorro a somente três opções: fazer eu mesmo, o que resulta em um hambúrguer honesto mas longe das tradições paulistanas; o Moo, rede da vaquinha onde garimpando acha-se alguns bacanas; e o The Local, um dos melhores pubs de cerveja de Sydney, que trabalha com uma variedade incrível e, de quebra, faz uns hambúrguers surpreendentemente gostosos. Pelo conjunto da obra (leia-se pela cerveja e-t-u-p-e-n-d-a), é o meu preferido.

The Local Taphouse, Darlinghurst

E feliz 28 de maio, Dia Internacional do Hambúrguer!

Curtiu o post? Compartilhe =)
Facebook Twitter Email Linkedin Digg
Posted in Crônica, Vinho, Cerveja & Gastronomia | Tagged , | 6 Comments

Patrick e a primeira convocação

Não, não estou fazendo lobby para o Mano Menezes convocar o meu sobrinho para a Seleção Brasileira, muito menos sugerindo que o nosso insípido comandante escale um quadrado mágico com Kaká, Ganso, Neymar e Patrick.

Até porquê, com essa graça, ele não teria muito futuro como jogador de futebol no Brasil. No máximo, nas seleções de vôlei, basquete ou handball do país, mas sempre com um apelido, algo como Patrick Varejão, Patrick Coalão ou coisa parecida.

futebol para crianças

Por aqui, até poderia dar samba, mas em esportes com bolas não redondas e traves não retangulares, já que o futebol ainda caminha a engatinhadas nada largas.

Mesmo assim, eu, enquanto tio (na verdade, Uncle Tio), jornalista, dirigente esportivo nas horas vagas e co-autor do hino do Itacaré Futebol Clube…

Pausa para trecho do hino composto em parceria com o amigo Rafael Cury:

Com os pés na areia cantemos com altivez / O nascimento de um clube na Bahia / Gritemos juntos chegou a nossa vez / Fazer histórias de conquistas todo dia / Itacaré, Itacará Itacaré, terra de sol, cacau e futebol / Itacaré, Itacará Itacaré, o seu orgulho é o nosso futebol.

Retomando: foi no auto deste labor futebolístico que no último sábado assisti ao terceiro treino do Patrick, meu sobrinho de três anos e meio geograficamente distribuídos entre uma metade australiana, uma metade brasileira e o restante entre o Uruguai e a Croácia (sim, sou péssimo em matemática).

Zeloso, comportei-me de maneira bastante neurótica (praticamente uma versão Nelson Rodrigues da Gloria de Modern Family), atitude totalmente justificável se levarmos em conta o risco de perdê-lo para os verdadeiros esportes nacionais com rugby, críquete e AFL.

Assim, enquanto todos os pais assistiam anglo-saxonicamente os filhos com aplausos, sorrisos e uh-hus de incentivo, eu colocava em prática a doutrina sul-americana, o que significa berros e mais berros fora de campo, em português, ignorando completamente o que os dois professores diziam (sim, aqui são necessários dois).

A coisa foi mais ou menos assim.

O Patrick esboçava agachar para pegar a bola com a mão, eu logo via atrás dele o fantasma do rugby e esbravejava: mão não, Patrick, mão não! Sem entender direito, ele olhava pra mim, e eu imediatamente dizia: chuta, Patrick, chuta, sempre com os pés!

escolinha de futebol em Sydney

No exercício de dribles, que eles deveriam conduzir a bola e passar por um cone, não tive dúvida: pedala pra cima do cone, Patrick, pedala pra cima do cone! A Georgia, irmã de mesma idade – apenas doze minutos mais velha – não entendia nada.

O treino continuou e passou a chute a gol. A ordem era se aproximarem da meta e comemorarem quando conseguissem colocar a bola pra dentro. Eles marcavam, mas na hora de partir para o abraço, mais uma vez era aquela coisa anglo-saxônica, chata, saltinho simples com os dois braços pra cima e, no máximo, um gritinho tímido.

Pô, os caras acabaram de escorar, é o que melhor podem fazer numa partida de futebol. Mais do que isso, até o dia em que começarem a namorar, será o supra-sumo de suas existências, portanto, precisam por emoção nisso.

Patrick, dá peixinho, Patrick, se joga na grama, crie uma dança, jogue capoeira (sim, ele agora também é capoeirista), enfim, comemora, Patrick, é gol, pô.

futebol na Austrália

futebol brasileiro

futebol em Sydney

Mensagem captada e não só por ele!

No exercício de tentar chutar a bola pra longe, quase parti pra cima dos professores. Aonde já se viu, ensinar nessa idade a isolar a bola? Sabem quando o Falcão teve uma aula dessas? Nunca! Mas pensando em Taça Libertadores, sofrendo pressão do Boca em La Bombonera, aos 40 minutos do segundo tempo, achei que poderia ser útil. Relevei!

Por último, mas não menos importante, Patrick foi selecionado para disputar o “coletivo” com os mais velhos. Sua primeira convocação oficial. Para não acirrar os ânimos, semear a discórdia ou mesmo causar traumas psicológicos no meu sobrinho, optei pelo silêncio e assisti ao mini-prélio apenas com aplausos, sorrisos e uh-hus de incentivo (espécie de Xavante de Birmingham).

Na volta pra casa, pensando em criar uma cartilha pra ele com noções básicas divididas em módulos como “Da teoria bretã à prática de Charles Miller – Para pintar”, “O Pentacampeonato de Gilmar dos Santos Neves a Ronaldo Nazário – Recorte e colagem” e “Dunga a Cocito, o futebol que não queremos – Esculturas com sucatas e argila”, passei a considerar uma retomada das minhas sessões de terapia.

futebol na Austrália

Curtiu o post? Compartilhe =)
Facebook Twitter Email Linkedin Digg
Posted in Crônica, Esportes, Newsletter | Tagged , | 1 Comment

Newsletter PablitoAustralia e vinho de Margaret River

Semana que vem lançarei um novo produto do blog, na verdade, uma newsletter.

Ela será semanal, vai ser enviada entre quinta e sexta-feira (horário de Sydney) e inicialmente trará, entre outros conteúdos, dica de vinhos, fotos, a poesia do grande poeta e amigo Paulo Bomfim, além de texto meu que poderá ser crônica, entrevista, notícia ou algo do tipo.

Paddington

Três senhores em alguma esquina de Woollahra, Sydney.

Para receberem, basta preencherem os campos ao lado. Se preferirem, mandem email com nome, sobrenome e país onde moram que já farei o cadastro manualmente.

Bem, aproveitando que hoje é sexta-feira, para entrarem no clima do final de semana e da newsletter, segue dica de vinho que experimentei essa semana e recomendo muito.

Vinho de Western Australia

Woodlands é o nome do produtor, famoso na região de Margaret River, em Western Australia, por fazer vinhos de boa qualidade em pequena escala.

Para quem quiser uma boteja para tomar nesses dias ensolarados de frio, típicos do outono, o Chardonnay 2011 não tem erro. Ele sai por cerca de $24 na Dan Murphys, traz um equilíbrio perfeito entre o frutado do Chardonnay com um toque leve de madeira, nada exagerado, e um mineral de fundo. Chardonnezão pra começar a tarde.

Chloe Chardonnay, a linha acima, é fantástico, mas custa um pouco mais do que o dobro, portanto, nem percam tempo (apesar de valer o preço).

Também gostei do fato dos caras produzirem uvas como a Cabernet Franc – nada muito usual por essas bandas -, que misturada com a Merlot resultou em um vinho estilo Bordeaux bem interessante (Woodlands Cabernet Franc Merlot 2011).

Eu não o recomendaria para ser tomado agora, ele ficará melhor daqui a uns poucos anos, mas se o encontrarem de uma safra anterior (2010 ou 2009), vão sem medo. Também sai pelos mesmos $24 e é perfeito para ser aberto na sequência do Chardonnay, ou então, para aqueles que preferem começar a jornada já no tinto, é ele.

Emily, Margaret e o Cabernet Sauvignon, tintos de linhas mais acima e muito bons, têm a peculiaridade de trazerem a uva Malbec em seus cortes, o que também não é usual por aqui. Ou seja, o produtor está tentando fazer algo diferente e tem conseguido. Pontos pra ele!

Malbec argentino

Falando em Malbec, estou para escrever sobre esse vinho desde que estive no Brasil, há algumas semanas.

O negócio é o seguinte: mulheres, vocês vão amar o Altos del Plata Malbec 2010, produzido pela Terrazas, argentino bem popular por aí.

Sério!

Se tiver qualquer almoço, jantar, chá- de panela, rega-bofe, forfé, enfim, qualquer desculpa para tomar um tinto descompromissado, esse é o cara, pois além de ser bastante frutado e leve, é um Malbec feito sem o ranço de passar longas temporadas em carvalho. Bem feminino!

E o que é melhor: custa por volta de R$35, no máximo!

Príncipe dos poetas

Bom, prometo que na newsletter as dicas de vinho serão mais enxutas.

E já que terminamos com vinho e mulher:

“Apago a luz. Invento a noite.”
Paulo Bomfim

Não deixem de se cadastrarem!

Curtiu o post? Compartilhe =)
Facebook Twitter Email Linkedin Digg
Posted in Crônica, Fotos, News, Newsletter, Vinho, Cerveja & Gastronomia | Tagged , , , , | Leave a comment