Dez anos depois, volto ao Rio, agora tecnicamente casado. A base? Laranjeiras, onde a Lu nasceu e boa parte da família vive.
Do alto, o filho do Onipresente não disfarça o apreço que tem pelo bairro onde moraram figuras como Villa-Lobos, Cecília Meirelles, Portinari, Cartola, Ronaldo Bôscoli e, claro, a princesa das palmeiras imperiais, Dona Isabel.
Por terra, a instituição predominante é uma só: Fluminense Football Club.
Tricolor em São Paulo, não tive qualquer problema em assumir o do Rio como clube carioca do coração desde nascência, até porquê não teria outra opção: a família da Lu é 100% Flu. E foi neste contexto que, no melhor estilo Ben Stiller, estreei com tudo na última quarta-feira.
Já em terras cariocas, acompanhei como um neo-fanático a emocionante vitória do Fluzão (se ligaram na intimidade?) sobre o forte Arsenal de Sarandí: 2 a 1 fora o baile, plério disputado na casa do inimigo, “em Arsenal”.
Orgulhoso com a elevada temperatura do meu pé e querendo fazer média com o sogro, assim que ele voltou do trabalho, mais de uma hora após o término do jogo, fui puxar papo. De fundo, uma partida de futebol passava na TV que, pelo avançar das horas, imaginei que fosse do Corinthians, também pela Libertadores.
O assunto, claro, Fluminense, e já entrei com Que vitória do Flu, hein seguido por Gol no último minuto é para matar do coração. Ansioso para continuar demonstrando o meu neo-amor ao clube do Cartola, não deixei o sogro falar e emendei um Teve até atacante adversário pegando pênalti nosso.
Neste momento, senti o primeiro calafrio ao ver que a partida na TV não era do Corinthians, e sim do Fluminense. O placar? 0 a 0. Levemente constrangido, ele comentou Aconteceu isso tudo? Deve ter sido um jogaço mesmo, vou continuar assistindo. Não preciso dizer que o calafrio se transformou em suor, certa tremedeira e início de pânico.
Deixei a sala com uma desconfiança do tamanho do Maracanã de que eu acabara de dar uma das maiores mancadas em verde, branco e grená dos últimos tempos.
Ao comentar com a Lu, a certeza de que me transformara no Ben Stiller das Laranjeiras.
É, Pablo, hoje o meu pai estava estreando o DVD gravador de TV que comprou na semana passada. Ele terminou de dar aula, tomou todo o cuidado do mundo para não saber o resultado do jogo e chegou em casa correndo para assistir inteiro, como se fosse ao vivo. Mas, pelo jeito, você acabou com a festa.
É, meus amigos, meu pé pode ser quente, mas certamente usei o esquerdo, pois estraguei tudo.
No dia seguinte, atravessei a Pinheiro Machado e fui ao campo do Fluminense pedir uma luz à Sua Santidade João de Deus, o padroeiro do clube. De quebra, declarei o meu amor incondicional à agremiação relevando a queda à terceira divisão e evoquei Gérson, o canhota dos Tricolores.
Imediatamente, veio forte a lembrança de um episódio da história do Santos Futebol Clube que eu havia escrito em 2002, num livro sobre o clube que talvez seja lançado neste ano por conta das comemorações do centenário do Peixe.
O personagem era Luiz Matoso, mais conhecido como Feitiço, o primeiro grande ídolo da torcida santista, que atuou entre 1927 e 1932 e depois voltou em 1936.
Além de notório craque, Feitiço também era conhecido pela raça e seu jeito explosivo. Numa decisão entre a Seleção Paulista e a Seleção Carioca, em 1927, no estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, ele foi protagonista do seguinte caso.
O placar mostrava 1 a 1 quando, aos 28 minutos do segundo tempo, o juiz Ari Amarante marcou penalidade máxima a favor dos cariocas. Revoltados, os paulistas passaram a chutar a bola para longe, toda vez que o adversário a posicionava na marca de pênalti. A confusão foi inevitável e o tumulto prosseguiu por uns quinze minutos, até que o presidente da República, Washington Luís, que assistia ao jogo na tribuna, enviou um oficial ao gramado ordenando que fosse cobrada a penalidade. Depois que Feitiço ouviu o recado presidencial, ele retrucou: “Diga à Sua Excelência que ele manda é no Palácio do Catete, e que, aqui em campo, mandamos nós.”
Em resumo: se até o presidente já passou por maus bocados por estas bandas, por que não este simples escriba?
A bênção João de Deus!
Ass: Ben Stiller das Laranjeiras


Ainda bem que o Ben Stiller não morou com os índios…
Kkkkkkkkkkkkkkkkk.
PS: Parabéns ao SP por passar pelo primeiro adversário, mas agora sou Santos. E to lançando anúncio procurando bom goleiro pro meu time – vc tem alguma recomendação? kkkkkkkkkk
hahahahahahaha
Valeu, Paulão!!!
Sem comentários o seu goleiro e, principalmente, a marra do seu time e do treinadorzinho.
Grande abraço!!!
hhahahahaha