Ontem (15:08 da terça-feira, horário de Brasília), no plenário 5 da Câmera dos Deputados, em Brasília, a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional realizou audiência pública para discutir o assassinato do Roberto Laudísio e a segurança dos estudantes brasileiros no exterior.
Entre os participantes, estiveram a avó do Roberto, dona Eurydice Laudísio, o tio, Domingos Laudísio, e a irmã que vive no Brasil, Maria Fernanda Laudísio.
Também participaram, a chefe do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior, ministra Maria Luiza Ribeiro Lopes da Silva, o técnico em assuntos educacionais da Secretaria de Educação Superior (SESu), Hilton Sales Batista, representando o Ministério da Educação, e o deputado João Ananias (PCdoB/CE), autor do requerimento.
Obviamente, não foi trazido nenhuma novidade sobre o caso, até porquê não era essa a intenção. Mas é fundamental que o assunto tenha sido levado à Câmara, principalmente com a presença dos familiares, uma vez que o assassinato não pode ficar por isso mesmo ou cair no esquecimento, muito menos se transformar em um novo caso Jean Charles de Menezes.
A avó, muito emocionada, não conseguiu falar. O tio disse que, pra ele, o único fato é a morte do sobrinho, o resto é especulação. Com isso, pediu aos responsáveis pelo julgamento que “sejam íntegros, justos e que demonstram que podem ser confiáveis”.
Em tempo: trust, fairness e integrity são os três pilares que sustentam o capitalismo democrático anglo-saxão. Sem eles, o sistema desmonta.
Já a irmã reiterou que os familiares mais próximos têm ignorado o que sai na mídia em relação ao caso, postura adotada desde o início, e questionou a maneira como o Taser foi usado, uma vez que foi contra diversas normas do Guia da arma.
Tenho uma cópia comigo e o que mais assusta é o treinamento necessário para um membro da polícia de NSW começar a usá-lo: 8 horas de instrução inicial divididas entre disparo de três cartuchos e exame escrito – que deve ser preenchido com mínimo de 80% de acerto. Depois, rua e recertificação anual.
As últimas horas do Roberto, entre o instante em que deixou Kings Cross de taxi e o momento em que foi morto na Pitt Street, são o grande gap da história. Somente o resultado da autópsia e das investigações – o que inclui a análise de todas as câmeras disponíveis nas ruas King e Pitt e nas duas lojas de conveniência -, poderá esclarecer. E com a palavra: a polícia de NSW.
A mesma polícia que passa por um péssimo momento, com grande perda de credibilidade junto à opinião pública devido não somente à morte do Roberto (o assassinato de um estudante brasileiro não seria suficiente pra isso), mas aos tiros em um shopping de Parramatta no final de semana seguinte, e em Kings Cross, no início de abril, com mais tiros pra cima de dois jovens aborígenes (neste caso, filmado por diversas pessoas com smart phones).
Por tudo isso, é imprescindível que membros do congresso brasileiro estejam acompanhando o caso, assim como o Itamaraty, elogiado pelo tio e pela irmã durante a audiência. Afinal, a família tem direito a um julgamento justo, íntegro e confiável – para usar as palavras do Domingos Laudísio -, e é importante que a polícia de NSW e as autoridades australianas saibam que o Brasil está de olho.