Uma sociedade cujos valores estão baseados na cultura do consumo desenfreado e que, ainda por cima, incentiva o endividamento de sua população através de financiamentos a perder de vista, dificilmente vai conseguir se livrar da mentalidade dos tempos da senzala.
Poucos feitos na história recente do país foram tão importantes como a chamada ascensão da classe C, que proporcionou um mínimo de dignidade a milhões de brasileiros em todo o país.
O problema, porém, está na base. Ascende-se economicamente, mas não em ensino, instrução, educação e cultura (e isso também aplica-se para as classes B e A).
Com a quantidade de televisão que se assiste por aqui, a infinidade de novelas diárias que passa na emissora de maior audiência, forma-se uma massa passiva sem a menor capacidade para discernir, e muito menos para pensar.
Tempere isso com doses cavalares de incentivo ao consumo desenfreado e ao endividamento através de financiamentos a perder de vista nos intervalos, e o resultado é uma população desesperada para adquirir todo e qualquer supérfluo que chega ao mercado. E neste meio tempo, claro, gol do Brasil!
Vive-se numa imensa bolha de consumo e, por estar dentro, não se faz ideia do que acontece e onde está. Apenas segue-se em frente, comprando e nunca satisfeito, afinal, sempre vai achar que precisa de mais. Um dia essa loucura vai estourar.
A economia do Brasil vai bem, obrigado. O país já não come somente o frango do Real, mas se delicia com peru, pernil e um bom filé de carne. O problema típico de emergente é que já está arrotando caviar.
Dinheiro é bom, adquirir coisas é legal, adoro comprar vinho, viajar, mas senso de valor (no sentido mais amplo, não apenas no monetário) é fundamental.
Estudar, acumular conhecimento e instruir-se, principalmente pensando nos anos que estão pela frente no país, é disparado o melhor investimento. O cara que tem um carrão zero parcelado em 50 vezes e não aprende inglês ou faz uma especialização porque está sem grana, é um idiota.
Todos sabem da quantidade de trabalho que tem e terá por aqui nos próximos anos por conta do crescimento econômico, Copa do Mundo e Olimpíadas, em especial para as pessoas capacitadas, com bons currículos.
Sempre fomos o país do futuro e parece que chegou a hora.
Mas de nada vai adiantar sermos a nação mais rica do planeta, se ainda tivermos empregada doméstica chegando de carro na casa da patroa, trabalhando com o último modelo de iPod no ouvido e pensando na próxima geladeira que vai comprar, se ela ainda tiver que subir pelo elevador de serviço.
O que adiantou ela ascender economicamente, se a mentalidade do país ainda está entre a senzala e um modelo de consumo que não vai levar a parte alguma?
O Brasil tem a faca e o queijo nas mãos, a hora é agora para dar educação ao povo, que já não está tão desesperado de fome. Em vez de arrotar caviar, é hora de ensinar a fazer.


Nao entendi Pablito.
Você vive na Austrália ou no Brasil?
Abs,
Oi, Antonio, atualmente moro na Austrália, mas estou de passagem pelo Brasil.
Um abraço!