Na Austrália, a história de que o ano só começa depois do Carnaval não existe pelo simples fato de não haver Carnaval por aqui.

Porém, quem realmente toma decisão em firrrrrrma (com sotaque interiorano), passa janeiro viajando com a família em alguma parte distante do planeta.

Australian Open 2012

Junte a isso o calor insano nas seis grandes cidades, críquete acontecendo de quatro a cinco dias seguidos das 10 da manhã às 6 da tarde em quatro dessas grandes cidades e o Australian Open[bb] passando na TV diariamente das 11 da manhã às 11 da noite (quando o Nadal joga vai até um pouco mais tarde), temos a sensação de que o ano só começa em fevereiro.

E a sensação é verdadeira!

Sendo assim, peço que não se preocupem com o marasmo “labútico” vivido neste mês e aproveitem a quintessência do janeiro australiano, que neste final de semana terá um de seus últimos capítulos com as finais do Australian Open.

Eis os três atos derradeiros:

Sexta-feira, às 19h30 (horário de Melba), segunda semi-final masculina entre Novak Djokovic SRB (1) e Andy Murray GBR (4).

Sábado, às 19h30 (horário de Melba), final feminina entre Victoria Azarenka BLR (3) e Maria Sharapova RUS (4).

Domingo, às 19h30 (horário de Melba), final masculina entre Novak Djokovic SRB (1) e Rafael Nadal ESP (2).

Vamo Rafa! #ausopen

Happy New Year (again)!

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Para quem não faz ideia do que se comemora no Australia Day, segue texto que publiquei há uns anos.

Podemos dividir o brasileiro que vive na Austrália em 4 grupos: os que acham que o Australia Day é o Dia da Independência australiana (o nosso 7 de setembro); os que acham que o Australia Day é o Dia da Proclamação da República (o nosso 15 de novembro); os que acham que o Australia Day é o Dia do Descobrimento (o nosso 21 de abril); e os que não acham absolutamente nada.

Os que não acham absolutamente nada são os que mais se aproximam da resposta correta, uma vez que no dia 26 de janeiro a Austrália não foi descoberta, não proclamou a república e muito menos declarou a independência.

No referido dia, o australiano se veste de verde e dourado, pinta a bandeira no corpo inteiro e sai às ruas para tomar a maior quantidade possível de cerveja com o intuito de celebrar o desembarque do glorioso Capitão Arthur Phillip em Port Jackson (New South Wales), ocorrido em 26 de janeiro de 1788. Com ele, vieram da Inglaterra a primeira leva de condenados, prisioneiros, oficiais e demais tripulantes para iniciar a colonização na Austrália, à época a mais nova colônia penal britânica de férias. No total chegaram 1373 pessoas, entre homens, mulheres, crianças, anões de circo, ogros e mulheres barbadas.

George III por Allan Ramsay, 1762

Sim! Os primeiros não-aborígenes que nasceram em solo australiano – também conhecidos como australianos – provavelmente eram filhos de ex-prisioneiros britânicos. Já contei essa história no meu outro site, mas como o blog é meu e ninguém tem nada a ver com isso, recontarei sob a mesma forma de conto de fadas:

Há dois séculos, num velho continente distante, havia uma ilha muito muito grande. Dentre outros tesouros, lá se produziam verdadeiros patrimônios da Humanidade como o whiskie escocês. Mesmo vivendo com tamanha fartura e (tecnicamente) felizes para sempre, alguns moradores tentaram facilitar ainda mais as coisas se apropriando indevidamente do que não lhes pertencia. Sem escolha, George III, o rei, colocou-os nos calabouços reais.

Enquanto isso, na bela e ensolarada manhã do dia 8 de agosto de 1768, o capitão inglês James Cook deixou o porto de Plymouth em seu navio Endeavour e seguiu viagem. Ele desceu pela Ilha da Madeira, passou pela costa oeste africana e atravessou o Atlântico rumo à América do Sul, onde fez uma estratégica parada no Rio de Janeiro em 13 de novembro de 1768. Após um eletrizante Fla-Flu[bb] e uma noitada na Lapa, Cap. Cook foi para o Pacífico Sul, permaneceu três meses no Taiti observando o planeta Vênus, seguiu para a Nova Zelândia, onde interagiu com a fascinante população maori, até que finalmente aportou na Austrália na bela e ensolarada manhã de 19 de abril de 1770.

Capitain Cook por Nathaniel Dance, 1775

Entre um pente e um espelho que distribuiu para os aborígenes, C.C. (Captain Cook) enviou – via Sedex – uma carta para Georginho III contando-lhe sobre as últimas da recém-descoberta terra. Entusiasmado, o monarca, que enfrentava grave problema com a superlotação carcerária, “propôs” aos prisioneiros uma certa “anistia”, caso eles aceitassem viajar alguns poucos quilômetros a sudoeste. Alegres com a bondade real, os condenados e detentos embarcaram aos montes e vieram, sob o comando do Capitão Arthur Phillip para a Austrália reiniciar a vida na nova colônia penal (é importante lembrar que os Estados Unidos já eram colônia penal da Coroa Britânica).

E assim, após 8 meses de viagem com direito a nova parada estratégica no Rio de Janeiro, Arthur Phillip e toda a turma aportaram inicialmente em Botany Bay, em 18 de janeiro, desembarcando definitivamente em Port Jackson, em 26 de janeiro. Trinta anos depois, em 1818, o Governador Lachlan Macquarie realizou a primeira celebração oficial do desembarque que, com o passar do tempo, recebeu diferentes graças como Foundation Day, Anniversary Day, Survival Day e Invasion Day (cortesia dos aborígenes), sendo hoje chamado nacionalmente de Australia Day, o pretexto número um para um grande porre cívico.

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pablito says:
Oi, Josivaldo, sem problema algum, legal que gostou. Abração! more

Parabéns, São Paulo!

São Paulo Futebol Clube

Ops, parabéns, São Paulo!

Conforme prometido: continuo te amando e respeitando, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, e que nem a morte nos separe (no máximo, algumas horinhas de voo).

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Entre a ação da Polícia Militar de São Paulo na Cracolândia e a do Pinheirinho, no último domingo, foram praticamente três semanas.

Três semanas em que o crack, ao lado do suposto estupro no BBB e da Luiza no Canadá, foi o grande tema nacional.

De uma hora pra outra, “especialistas”, “prós-usuários”, “anti-drogados” e tantos outros apareceram na grande mídia e nas mídias sociais, expondo seus pontos de vistas, opiniões, achismos e o diabo a quatro.

Agora, porém, que o crack perdeu o posto de assunto da vez para a expulsão do Pinheirinho, praticamente não se fala. É como se o problema não nos pertencesse mais.

E assim o Brasil caminha rumo ao Carnaval.

Quem me acompanha aqui no blog e no Facebook, viu que o meu irmão, Fabian Nacer, teve os seus 15 minutos de fama.

Do SPTV da Rede Globo à última Veja, passando por rádios como Estadão e CBN, portal Terra, entre outros, ele esteve em vários lugares.

Começou com a carta Eu Morei na Cracolânida, enviada para alguns veículos e publicada no jornal O Estado de São Paulo. A repercussão foi grande e ele logo foi procurado pela produção da Rede Globo. Uma vez no plim-plim, telefonemas e emails não pararam.

Mas, infelizmente, salvo raras exceções, queriam muito mais saber da história dele e ficar nessa, do que realmente abordar a questão e, mais importante, tentar buscar soluções.

Claro, é importante mostrar que um cara que viveu seis anos no crack largou o vício e recuperou a vida. Mas após mostrar isso, vamos em frente, Fabian, você que esteve lá e hoje está vendo do outro lado, o que pode ser feito? Como você vê a ação do governo do estado na Cracolândia? Qual teria sido a melhor ação? Como o poder público pode enfrentar o problema? Por onde começar? Qual a abordagem? Você faz algum trabalho com dependentes? Tem obtido resultados?

Não estou falando que o meu irmão viria com todas as verdades absolutas sobre o problema, longe disso, mas seriam opiniões de alguém que convive com a questão há quase três décadas, seja como usuário, dependente, ex-dependente, consultor e agora iniciando mestrado sobre o tema.

Mas, obviamente, é muito mais espetacular ouvir histórias de que ele ficou mais de um ano sem tomar banho e escovar os dentes, que estava tão magro que entrava nos bueiros etc.

Eu poderia aqui, como irmão e jornalista, fazer textos emocionantes lembrando, por exemplo, de um Natal que íamos para a casa da minha avó, na Vila Olímpia, e, ao passar por uma rua próxima à Via Funchal, lá estava ele, sozinho, sentado sobre um papelão e enrolado num cobertor. Paramos para falar com ele, que estava noiado e mais parecia um zumbi, e depois seguimos para mais um Natal de família classe média.

A grande e arcaica imprensa brasileira precisa amadurecer, aproveitar o espaço que dispõe e o poder de disseminação que tem para assumir seu papel de agente mobilizador, trazendo o debate, dando voz para quem tem o que dizer e contribuindo para apontar caminhos, e não somente reportar superficialmente (como foi a matéria da Veja), tentar fazer sensacionalismo (como foi com a do Terra) e faturar em cima da desgraça alheia (não vou nem comentar sobre a entrevista que fizeram com o meu pai).

Felizmente, as coisas estão mudando. E rapidamente. Dezenas, talvez centenas, de boas ongs, associações, jornalistas e blogueiros livres das amarras da grande imprensa estão espalhados pelo mundo e interligados na internet, marcando em cima com seus blogs, concentrando e potencializando determinados assuntos através das hashtags nas mídias sociais e fazendo a coisa aparecer e acontecer. SOPA e PIPA não estão no congresso norte-americano por acaso.

São pessoas e blogs como o Repórter Brasil, do Sakamoto, que me fazem ter a certeza de que, a grande e arcaica imprensa brasileira, se não está com os dias contados, terá cada vez menos controle sobre a notícia. E se eles não querem abordar, nós aqui em baixo queremos. E vamos!

Ainda não temos o alcance que eles têm, mas como eu disse, as coisas estão mudando.

E para qualquer jornalista sério que deseja se aprofundar na questão do crack e de outras drogas, elevando o nível da discussão, conversem com o meu irmão. Falo o mesmo para ongs, associações, famílias e o próprio poder público. Ela já não desperta mais o interesse na grande mídia, mas pode ajudar a salvar muita gente se procurado por quem realmente quer enfrentar o problema.

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pablito says:
Não tenho a menor dúvida, sem contar a falta de vontade política para dar... more
yara xavier says:
Os governos têm o mesmo vício das pessoas: problema de continuidade. Um... more

Tony Bennett na Austrália

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Imprensa adora usar termos como “show do ano”, “jogo do século” e outros exageros. Tudo, claro, para vender ou promover algo. Dos catorze eventos anunciados, até o momento, como “show do ano (importante: ainda estamos em janeiro), este é o …

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Tomic x Federer – Chegou a hora?

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Não sou de incentivar as pessoas a verem televisão, mas hoje, às 19h (horário de Melbourne), quem não estiver ligado no Channel 7 não vai para o Céu. É Sério! De um lado, Roger Federer, para muitos, o maior tenista …

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