Vinho, Futebol e Samba

Neste sábado e domingo, no Hyde Park, acontece o Sydney Cellar Door, a maior feira de vinho ao ar livre da cidade. Mais do que isso, é também o início do NSW Wine Festival, que vai até 31 de março com o melhor do vinho de New South Wales, incluindo Canberra.

vinho australiano

Para falar sobre isso, estarei amanhã no programa de língua portuguesa da Rádio SBS, comandado pela Beatriz Wagner, que vai ao ar das 11 às 12h, na SBS TWO (97.7fm / 1107am – Sydney). Aos que gostam de sapecar umas botejas, não percam (frequências para outras cidades).

Também no programa, juntarei-me a alguns Canarinhos para falar sobre os 40 anos do Sydney Brazilian Social Club, que será comemorado neste domingo, no Centennial Park (vide post anterior).

Reunião dos Canarinhos com feijoada oferecida pelo Elmo´s, o restaurante do Dinamite, em Coogee.

A festa, por sinal, além das atrações já citadas, terá também apresentação do samba enredo que cumpusemos este ano em homenagem aos Canários. De lá, seguiremos para o Coogee Bay Hotel, onde acontece o primeiro ensaio para o Carnaval deste ano.

Sim, o Carnaval termina no Brasil (menos na Bahia, claro), mas por aqui está apenas começando.

No Selina´s, aquela parte interna do Coogee Bay, vai ter samba e pagode ao vivo, seguido de ensaio do bloco. Tudo, claro, como preparação para o CarnaCoogee 2012, que acontece dias 10 e 11 de março. Como a bateria está em formação, ainda há algumas vagas para serem preenchidas, é chegar e conversar com o pessoal.

Carnaval brasileiro na Austrália

Andrezinho e Edgee Ribeiro, parceiros na composição do samba enredo 2012.

A entrada é grátis, e no ensaio estarão à venda ingressos para o CarnaCoogee. Clique aqui para saber mais.

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Carnaval 2012 e o Ano Comunitário em Sydney

A temporada está oficialmente aberta. Esse tem tudo para ser um grande ano, em termos comunitários, para os brasileiros de Sydney.

Ontem, a ABCD deu show no Carnaval para as crianças, em Mosman. Festa como haviam anunciado com criançada fantasiada correndo pelo salão com toneladas de confete e serpentina, bem ao estilo das matinês de clube do Brasil. Ver os meus sobrinhos brincando, na Austrália, ao som de Taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim, foi muito bacana.

No próximo sábado, 25 de fevereiro, das 20 à 1h, será a vez do Bracca realizar o seu Carnaval da Saudade no Addison Road Centre, em Marrickville. Entre as atrações, haverá concurso de fantasias cuja escolha dos jurados foi uma grande demonstração da união que a presidente Socorro pretende para este ano. No júri, estarão representantes de diversos setores como Lucia Johns (ABCD), Beatriz Wagner (Rádio SBS), Marcia Percival Pinheiro (Sydney Latin Festival), Erick Paixão (Canarinhos), este que vos escreve (Pablito “Pedro De Lara” Austrália), entre outros. Ingressos a $15 nos contatos que estão na imagem abaixo.

Carnaval brasileiro na Austrália

No domingo, os Canarinhos, a instituição brasileira mais antiga de Sydney, comemoram 40 anos de Austrália. A festa começa às 10 da manhã, no Brazilian Fields, o lar físico e espiritual dos Canários dentro do Centennial Park, e terá futebol, churrasco, cerveja, atividade para as crianças e homenagens. Entre as atrações, amistoso comemorativo entre Canarinhos e os Superstars, time que reunirá nomes como Les Murray e Craig Foster. Entrada grátis!

futebol brasileiro na Austrália

Paralelamente, um grupo vem trabalhando para dar uma nova cara ao Ritmo, o festival que o Bracca realiza anualmente em Darling Harbour, em setembro, e causou polêmica no ano passado. Socorro convidou a produtora de eventos Flavia Fontes (Brazilian Festa), que montou um time independente com pessoas de diferentes áreas: Balu Gimenez, Raphael Brasil, Graziela Guardino, Andréa Moitinho, Juliana Frantz, Ana Peters, Ilana Naha, Antonio Miranda, Paloma Kralic e eu.

Quem acompanha o blog e me conhece, sabe o quanto critiquei os problemas que aconteceram na edição 2011 do Ritmo. Este ano, ao aceitar o convite para participar da organização, tenho plena consciência da responsabilidade, e é por isso que já estamos trabalhando desde janeiro.

Por ora, em ritmo de Carnaval, segue o samba enredo composto para os 40 anos dos Canários!

Carnaval 2012

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Música brasileira nos Eastern Suburbs

Quer ouvir música brasileira de qualidade nesse final de semana?

Hoje, sábado, às 18h, Júlio Araújo, El Comendador, vai fazer um som com a Gabi Soares em Tamarama. Não sei exatamente onde é, mas se você está pelos arredores e quer ir, me liga ou manda email (pnacer@terra.com.br) que vou descobrir logo e aviso.

E no domingo, das 18 às 20h, no Coogee Diggers (esquina da Carr com a Byron st), vai ter funk-reggae-samba-rock com o Kongofunk, banda do Vini da Costa com a Rafa Nardi, Rogério Pulga e Tales. Entrada grátis!

música brasileira em Sydney

Sim, post rápido pois o calor tá punk e a praia chamando!

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A primeira fralda a gente não esquece

Quem me conhece há tempos, sabe que nunca fui um entusiasta do convencional.

Não sei se por ter feito mais de uma dezena de operações quando era pequeno, se por ter morado em mais de duas dezenas de casas antes dos vinte anos ou por ser sagitário com ascendente capricórnio, mas o fato de ser filho de pai uruguaio (pronuncia-se uruguácho) divorciado com mãe então esotérica que se separaram quando eu tinha 9 anos e se casaram 22 anos depois, aliado ao fato de ter perdido um avô fantástico na mesma época e crescido com dois irmãos mais velhos e uma mais nova em São Paulo estudando em colégios como Escola Viva, Nossa Senhora das Graças, Elvira Brandão e, claro, Objetivo, devem ter contribuído para eu buscar viver sempre, digamos, fora da casinha (a melhor tradução para out of the box).

Para terem uma ideia, num rápido giro entre infância e adolescência, coleciono as seguintes fases:

- Aos 9 anos, Terapia.
- Aos 10 anos, já havia sido iniciado na Ordem Rosa Cruz, sabia tudo de cristais e chakras, tomava passe em centro espírita e tinha como meta ser abduzido por extraterrestres (feito que até hoje não sei se foi realizado ou não).
- Aos 11 anos, ligava para a Embaixada do Uruguai para saber o que precisava para aplicar para a residência uruguaia (pronuncia-se uruguácha).
- Aos 12 anos, fundei “O Mundo”, jornal feito de cartolina, caneta e régua cuja redação era na casa da minha vó. Uma cópia a mão por edição. Esgotava na hora (leia-se, ela comprava a única folha de cartolina com as notícias).
- Aos 13 anos, desisti oficialmente de jogar pelo São Paulo Futebol Clube para ser presidente do Brasil (estamos falando de 1989), o lema da campanha seria “Pablo Nacer – Você lá”.
- Aos 14 anos, descobri que só não pensava em mulher quando não respirava (frase do Woody Allen).
- Aos 15 anos, a única profissão que me faria feliz seria baterista. Nessa época, passei o verão trabalhando no bar do meu irmão chamado “Rock n´ Roll Bar” e o restante do ano ocupado na escola na criação do I ElviraFestRock.

- Aos 16 anos, a cerveja já era o elemento socializador entre os amigos e os pais dos meus amigos. A tal da boemia, na melhor ascepção da palavra (não estou falando de balada) começava a me atrair.
- Aos 17 anos, na mesma medida em que a tal da boemia me atraía, elementos cotidianos como emprego estável, namoro sério, casamento e filhos não faziam o menor sentido. E assim permaneceram por mais de uma década e meia.
- Aos 18 anos, após terminar a escola, me mandei de São Paulo, voltando somente com 22.
- Entre os 24 e 26, passei um período de cada ano numa aldeia indígena xavante no Mato Grosso que resultou no meu primeiro livro, Meu Avô A´uwê, lançado aos 27.

- Aos 28, volto à terapia com o dilema entre querer levar uma vida renascentista em pleno século XXI, e querer viver como escritor tendo que pagar contas no fim do mês.
- Aos 29, o vinho apareceu institucionalmente trazendo de volta o jornalismo, que estava meio em baixa, a gastronomia e me conduzindo, indiretamente, para a Austrália, aos 30.

Fiz essa nada pequena introdução para dizer que até a noite de ontem, eu, 35 anos, jamais havia trocado uma fralda.

É verdade! Mesmo sendo tio há quase 17 anos – dois sobrinhos no Brasil e dois aqui -, nunca passei pelo processo uma vez que, ao contrário de 94.7% dos meus amigos, não tenho filho.

E nas vezes em que os meus sobrinhos de 3 anos e 3 meses vêm dormir em casa, eu e a Luciana passamos a noite suplicando à Nossa Senhora das Purezas para que só tenham vontade de fazer cocô quando os pais chegam.

Ontem, porém, com doses de crueldade e deboche, o Patrick ganhou.

Fomos passar algumas horas da noite na casa da Paloma para que ela pudesse sair com o meu cunhado. Pouquíssimos minutos após a batalha do banho (dar banho em gêmos em banheira é uma arte), já devidamente de pijama, o Patrick começa:

- Uncle Pabu, poo poo.
Fingi que não ouvi.
- Uncle Tio, poo poo.
- Agora, Patrick? Mas você acabou de sair do banho (sic)!
- Cocô, Uncle Tio!
- Patrick, então faça na sua privadinha, como você aprendeu.
- Mummy said I can poo poo in my nappy.
- Eu sei, patrick, mas na privada é muito melhor.

Nesse momento, Patrick olha nos meus olhos, levanta os dois braços, abre um pequeno sorriso com gigantesco sarcasmo e diz:

- Uncle Tio, I am doing, I am doing…

Luciana, claro, cai na gargalhada, eu fico totalmente sem saber o que fazer, e Georgia, minha sobrinha:

- Patrick is doing, Patrick is doing…

Ganharam, claro!

Com atraso de, no mínimo, uns 10 anos, tiro a fralda com aquele petróleo fresco, limpo a bunda dele com praticamente uma árvore inteira, tamanha quantidade de papel utilizado, tento colocar a fralda, mas ele reclama, afinal, está do lado errado. Ao tentar arrumar, Patrick mesmo coloca da maneira correta e me mostra como é, dando bronca. Fico mudo. Ponho o pijama novamente e termino com uma imensa bola de fralda, papeis e cocô na mão, sem saber se jogo no lixo, se existe um cesto especial, um incinerador na casa, se devo enterrar, enfim, essa história de querer viver fora da casinha, levar vida renascentista e abraçar a boemia, tem hora que não rola.

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Samba Enredo 2012 – Canarinhos 40 Anos

Ano passado, o Andrezinho e eu compusemos o primeiro samba enredo da Austrália, executado em março durante o CarnaCoogee do Balu. O nome era Do Capitão Cook ao Mate – É carnaval no Coogee Bay, e contava um pouco da história da Austrália.

How are you bro?
How’s going mate?
É carnaval vem sambar no Coogee Bay!

Austrália querida, continente tão distante
Terra de beleza fascinante
Sua história vou contar

Capitão Cook, o primeiro
Enviado por George III
Aportou no Rio de Janeiro…

O branco e o negro
O bretão e o índio
O choque cultural
O aborígene chorando
O inglês sorrindo
É o tema para o nosso carnaval

E por aí vai.

Para este ano, tivemos o reforço do grande Edgee Ribeiro, um dos maiores músicos brasileiros na Austrália, e juntos compusemos um samba em homenagem aos 40 Anos dos Canarinhos.

futebol brasileiro em Sydney

Canarinhos, pra quem não sabe, são os brasileiros do Sydney Brazilian Social Club que há quatro décadas se reúnem todo domingo para jogar futebol. A pelada acontece no Centennial Park, coração de Sydney, e tem de estudante recém-chegado a ex-jogador da seleção australiana. Após o jogo, claro, cerveja e churrasco.

Para não passar em branco, fizemos o samba enredo abaixo para ser tocado pelo bloco de Carnaval que o Balu está armando para o CarnaCoogee (10 de março), para a própria festa dos Canarinhos (26 de fevereiro) e demais eventos comunitários que desejarem usar.

Espero que gostem!

Canarinhos 40 anos

(Andrezinho Souza, Edgee Ribeiro e Pablo Nacer)

É na pelada que eu vou (eu vou, eu vou)
Sou o dono da bola
Parabéns, Canários                   2x
Hoje é o seu dia de glória

40 anos de história
Chora viola
O jogo vai começar
Do Moore Park ao Centennial
Quem quiser pode chegar
Brazilian Fields, esse é o nosso lar

Lembrando,
Que nos anos 70
Muniz marcou presença
Na seleção nacional
De Maricá
Um trio veio jogar
Pra na Liga Nacional
Arrebentar

Bota carne na brasa
Tem cerveja gelada
É o meu Brasil                          2x
Se formando na Austrália
É um povo de garra
Como ninguém viu

Eventos para a comunidade
Dia dos Pais e das Crianças
E o futebol da Piranhas
Les Murray Cup eu vou jogar
Johnny Warren avisou
“I told you so!”

E pra lembrar
2 a 0 no placar
Tantas emoções
Traz a taça pra cá
Vamos comemorar
Canarinhos, os primeiros campeões

É na pelada que eu vou (eu vou, eu vou)
Sou o dono da bola
Parabéns, Canários                   2x
Hoje é o seu dia de glória

Em breve, trago a explicação, frase a frase, para todos compreenderem cada linha do samba, e também detalhes dos principais carnavais e festas que vão rolar por aqui. Assim que tivermos algum vídeo do ensaio do bloco, posto também.

Carnaval 2012

Chora cavaquis!

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Zâmbia – 19 anos depois

Que história maravilhosa!

Em 1993, durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994, que seria disputada nos Estados Unidos (“Deixa que eu bato”, ass: Baggio), a seleção da Zâmbia terminou a primeira fase na liderança do Grupo oito, com cinco vitórias e uma derrota.

Copa Africana de Nações

Na fase final, caiu no grupo de Marrocos e Senegal. As seleções jogariam em dois turnos de ida e volta, quem somasse mais pontos se classificaria para a Copa.

No primero turno, Zâmbia estreou fazendo 1 a 0 em casa contra o Marrocos. Quando seguia para o Senegal, em 28 de abril, o avião que levava a seleção zambiana explodiu após decolar de Libreville, capital do Gabão, onde havia parado para reabastecer.

As trinta pessoas a bordo morreram, incluindo 18 jogadores e comissão técnica. A causa até hoje não foi esclarecida.

Zâmbia ainda montou uma segunda seleção, empatou com Senegal fora (0 a 0), goleou o mesmo Senegal em casa (4 a 0), mas acabou perdendo a inédita vaga para o Marrocos, que venceu por 1 a 0 em Casablanca.

Dezenove anos depois…

Copa Africana de Nações

Disputada a cada dois anos, em 2012 a Copa Africana de Nações foi jogada em duas sedes: Gabão e Guiné Equatorial.

Zâmbia passou tranquila pela primeira fase, classificando-se em primeira do grupo. Nas quartas-de-final, goleou o Sudão por 3 a 0, garantindo vaga na semi, que seria disputada contra a favorita Gana.

Até então, todos os jogos de Zâmbia haviam sido jogados em Guiné Equatorial. Contra Gana não seria diferente. Porém, se vencesse, Zâmbia não só conquistaria a vaga para a final, como a disputaria em Libreville, cidade onde há 19 anos ocorrera a tragédia.

Copa da África

Zâmbia venceu Gana por 1 a 0, e agora a pouco, após empatar o tempo normal e a prorrogação em 0 a 0, venceu a poderosa Costa do Marfim por 8 a 7 nos pênaltis, conquistando pela primeira vez a Copa da África.

O título honrou uma geração inteira, orgulhou os mais de 12 milhões de habitantes e, no caso de Kalusha Bwalya, presidente da Associação de Futebol da Zâmbia, deve ter um significado imensurável.

futebol africano

Maior jogador da história do país e capitão da seleção que sofreu o acidente em 1993, Kalusha só está vivo porque à época defendia o PSV Eindhoven, da Holanda, e viajou em outro vôo.

Abaixo, a chegada da atual seleção à Libreville.

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